O racismo de argentinos é caso isolado! Será?
Praticamente não existem negros na Argentina, mas apenas alguns esbranquiçados com traços afros, como Diego Maradona

Não sou xenófobo. Pelo contrário. Considero esta anomalia psicossocial abominável. A vida ensinou-me respeitar estrangeiros, com suas características físicas e desigualdades culturais. Convivi com a diversidade humana- em meus tempos de criança- lá em Ouro Preto. A eterna Vila Rica recebe cidadãos dos quatro cantos do planeta com muita elegância, inclusive notórios picaretas. Quando saía de casa, minha mãe recomendava: “não perturbe os turistas”. Esta advertência valia para gringos e brasileiros. A discrição ouro-pretana era uma forma de reverência às pessoas que admiravam o mais sublime conjunto arquitetônico do Brasil colonial.
Mas vamos à Argentina de Javier Milei, Jorge Borges e Adolfo Esquivel. Que contradição moral e estética! Durante a Copa do Mundo, dois jornalistas da Band foram a Buenos Aires para registrar a reação dos portenhos diante das vitórias e derrotas da seleção “albiceleste”. No dia da finalíssima, aconteceu lamentável incidente. De repente- em plena cobertura- um torcedor descobriu a nacionalidade dos profissionais de imprensa. No mesmo instante, aproximou-se da dupla, fez movimento corporal típico de um símio e começou a gritar: Mono! Mono! Mono! Ou Macaco! Macaco! Macaco! A provocação foi uma exibição explícita da macaquice típica de “los hermanos” (sic).
O ato não surpreende. Afinal, este é o “modus operandi” de “europeus” da periferia. No fundo, no fundo, o grotesco comportamento revela falsa superioridade humana e frustação psíquica. Na verdade, os argentinos não passam de simplórios “crioulos” (criollos). Os brasileiros- eventuais moradores do país vizinho- tentam relativizar a costumeira injúria. Nesta hora, a submissão (ou viralatismo) tupiniquim aflora na ponta da íngua em ritmo de samba. “O racismo de argentinos é caso isolado”, juram os brazucas locais, que asseguram ainda com “autoridade” antropológica: “no dia a dia, os argentinos não são racistas”.
Concordo com a observação dos meus compatriotas. A percepção está correta. Claro, agressões racistas não são práticas cotidianas dos cidadãos de lá. Nem poderia ser diferente. Afinal, praticamente não existem negros no território platino. Há apenas alguns esbranquiçados com traços afros, como Diego Maradona.
O “isolado” racismo argentino só se manifesta quando os “crioulos” vajam para o exterior. Eles não toleram pretos. Então, com muita intensidade, o “caso isolado” acontece nos estádios de futebol mundo afora, em praias cariocas e até nas cidades históricas de Minas Gerais. O preconceito também não passou despercebido na principal competição do futebol mundial, nos Estados Unidos de Donald Trump. Os argentinos não conseguem se livrar do natural complexo de mono. São “monomaníacos”.
Agora, nos encontramos diante de uma pesquisa quantitativa. E aqui vem a pergunta pertinente: a amostragem de “casos isolados” é representativa do universo argentino? Talvez. Naquela nação, com certeza, há racistas e não racistas. Resta saber qual a real opção da maioria dos conterrâneos do Papa Francisco. A última vítima da “momice” foi o goleiro Hugo Souza do Corinthians. Portanto, nada de novo no front. Segue o jogo!
PS: Os filhos de escravos- nascidos no Brasil- eram chamados crioulos. Os rebentos do explorador europeu dados à luz na América Latina recebiam a mesma designação. Os espanhóis consideravam o crioulo um ser de quinta categoria. Provavelmente, os atuais descendentes dos “crioulos” argentinos nem sabem disso.
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