Auxílio do Governo Estadual aos clubes é uma página grotesca do futebol brasileiro
O mesmo Estado que se nega a oferecer um reajuste salarial digno para o funcionalismo público, injeta nos clubes um dinheiro que não faz cócegas em seus orçamentos
Na última sexta-feira (25), o Governo Federal publicou uma medida provisória (MP) que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país. Eleitoreira ou não, a ação ataca uma prática que começou como lazer, mas se tornou um grave problema social que possui várias digitais, dentre elas dos clubes de futebol brasileiros.
Mas, como é de costume, esses mesmos clubes lavaram suas mãos. Ignorando a função social que dizem ter, encheram seus cofres à base do sofrimento dos milhares de brasileiros viciados em apostas esportivas.
No entanto, a farra, pelo menos por ora, acabou. Desesperados, times do norte ao sul do país agora buscam por soluções e expõem para todos a incapacidade que tiveram de gerir a grana fácil dos últimos anos.
E diante deste cenário, o Governo de Minas achou uma boa ideia oferecer um auxílio de R$ 32 milhões dividido entre Cruzeiro, Atlético e América. Os dois primeiros, aliás, comandados por donos bilionários!
O mesmo Estado que se nega a oferecer um reajuste salarial digno para o funcionalismo público – sucateando áreas como Educação e Saúde – injeta nos clubes um dinheiro que não faz cócegas em seus orçamentos. O que são R$ 15 milhões no inflacionado futebol brasileiro? Nada!
Mas significaria muito para você, que perdeu a sua renda com uma brincadeira aparentemente inofensiva. Ou que se entrega diariamente a um Estado disposto a não lhe reconhecer. Se para o Governo de Minas esse auxílio será importante, para o povo é um tapa na cara. Mais uma vez, o futebol ganha um protagonismo que não lhe pertence.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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