Cadê a campanha para presidente da República?
A seis dias da votação do primeiro turno, sobram fake news e faltam debates sobre propostas de governo
O Brasil praticamente para a cada quatro anos. Os acontecimentos dos citados 365 dias parecem não ter fim. É algo semelhante à narrativa do imortal Zuenir Ventura sobre o incrível 1968. No calendário específico, há eleição presidencial. A efeméride (que palavra mais pré-histórica)) coincide com a Copa do Mundo de Futebol. É tudo em ritmo de samba. Termina uma competição, começa outra. Desta feita, a configuração ficou diferente. O campeonato planetário de 2026 passou despercebido. Não ocorreram as carreatas com ensurdecedores buzinaços. A gritaria caraterística da ocasião não se manifestou. Fogos e mais fogos não explodiram nos céus do “pátria amada”. A cachorrada agradeceu pela gentileza.
E qual o motivo de tamanha letargia? O imobilismo popular teve causa clara. Milionários travestidos de pernas- de- pau provocaram o imenso desânimo da torcida. E mais. Os “craques” foram comandados por um ator cinematográfico (ou canastrão). Observe bem. Carlo Ancelotti tem cara, nome e jeito de mafioso da obra-prima do cineasta Francis Ford Coppola. O treinador foi o “Poderoso Chefão” do vexame. O desarrumado bando pouco produziu nos gramados de Donald Trump. E pior. Sucumbiu diante da “poderosíssima” Noruega de Erling Haaland. Isto é nome de jogador de futebol? A sonoridade está mais para lutador de boxe. E o sujeito não deixou por menos. Nocauteou o timeco verde/amarelo com dois cruzados de direita.
Esta longa delonga foi gancho para se tocar no processo eleitoral. A campanha para a presidência da República já começou? Não se nota o entusiasmo de outros tempos. A monotonia toma conta do pedaço. A seis dias da votação do primeiro turno, sobram fake News e faltam debates sobre propostas de governo. A pancadaria migrou das ruas para as redes sociais. E continua o pugilato retórico na Suprema Corte. A propaganda eleitoral, no entanto, se assemelha à uma meditação budista.
O elenco desta temporada emite pouco brilho. Não colabora. Ronaldo Caiado- com sua voz de barítono de banheiro- não conseguiu encantar. A autoajuda de Augusto Cury não deu liga. O “caipira” Romeu Zema se escondeu no meio de um brejo. Renan Santos viajou em missão especial para El Salvador. Foi estagiar com Nayib Bukele.
O pleito está muito mixuruca, mas com resultado completamente imprevisível. Há algo de bizarro neste reino tropical da Dinamarca. Veja bem a contraditória esquisitice. Os dois candidatos mais rejeitados contam com ampla preferência do eleitorado. Meio mundo repele Lula. Meio mundo repudia Flávio. Consequência. Um semidetestável será o próximo chefe do Executivo do bananal. Isto é Brasil. Quer saber? Melhor ir filosofar em mesas de botequins (obrigado pela sugestão, Myriam). Nem lá se conversa política atualmente. Fui!
PS: No quesito rejeição, os líderes das pesquisas estão rigorosamente empatados, segundo Datafolha divulgada em 24/9: Lula 45%; Flávio 45%. Chega a ser emocionante.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.