Exposibram 2026: Ibram defende mineração como motor de desenvolvimento e quer Brasil no protagonismo dos minerais críticos

Pablo Cesário destacou conhecimento, segurança e geração de riqueza como pilares do setor e defendeu participação brasileira nas cadeias de maior valor

Exposibram 2026: Ibram defende mineração como motor de desenvolvimento e quer Brasil no protagonismo dos minerais críticos
Foto: Divulgação/Ibram

A mineração não deve ser vista apenas como uma atividade essencial para o funcionamento da economia. Na avaliação do presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, o setor precisa ocupar uma posição estratégica no projeto de desenvolvimento do país. A defesa foi apresentada na abertura da Exposibram 2026, na segunda-feira (24), no Expominas, em Belo Horizonte.

Em sua fala, Cesário associou o avanço de tecnologias como inteligência artificial e a transição energética à necessidade crescente de minerais. Para ele, essa mudança amplia a oportunidade de o Brasil utilizar suas reservas, conhecimento científico, empresas e capacidade de pesquisa para conquistar espaço nas novas cadeias produtivas.

“O mundo que está lá fora percebeu que a transição energética depende da mineração. A sociedade e o consumo que as pessoas querem ter — inteligência artificial, celulares… — depende da mineração, que o futuro depende da comunicação, que o futuro é um binômio entre mineração e conhecimento”, afirmou.

“Se há energia verde, se há bateria, se há inteligência artificial, atrás disso está a mineração. Mas, além disso, é como a gente cria um país desenvolvido, como a gente gera riqueza e prosperidade para as pessoas daqui. Há vários exemplos de como se podem construir países desenvolvidos a partir da mineração, essa é a história que nos conta o Canadá, é a história que nos conta o Chile, é a história que nos conta a Austrália. O mundo lá fora já percebeu que é desejável a boa mineração”, completou.

A perspectiva apresentada pelo dirigente parte de uma mudança na percepção internacional sobre o setor mineral. Se antes a mineração era tratada principalmente sob a ótica do fornecimento de matérias-primas, a demanda por tecnologias associadas à transição energética e à inteligência artificial passou a colocar os minerais no centro de disputas econômicas e estratégicas.

Para Pablo Cesário, o desafio brasileiro é transformar essa vantagem geológica em desenvolvimento interno. Isso significa, segundo ele, não apenas extrair recursos, mas ampliar a participação nacional nas etapas que agregam maior valor às cadeias produtivas.

Brasil pode assumir papel central na disputa por minerais críticos

O presidente interino do Ibram também destacou uma combinação que considera particular do Brasil: reservas minerais expressivas, empresas qualificadas, instituições de pesquisa e credibilidade nas relações internacionais. Na avaliação apresentada durante a abertura da Exposibram, esse conjunto cria condições para que o país dialogue tanto com grandes potências quanto com outras nações produtoras de recursos minerais.

“Eu acho que existe um papel ainda maior para o país e [para] nós, como povo. O Brasil tem reservas minerais? Tem. Mas ele não tem só isso. Ele tem empresas competentes, ele tem centros de pesquisa de primeira linha e mais, tem uma tradição de respeitar contratos, de respeitabilidade e confiança no nível internacional. Isso abre um espaço único, só o Brasil poderá assumir o protagonismo no debate de minerais críticos e estratégicos”, defendeu.

“A gente pode olhar nos olhos das grandes potências, todas elas — olhamos nos olhos com os japoneses, com os chineses, com os americanos, com os europeus — porque estamos entre os grandes. Mas, por outro lado, sentimos o desafio de ser um país em desenvolvimento. Onde ainda temos um desafio de trazer às pessoas para a vida, para a dignidade. E, nesse sentido, seremos a única voz para falar com os nossos amigos peruanos, bolivianos, da África do Sul, do Zimbábue e todos os outros países. O que eu quero dizer é o seguinte: é preciso recriar riqueza aqui”, acrescentou.

A defesa de maior protagonismo também envolve a construção de relações internacionais em torno da segurança das cadeias de fornecimento. Pablo Cesário propõe que o Brasil participe dessas articulações sem se limitar à condição de fornecedor de recursos naturais.

O objetivo, segundo ele, é estabelecer parcerias que permitam desenvolver tecnologia, ampliar a capacidade de pesquisa e assegurar condições para que o país dispute espaço nas etapas de maior valor da indústria mineral. “Só o Brasil pode assumir um papel de protagonismo, de criar um arranjo global, um arranjo plurilateral, em que a gente garanta segurança energética, segurança nas cadeias de fornecimento, mas, em contrapartida, existem duas coisas. A primeira delas: seremos sócios e queremos ser parceiros na construção de tecnologia e, de novo, aqui entramos em pé de igualdade com todos. E também queremos as condições de concorrer em pé de igualdade. O que a gente quer é poder ser grande protagonista nessa história e ser principalmente, autor do nosso próprio destino”.

Segurança e prosperidade como compromissos da mineração

A participação do Ibram na abertura da Exposibram também foi marcada pela defesa de três princípios apontados por Pablo Cesário como orientadores da atividade: responsabilidade ambiental, capacidade de gerar prosperidade nos territórios onde as empresas estão instaladas e segurança, tanto dos trabalhadores quanto das operações.

O dirigente também se dirigiu à Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho (Avabrum), presente na cerimônia. Ao falar sobre segurança, destacou que a lembrança das vítimas deve permanecer como referência para o setor:

“Eu espero que a presença de vocês seja um lembrete permanente de que quem sai de casa para trabalhar volta para casa no mesmo dia, inteiro”.

A declaração aconteceu após a presidente da Avabrum, Nayara Cristina Dias Porto Ferreira, defender a valorização da vida e das pessoas como princípio permanente da mineração.

Pablo Cesário também chamou atenção para a preparação do setor diante dos eventos climáticos extremos associados ao próximo período de chuvas. Segundo ele, o Ibram já iniciou ações junto às empresas associadas com foco na preparação e na segurança das operações.