Autismo sem preconceito
Débora defende que os filhos Samuel e Davi estudem em escolas normais

Nesta terça-feira, 2 de abril, é celebrado mundialmente o Dia de Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day). Como forma de chamar a atenção das pessoas para o problema, neste dia são realizados vários eventos e mobilizações em todo mundo. O objetivo é acabar com o preconceito da sociedade. O autismo é um transtorno global marcado por algumas características fundamentais: inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
A passabeense Débora Vieira Gomes sabe bem como é conviver com a disfunção. A pedagoga tem dois filhos, os gêmeos Davi e Samuel, de 2 anos e 11 meses. Há cerca de um ano veio a confirmação: ambos são autistas.
Débora conta que com apenas um ano de idade, os meninos demonstravam diversos sinais. Por ser pedagoga, a mãe suspeitou imediatamente da anomalia. “As crianças não davam tchau, não choravam quando eu saía”, exemplifica. Quando eles tinham dois anos ela procurou um psiquiatra na capital e o diagnóstico constatou a disfunção. Desde então, eles são acompanhados por um especialista de Belo Horizonte.
A mãe consegue perceber claramente o comportamento diferenciado dos meninos, como a falha na comunicação (eles ainda não falam), mas lida de forma a não colocá-los em uma “redoma”. Tanto que os garotinhos estudam em uma escolinha comum. “Sou a favor da inserção na escola regular. O maior estímulo para crianças é conviver com outras crianças. Eles precisam se socializar. Eles só vão aprender a socializar a partir da convivência com outras crianças”, argumenta.
Casada, a pedagoga declara que o marido lida de maneira tranquila em relação aos meninos e é um pai carinhoso. Sobre o preconceito, Débora garante que ao sair com Samuel e Davi, nunca sentiu nenhum tipo de abuso, pois normalmente, as pessoas não percebem nenhuma alteração. Pelo contrário, a mãe garante que as pessoas com as quais convivem expressam muito carinho pelos meninos. “No meu caso, entre as pessoas que convivem comigo, vejo que só aumentou o amor por eles”, comenta.
Para Débora, as mobilizações comemorativas à data são muito válidas, pois neste dia se aproveita para levar informações às pessoas que desconhecem a deficiência. No Brasil, a cada 87 nascimentos um é autista.
Atendimento especial na Apae
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itabira, atualmente possui quatro salas com 28 alunos com Transtorno Global do Desenvolvimento – caracteriza-se por prejuízo severo e invasivo em diversas áreas do desenvolvimento como habilidades de interação social recíproca, de comunicação e atividades estereotipadas. Dentre os alunos, se encontram portadores do autismo, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett,Transtorno Desintegrativo da Infância e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem Outra Especificação.
Trabalha-se com material adaptado e uso dos Métodos TEACCH e PECS. O TEACCH tem por objetivo promover a adaptação de cada criança de duas formas interatuantes: a primeira é melhorar todas as habilidades para viver através das melhores técnicas educacionais disponíveis; a segunda, quando existe um déficit envolvido, entender e aceitar esta deficiência, planejando estruturas ambientais que possam compensá-la. O método PECS, foi criado para atender às necessidades de indivíduos com alterações da comunicação. As salas contam com uma professora e uma monitora dentro de cada ambiente e uma equipe multidisciplinar, entre psicóloga, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, pedagoga e fonoaudióloga.





