CNH categoria C, trabalho pesado e cara de criança: quem é o caminhoneiro que confundiu a PM em SC

Conduzir veículos pesados sempre foi o objetivo de Gabriel e a chegada ao volante de um caminhão representa a realização desse sonho

CNH categoria C, trabalho pesado e cara de criança: quem é o caminhoneiro que confundiu a PM em SC
Caminhoneiro de 20 anos tem jeito de uma criança de 10 anos- Foto: Arquivo pessoal

Abordado pela Polícia Militar em Jaraguá do Sul (SC), o motorista de caminhão Gabriel Allan Rodrigues, de 20 anos, foi confundido com uma criança por ser de baixa estatura, ter fisionomia de 10 anos e a voz fina.

Conduzir veículos pesados sempre foi o objetivo de Gabriel e a chegada ao volante de um caminhão representa a realização desse sonho.

Natural de Mafra, norte do estado, o jovem já queria trabalhar na área de transportes.

“Quando eu era criança, me imaginava pilotando foguete, avião, até carro de Fórmula 1. Uma coisa que sempre gostei era dirigir. Depois, fui tendo noção das coisas e descobri que era bem mais complicado, porque venho de uma família que não tem condição de pagar uma faculdade cara. Caminhão eu sempre gostei. Eu ficava na beira da estrada com a câmera do celular filmando os caminhões que passavam”.

A trajetória começou aos 18 anos, quando passou a morar sozinho. O primeiro emprego foi em um supermercado, mas em seguida conseguiu emprego em uma fábrica de carros, que, algum tempo depois fechou as portas, deixando o desempregado, quando decidiu se mudar para Jaraguá do Sul, onde morava sua mãe, em busca de oportunidades.

Na nova cidade, Gabriel começou trabalhando em uma transportadora como ajudante de carga e descarga. Após tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria C e adquirir experiência no setor, ele conquistou a tão sonha vaga de motorista na atual empresa.

“Eu tô dirigindo esse caminhão faz no máximo um mês, acho que nem deu um mês ainda, então, tô aprendendo a cada dia uma coisa nova. Pra mim está sendo um sonho realizado. Dizem que quem trabalha com o que gosta não trabalha”.

O jovem faz coletas e entregas na região de Jaraguá do Sul, mas planeja viagens mais longas no futuro.

“Meu objetivo é poder viajar, tô correndo atrás disso, ganhando experiência dentro da cidade para mais pra frente poder viajar com caminhão”.

Gabriel fala que não foi a primeira vez que foi abordado, mas denúncia mesmo foi a primeira vez que aconteceu.

“Mas, como eu dirigia carro antes, já passei por isso várias vezes. As pessoas ficavam olhando, davam risada. As crianças, por exemplo, é a diversão delas. Elas ficam bem loucas quando eu passo de caminhão”.

Outra situação inusitada foi quando tentou abrir uma conta bancária. Ao solicitar o serviço na agência, o funcionário passou a falar com ele de forma afetuosa, acreditando tratar-se de uma criança desacompanhada.

“Fui tentar abrir a conta e eles começaram a conversar comigo com uma voz muito mansa: ‘Você tá sozinho? Você precisa vir com teu pai ou com a tua mãe aqui no banco, não pode vir sozinho’.”

*Fonte: G1