Classificação merecida do Atlético passa pelo campo e pela área técnica
Não satisfeito em levar um nó tático de Leonardo Jardim na Libertadores, Artur Jorge também foi amplamente superado por Eduardo Domínguez
Fazendo jus à fama de um dos principais clássicos do Brasil, Cruzeiro e Atlético travaram duelos que passaram pelos campos, tribunais e pela área técnica. No fim, o resultado da noite desta terça-feira (1º) premiou o time mais preparado para chegar às semifinais da Copa do Brasil.
Na primeira partida, no Mineirão, o Galo adotou uma postura conservadora. Se não foi o desempenho dos sonhos, ao menos segurou o rival diante do torcedor cruzeirense e levou um empate precioso para a decisão em casa. A dúvida era: como a equipe reagirá diante da obrigação de propor mais o jogo? A resposta foi a melhor possível.
Desde o primeiro minuto, o Atlético aproveitou bem os generosos espaços concedidos pelo Cruzeiro para sufocar. Pelo meio, com Alan Franco, Castaño e Fred oferecendo dinâmica e proteção à defesa, e pelos lados, com Bernard e sobretudo Cuello dando amplitude e encarando os laterais cruzeirenses.
No entanto, o velho problema da falta de um goleador confiável impediu que a superioridade gerasse vantagem no placar. Pelo contrário, quem terminou a primeira etapa em vantagem foi o Cruzeiro.
O segundo tempo voltou mais aberto e caótico. O controle já não existia e as equipes jogavam no modo “trocação” – até a expulsão de Lucas Villalba, aos 15 minutos do segundo tempo, e as saídas de Kaio Jorge, Matheus Pereira e Gerson. A partir daí, o jogo passou a ser em apenas um campo e os gols pareciam questão de tempo.
Os tentos marcados por Victor Hugo e Fred, o melhor em campo, fizeram justiça ao time mais organizado do duelo. Iniciado em fevereiro, o trabalho de Eduardo Domínguez viveu, nesta noite, seu ápice.
Campeão nacional pelo Estudiantes, o argentino já havia cumprido boa parte da sua missão ao transformar um elenco com sérias limitações em um time competitivo. Com as chegadas de Fred e Castaño, a expectativa é que a equipe agora atinja um novo patamar. Cenário bem diferente ao do técnico rival.
Artur Jorge merece todos os reconhecimentos por ter tirado o Cruzeiro da zona de rebaixamento, mas, no principal momento da temporada, falhou. E muito.
Além de fazer escolhas bastante questionáveis, o português tem se mostrado incapaz de organizar a equipe, especialmente na defesa. Seja contra Flamengo, Vasco ou Atlético, o Cruzeiro se mostrou um time vulnerável. Frágil.
Se propõe a marcar por meio de perseguições individuais, mas não faz o básico para isso. Bastam aos adversários dois ou três passes mais rápidos para desmontar as linhas e encontrar verdadeiros clarões no meio campo. A Raposa de Artur Jorge é uma peneira defensiva.
Por sorte, os bailes táticos dos últimos dias não resultaram em goleadas. Se observados de forma isolada, os placares das partidas contra Atlético e Flamengo (pela Libertadores) até indicam um equilíbrio.
Mas quem acompanhou os quatro jogos sabe que não foi bem assim. Principal responsável pela eliminação desta terça, Artur Jorge foi facilmente superado por Leonardo Jardim e Eduardo Domínguez.
Uma preocupante notícia para um clube que almeja missões mais ambiciosas do que simplesmente fugir do rebaixamento.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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