Justiça afasta Jader Magalhães da presidência do Valério; dirigente anuncia recurso para tentar voltar ao cargo
Decisão liminar aponta supostas irregularidades na gestão financeira e contábil do clube durante a recuperação judicial; presidente afastado afirma que respeitou a determinação e irá apresentar sua defesa

A Justiça determinou o afastamento cautelar de Jáder Túlio Cristiano Magalhães da presidência executiva do Valeriodoce Esporte Clube. A decisão liminar foi assinada pelo juiz João Fábio Bomfim Machado de Siqueira, da 2ª Vara Cível da Comarca de Itabira, na quarta-feira (9), dentro do processo de recuperação judicial do clube.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (11), Jáder Magalhães afirmou que recebeu uma cópia da decisão e deixou de exercer as atividades administrativas da presidência. Ele também anunciou que pretende se manifestar no processo e recorrer para tentar retornar ao cargo.
“Respeitei a decisão e, a partir da quarta-feira, não mais exerci gerência sobre as atividades administrativas do clube”, afirmou o dirigente.
A decisão judicial determinou o afastamento de Jader Magalhães até nova decisão judicial e nomeou a empresa Valhalla Perícia Contábil Ltda., representada pela perita contábil Ana Cristina Soares Maciel Mendes, para atuar como auxiliar técnica provisória de gestão e fiscalização.
Motivos apontados na decisão
O afastamento foi solicitado pela Administração Judicial do Valério durante o processo de recuperação judicial. Na decisão, são apontadas supostas inconsistências relacionadas à escrituração contábil e à gestão financeira da entidade.
Entre os pontos destacados estão a falta de documentos considerados essenciais pela Administração Judicial, a inexistência de contratos formalizados relacionados à administração de locações do clube, movimentações financeiras sem documentação considerada adequada, pagamentos sem comprovação documental e operações realizadas fora da contabilidade oficial.
A decisão também menciona um saque de R$ 15 mil em dinheiro, realizado em julho deste ano, sem prestação de contas sobre os destinatários finais dos recursos. O documento ainda cita a ausência de lançamento e ingresso nas contas do clube de receitas de locação, além de compensações e acordos sem formalização contratual.
Outro ponto considerado pelo magistrado foi a situação dos órgãos internos de controle do clube. Segundo a decisão, o Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal teriam ficado sem acesso a informações necessárias para o acompanhamento da gestão. A ata de uma reunião do Conselho Deliberativo, realizada em 2 de setembro, também apontou que a previsão orçamentária para 2026 não havia sido submetida ao órgão e que balancetes e a prestação formal anual de contas não foram apresentados para exame.
Para o juiz João Fábio, os elementos apresentados no processo indicaram risco para a continuidade da recuperação judicial, especialmente diante da proximidade da Assembleia Geral de Credores, marcada para outubro. A decisão aponta que a manutenção da situação poderia comprometer a fiscalização financeira e a análise da situação patrimonial do clube.
Jáder diz que apresentará informações e recorrerá
No posicionamento divulgado após o afastamento, Jáder Magalhães reconheceu que a decisão menciona questões como falta de transparência, movimentações financeiras sem lastro e problemas relacionados ao controle fiscal e deliberativo do clube.
O dirigente, no entanto, afirmou que pretende apresentar as informações solicitadas no processo e buscar judicialmente o retorno à presidência.
“Eu vou me manifestar dentro do processo judicial, apresentar as informações que foram solicitadas e, ainda dentro do processo de recuperação judicial, fazer minha manifestação através de um agravo, solicitando o meu retorno à presidência do clube, para cumprir o mandato dos três anos para o qual eu fui eleito”, declarou.
Jáder também se dirigiu aos funcionários, atletas e fornecedores que participaram da temporada de 2026, quando o Valério disputou o Módulo II do Campeonato Mineiro. “Eu dou a minha garantia pessoal que todos irão receber os valores devidos pelo clube, se não garantidos pelo clube, garantidos por mim pessoalmente”, afirmou.
Gestão provisória
Com o afastamento, a Justiça estabeleceu medidas para a transição da administração. Jáder e outros integrantes da diretoria e colaboradores do clube devem disponibilizar acessos bancários, sistemas informatizados, documentos fiscais e contábeis, certificados digitais, chaves e outros materiais relacionados à administração.
A decisão também determina que o presidente afastado não pratique atos de gestão, representação ou movimentação financeira em nome do Valério. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 100 mil.
A Valhalla Perícia Contábil Ltda. foi nomeada para auxiliar provisoriamente na gestão e fiscalização, enquanto os credores deverão deliberar sobre a definição do gestor judicial definitivo. A Assembleia Geral de Credores está prevista para 13 de outubro, em primeira convocação, e 20 de outubro, em segunda convocação.