Municípios do Médio Piracicaba se unem para prevenir desastres climáticos

Encontro em João Monlevade definiu três ações para ampliar a preparação regional diante de eventos climáticos extremos

Municípios do Médio Piracicaba se unem para prevenir desastres climáticos
Foto: Divulgação

A prevenção e a atuação integrada entre municípios devem estar no centro das políticas públicas de Defesa Civil. Essa foi uma das principais conclusões do I Fórum Permanente do Médio Piracicaba Contra Desastres, realizado na quinta-feira (24), na Câmara Municipal de João Monlevade. O encontro reuniu representantes de municípios, órgãos públicos, especialistas e instituições para discutir estratégias diante do aumento dos eventos climáticos extremos.

Promovido pela Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi), pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH Piracicaba), pela Cáritas Diocesana de Itabira e pelo Instituto Águas Para os Rios (Iapori), o fórum teve como proposta fortalecer a cooperação regional e preparar as cidades para situações de emergência relacionadas às mudanças climáticas. Ao final do encontro, foram definidas três ações que ficarão sob a coordenação da Amepi.

A primeira é a criação da Câmara Técnica de Prevenção Contra Desastres no Médio Piracicaba (CTCod), que deverá funcionar como um espaço permanente para discussão, compartilhamento de informações e elaboração de estratégias regionais de prevenção.

A segunda proposta prevê uma análise jurídica para a criação de um instrumento que permita aos municípios prestarem auxílio mútuo em situações de desastre e calamidade. A medida deverá considerar a autorização das Câmaras Municipais, buscando oferecer segurança jurídica para a cooperação entre as administrações.

A terceira frente será a realização de capacitações promovidas pela Defesa Civil Estadual e pelo Corpo de Bombeiros, com foco na preparação de agentes públicos e da população, incluindo ações de educação para o autossalvamento.

Para o presidente da Amepi e prefeito de Rio Piracicaba, Augusto Henrique, as deliberações representam os primeiros passos para a construção de uma agenda regional permanente.

“Mais do que urgente, nós precisamos mudar esse pensamento e tratarmos Defesa Civil de forma preventiva. Isso muda todo o panorama de uma região”, afirmou.

Segundo Augusto, os municípios precisam deixar de concentrar esforços apenas na resposta às emergências e passar a trabalhar de forma contínua na identificação de riscos, preparação das equipes, orientação da população e integração entre as cidades.

O prefeito também relatou os impactos provocados pelas fortes chuvas em Rio Piracicaba e destacou a dificuldade de prever o comportamento dos eventos climáticos. Para ele, as características geográficas da região e a ocupação de áreas próximas aos cursos d’água reforçam a necessidade de antecipar os riscos.

“Não podemos esperar que um desastre aconteça para depois buscar soluções. Precisamos antecipar os acontecimentos e preparar os municípios para aquilo que pode ocorrer”, defendeu.

Experiências dos municípios

O fórum também possibilitou o compartilhamento de experiências de cidades que já enfrentaram eventos extremos. Foram apresentados relatos de Mariana, Rio Piracicaba, Santa Maria de Itabira e João Monlevade, com a participação de gestores públicos e representantes das instituições envolvidas.

O prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro, também relatou experiências do município no enfrentamento a situações de emergência e defendeu mais investimentos e atenção às ações preventivas. Ele citou, ainda, a campanha de enfrentamento aos eventos climáticos lançada recentemente pela cidade.

A programação contou com discussões sobre mudanças climáticas e o chamado Super El Niño, impactos nos ecossistemas, Defesa Civil, saúde pública, legislação e fiscalização, tecnologias de monitoramento de cheias e incêndios florestais, atendimento a emergências, brigadas, educação ambiental e participação social.

Entre os participantes estiveram representantes da Unifei, Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros, Hospital Margarida, Semmads de Mariana, Agedoce, Cenibra, ArcelorMittal, Brigada Florestal, Sevor e Recupera Rio Doce, além da Cáritas Diocesana de Itabira.

Prevenção e participação social

A diretora da Cáritas Diocesana de Itabira, Lucimere da Silva Leão, que também integra a Comissão de Meio Ambiente da Província Eclesiástica de Mariana e coordena a Assessoria Técnica Independente (ATI) da Cáritas nos Territórios 1 e 2 da Bacia do Rio Doce, abordou a assistência às populações atingidas por eventos extremos.

Junto ao assessor jurídico da instituição, João Pedro Amorim, Lucimere também sugeriu a criação de um Fórum da Sociedade Civil Contra Desastres, nos mesmos moldes do encontro realizado em João Monlevade. A proposta já está sendo discutida com instituições parceiras.

Para o presidente do Iapori e vice-presidente do CBH Piracicaba, Geraldo Magela Gonçalves, o Dindão, o fórum representa uma oportunidade de fortalecer políticas públicas e ampliar a participação da sociedade na prevenção.

“Queremos e precisamos fortalecer políticas públicas, estimular campanhas educativas, criar brigadas comunitárias e buscar o compromisso coletivo com a prevenção e o enfrentamento dos desastres. Que este seja o marco de uma nova postura: firme, solidária e comprometida com a construção de cidades mais seguras e resilientes”, afirmou.

Defesa Civil e Bombeiros reforçam atuação preventiva

A necessidade de uma atuação permanente também foi destacada pelo capitão Jakson Avelino, porta-voz e integrante da Diretoria de Relações Institucionais da Defesa Civil Estadual. “A gestão do risco precisa ser permanente. Nós não podemos esperar a chuva, a inundação acontecer”, afirmou.

O militar defendeu a mobilização conjunta dos municípios e das instituições para ampliar a integração regional e fortalecer a preparação diante dos eventos climáticos extremos.

O 2º tenente BM Rubens Nery de Sant’ana Junior, comandante do 6º Pelotão de Bombeiros Militar, sediado em Itabira, e do Posto Avançado de Bombeiros Militar de João Monlevade, também destacou a importância da atuação conjunta, da prevenção, da educação e da mudança de cultura.

Após as deliberações, será elaborado um documento reunindo as propostas e os compromissos definidos durante o fórum. A criação da câmara técnica interinstitucional deverá dar continuidade às discussões. A expectativa é que seja elaborada uma pré-agenda de encontros e que, dentro de aproximadamente 30 dias, seja apresentada uma proposta para discussão e implementação das ações definidas.

 

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