Exposibram 2026: Alexandre Silveira defende Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e avanço da Margem Equatorial

Na abertura da Exposibram 2026, ministro de Minas e Energia falou sobre soberania mineral, investimentos no setor e potencial da nova fronteira de petróleo

Exposibram 2026: Alexandre Silveira defende Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e avanço da Margem Equatorial
Foto: Divulgação/Exposibram 2026

A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e o avanço da exploração da Margem Equatorial estiveram entre os principais pontos abordados pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante a abertura da Exposibram 2026, na segunda-feira (24), em Belo Horizonte.

Diante de representantes da mineração, autoridades, empresários e especialistas, Alexandre Silveira defendeu que o Brasil aproveite o potencial de seus recursos naturais para ampliar a capacidade de geração de riqueza e fortalecer sua posição estratégica. O ministro também anunciou a previsão de R$ 300 milhões para o Serviço Geológico do Brasil (SGB) no orçamento de 2027, destinados à ampliação do conhecimento sobre o potencial mineral brasileiro.

A fala aconteceu em uma edição da Exposibram que colocou no centro das discussões a competitividade do setor, os minerais críticos e estratégicos, a transição energética e o papel do Brasil diante das mudanças no mercado internacional.

Ministro aposta na aprovação da política para minerais críticos

Alexandre Silveira afirmou que o governo federal trabalha pela aprovação, no Senado Federal, do PL 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A intenção é que o texto avance sem alterações, evitando um novo retorno à Câmara dos Deputados.

O ministro avaliou que a proposta atualmente em análise está adequada aos interesses do país e disse que o governo aguarda a decisão do Senado. “Essa é a negociação que está em andamento. Naturalmente, aguardamos ansiosamente para que ele seja aprovado. Eu entendo que o projeto está muito adequado ao interesse nacional”.

Caso aconteça a aprovação, o próximo passo será regulamentar a política e definir mecanismos que permitam transformar o potencial mineral brasileiro em desenvolvimento econômico. “A partir daí, vamos desdobrá-lo nos decretos, nas políticas que possam promover o crescimento do país, aproveitando a janela de oportunidade de ter um país soberano, de ter um país que possa decidir como aplicar os seus recursos naturais”.

A ampliação do conhecimento geológico também foi apresentada como parte dessa estratégia. Alexandre Silveira anunciou a previsão de R$ 300 milhões no orçamento de 2027 para o Serviço Geológico do Brasil, com o objetivo de aprofundar o mapeamento e o conhecimento sobre as riquezas minerais existentes no território nacional.

Margem Equatorial é apontada como nova fronteira de produção

A Margem Equatorial é considerada uma nova fronteira exploratória brasileira de petróleo em águas profundas e ultraprofundas e se estende pela faixa marítima diante de Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A Petrobras estima que a área tenha potencial petrolífero relevante e prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos e a perfuração de 15 novos poços entre 2026 e 2030.

A exploração na região já avançou para a fase de pesquisa, e Alexandre Silveira defendeu a continuidade desse processo. Em seu discurso, o ministro projetou uma transformação econômica a partir do potencial petrolífero da área, especialmente para o Norte e o Nordeste:

“Aquela região será a região de maior produção de petróleo da história do Brasil, mais do que o Rio de Janeiro, será o Amapá, o Rio Grande do Norte, até o Piauí. O potencial ali é enorme e isso gerará divisa, gerará crescimento. É um mineral fundamental e importante para o país e para o mundo. Portanto, o mundo ainda necessitará desse mineral durante muitos anos e o Brasil não pode perder essa oportunidade”.

A Petrobras classifica a Margem Equatorial como uma das novas fronteiras exploratórias do país e informa que os projetos são desenvolvidos considerando requisitos técnicos, ambientais e regulatórios, além de medidas de monitoramento e prevenção de impactos. A empresa também prevê a utilização de tecnologias voltadas à eficiência operacional e à redução de impactos das atividades de exploração e produção.

Ao falar sobre a perspectiva de produção, Silveira projetou que o avanço das atividades poderá contribuir para a formação de uma nova cadeia econômica na região. “Era uma obrigação dar celeridade ao licenciamento para que a gente tenha daqui a cinco anos, eu espero, produção em abundância de petróleo, geração de uma nova indústria no Norte do país, no Nordeste brasileiro”.

Mineração como estratégia de soberania

A discussão sobre minerais críticos e estratégicos esteve diretamente relacionada à ideia de soberania apresentada por Alexandre Silveira. A proposta defendida pelo ministro é estabelecer instrumentos para que o Brasil tenha maior capacidade de decidir como utilizar seus recursos naturais e transformar suas reservas em desenvolvimento.

O tema ganhou relevância durante a Exposibram justamente pela importância dos minerais para cadeias associadas à tecnologia, energia e indústria. A busca por esses recursos também está ligada às transformações da economia mundial e às necessidades da transição energética.

A cerimônia de abertura reuniu ainda o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, e a presidente do Conselho Diretor do instituto e CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches. Ambos defenderam uma mineração baseada em segurança, responsabilidade, sustentabilidade e geração de valor para a sociedade.

O evento contou com a presença do chefe de gabinete da Vice-Presidência da República, Pedro Guerra, representando o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de empresários, especialistas, autoridades e lideranças do setor.

A edição de 2026 da Exposibram também marca os 50 anos do Ibram.