Nilo Almeida, símbolo da boemia de Itabira, morre aos 88 anos

Dono do tradicional Bar do Nilo, na Praça do Pará, ele marcou gerações com música, encontros e histórias que atravessavam a madrugada

Nilo Almeida, símbolo da boemia de Itabira, morre aos 88 anos
Foto: Carlos Cruz / Vila de Utopia
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Itabira se despediu, nesta quinta-feira (22), de Nilo Almeida Brugnara, de 88 anos, um dos nomes marcantes da boemia da cidade. Nascido em 12 de maio de 1938, ele construiu uma história ligada à música, à amizade e ao tradicional Bar do Nilo, na Praça do Pará, que se tornou ponto de encontro de diferentes gerações de itabiranos.

Antes de se tornar uma referência da boemia itabirana, Nilo trabalhava como alfaiate. A transformação do negócio em bar começou com a sugestão de um amigo, Zé Camilo, que o incentivou a investir na venda de bebidas e ajudou com os primeiros equipamentos e produtos.

Segundo a neta Kimberly Amorim, o avô costumava contar que os amigos começaram a frequentar a alfaiataria para beber e conversar. A ideia ganhou força até que ele decidiu ampliar a venda de bebidas. Zé Camilo emprestou um freezer, três grades de cerveja e uma de guaraná para dar início ao negócio, que funcionou inicialmente junto à alfaiataria.

Em entrevista ao site Vila de Utopia, em maio de 2024, Nilo também relembrou o começo do estabelecimento. O primeiro cliente foi Luiz Antônio Zanon, ex-editor do jornal Mosaico, que chegou ao local depois do expediente na Vale. No dia seguinte, voltou acompanhado de seis colegas. A procura aumentou e, em pouco tempo, a venda de bebidas passou a ocupar o lugar da alfaiataria.

No auge do movimento, o bar chegou a ter dez freezers e vender 120 caixas de cerveja por noite. Nos fins de semana, os clientes ocupavam o interior do estabelecimento, a rua e a Praça do Pará. “Era uma turma muito animada que vinha aqui, todos eram meus amigos e amigas”, recordou Nilo na entrevista.

Ao longo dos anos, o Bar do Nilo se tornou ponto de encontro de diferentes gerações de itabiranos. Entre conversas, rodas de buraco e música, o proprietário também ficou conhecido por cantar para os frequentadores, especialmente canções de Nelson Gonçalves.

A história do bar também se mistura à da família. Enquanto Nilo atendia os frequentadores, sua esposa, Rosa, conhecida como Rosinha, vendia chup-chup em uma janela próxima ao estabelecimento. Os dois foram casados por mais de 50 anos e se tornaram figuras queridas em Itabira. Rosa morreu alguns anos antes do marido.

O bar encerrou as atividades em 2012, mas a ligação de Nilo com o espaço permaneceu. Em maio de 2024, o estabelecimento reabriu sob a direção de seu filho, Luciano de Oliveira Almeida. Na ocasião, Nilo voltou a cantar para antigos frequentadores, em um reencontro com pessoas que acompanharam parte de sua trajetória.

Reabertura do bar do Nilo em 2024

Um avô presente e amoroso

Para a neta Kimberly, a despedida também representa a perda de uma das pessoas mais importantes de sua vida. Ela morou com os avós durante a infância e a adolescência e guarda lembranças da proximidade e do cuidado que recebia deles.

“Ele era, assim, pra mim, o grande amor da minha vida”, conta.

Kimberly descreve o avô como um homem amoroso, carinhoso e atencioso, que tinha uma relação especial com ela. A convivência fez de Nilo uma referência pessoal, para além da figura conhecida pelos frequentadores do bar.

“Ele é o meu ídolo mesmo. Ele era maravilhoso”, recorda.

Nilo deixa dois filhos, Luciano e Fabiano de Oliveira Almeida, e sete netos.

Uma história que permanece

Ao longo dos anos, Nilo se tornou parte da memória afetiva de Itabira. O bar na Praça do Pará foi cenário de encontros, amizades e música, enquanto a personalidade de seu fundador ajudou a construir a identidade boêmia do lugar.

A saudade fica entre familiares, amigos e antigos frequentadores que compartilharam com ele tantas conversas e noites de música. Para Kimberly, permanece também a gratidão pela convivência com o avô, cuja história ultrapassou as portas do bar e marcou a vida de quem teve a oportunidade de conhecê-lo.

O velório de Nilo começa às 12h desta sexta-feira (23), e o sepultamento será às 16h, ambos no Cemitério da Paz, em Itabira.

Foto: Divulgação

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