Pós-eleição na Câmara de Itabira tem silêncio de Didi, comemoração de apoiadores de Lula e aposta de R$ 1 mil

Vereador do PL, um dos principais apoiadores de Bolsonaro em Itabira, não quis comentar sobre derrota e teve adesivo do PT colado nas costas

Pós-eleição na Câmara de Itabira tem silêncio de Didi, comemoração de apoiadores de Lula e aposta de R$ 1 mil
Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Se havia uma reação aguardada e comentada na prévia da primeira reunião ordinária da Câmara de Itabira após o segundo turno das eleições, era a de Cidinei Rabelo, o Didi do Caldo de Cana (PL). Um dos principais apoiadores de Flávio Bolsonaro na cidade, o vereador teve participação ativa na campanha, com buzinaços, manifestações, publicações nas redes sociais e mobilizações que levaram a Itabira nomes do PL, como o deputado federal Nikolas Ferreira, o deputado estadual Pablo Almeida e o candidato ao Senado Marco Antônio “Superman”, do Novo.

Mas, nesta segunda (26), dia seguinte à vitória de Lula, o comportamento foi outro. Mais quieto e reservado do que durante a campanha, Didi não usou a palavra aberta para comentar o resultado e deixou o plenário rapidamente. À imprensa, resumiu a reação: disse que não tinha muito a falar, que a democracia havia decidido e que era preciso respeitar a escolha da maioria.

O único episódio que tirou o vereador do silêncio ocorreu durante a própria reunião. Um adesivo de campanha de Lula foi colocado em suas costas. A situação passou a ser registrada pela imprensa e Didi foi avisado por uma funcionária da Câmara. Ele retirou o adesivo e reclamou da brincadeira, mas não levou o episódio adiante.

Se Didi optou pela discrição, o grupo que apoiou Lula fez questão de marcar posição no plenário. Ronaldo Capoeira (PRD) parabenizou as mobilizações realizadas nas ruas de Itabira, enquanto Heraldo Noronha (Republicanos) comemorou a vitória e destacou a atuação do movimento Pró-Lula e a participação de diferentes setores da cidade.

Dulce Citi (PDT) escolheu parabenizar a organização das eleições e a atuação do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) no apoio ao líder petista. Jordana Madeira (PDT), que participou da celebração da vitória de Lula nas ruas, afirmou que, encerrada a eleição, o foco deveria voltar para a população e defendeu maior atenção do governo federal a Itabira.

Bernardo Rosa (PSB), líder do governo na Câmara, adotou postura um pouco diferente dos colegas. Sem entrar na comemoração de um lado ou na derrota do outro, ele defendeu que, passada a disputa entre esquerda, direita e centro, o assunto principal deveria ser Itabira. O vereador cobrou dos políticos que receberam votos no município compromisso com a cidade e citou como prioridades a diversificação econômica, investimentos em infraestrutura e a preparação para o pós-mineração. 

Enquanto o plenário repercutia o resultado nacional, os bastidores também mostravam que a eleição não terminou completamente para os vereadores. Um parlamentar revelou à imprensa que, antes do segundo turno, outro amigo vereador teria apostado R$ 1 mil na vitória de Flávio Bolsonaro contra Heraldo – que apoiou Lula. 

Noronha confirmou a aposta e disse que, com o resultado definido, o pagamento ficou combinado para a semana seguinte. A informação logo virou motivo de brincadeira entre alguns vereadores, que riam e comentavam, em tom descontraído, se os R$ 1 mil realmente chegariam às mãos de Heraldo.

A primeira sessão após o segundo turno, porém, ficou longe de repetir o clima mais acirrado das ruas. Na plateia, apoiadores de Lula que participaram das mobilizações demonstravam satisfação com o resultado, enquanto os simpatizantes de Flávio Bolsonaro aparentavam estar mais abatidos. No plenário, apesar das posições políticas distintas, prevaleceu um ambiente tranquilo e cordial.

Assista: