O “Dia D” de Donald Trump

Caso perca, Donald Trump, muito naturalmente, contestará o resultado das urnas

O “Dia D” de Donald Trump
Trump até parece, mas não tem a elegância e ferocidade de uma onça- Foto: Divulgação/Governo USA

Chegou a hora de o Donald Trump beber água. A mescla de aforismo popular veio a calhar, pois ilustra o momento do acerto de contas entre o presidente norte-americano e as urnas.  Veja bem. O inquilino da mais icônica Casa Branca encontra-se na encruzilhada de sua vida pública. Trump não é onça. A fisionomia do sujeito até tem semelhança com o animal. O bicho do Salão Oval, no entanto, não é elegante e nem feroz como o felino. Pelo contrário. O Republicano é desengonçado e covarde. Vende aos incautos a imagem de intrépido e corajoso. Certa periferia do planeta compra a farsa com subserviente encanto.

É fácil ser “destemido” como Trump. Muito fácil. Por simples motivo. “Orange” vive diuturnamente sob proteção de ostensivo aparato de segurança. Esse panorama é salvo-conduto para a distribuição de bravatas a granel. E tem licença (ou licenciosidade) para agir assim.  Afinal, o estabanado também se esconde atrás do maior aparato bélico do sistema solar. Mas, no fundo, no fundo, Trump não passa de aloprado pombo- a ave que bagunça as peças e emporcalha o tabuleiro da geopolítica.

Agora, o homem mais “poderoso” do mundo- mesmo com rígidos quadris- terá que rebolar com desenvoltura.  A causa é óbvia.   O “imperador universal” tem encontro marcado com a sua mais temível ameaça: o eleitorado dos Estados Unidos. Nesta terça-feira (3/11), acontecerão as eleições parlamentares de meio de mandato (as  midterms) da terra de Tio Sam.  Na oportunidade, serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 1/3 do Senado.

Convenhamos. O cenário é de alto risco para o trumpismo. A quantidade de democratas eleitos determinará a extensão do desastre. Caso estes adversários conquistem a maioria das vagas, a linha do horizonte se tornará demasiadamente turva para o chefe do Executivo ianque.  Primeiras consequências de provável derrota: ponto final na irresponsável aventura no irã e um basta na chantagem das tarifações. E pior. O falastrão entra na alça de mira do impeachment.

A derrapada de Donald na corrida eleitoral é quase certa. Só resta saber a intensidade do tombo previamente anunciado. O futuro não é nada animador para o patético bilionário. A percepção do drama tem respaldo   no mau humor da população. A atual configuração socioeconômica não é nada favorável ao povo americano. O dia a dia se transformou numa batalha pela sobrevivência. As incursões bélicas do fanfarrão provocaram uma explosão inflacionária. O custo de vida chegou à estratosfera.

Efeito prático da encrenca. As recentes pesquisas de opinião pública escancararam a irritação com o governo. Um levantamento do instituto NBC News mostra que 71% dos estadunidenses desaprovam a atual gestão do país. Trata-se de um percentual explosivo. O principal responsável por esta adversidade é a “molecagem” do Oriente Médio. E com razão. O embate contra os persas só fez aumentar a coleção de vexames dos “guerreiros” americanos em campos de batalhas.

Como se vê, é iminente o fracasso do partido de Donald Trump.  É hora de a onça beber água. Ou melhor. Talvez comece o desfile de um “Pato Manco” na passarela política dos EUA.  Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

PS: caso perca, Donald Trump, muito naturalmente, contestará o resultado das urnas. Está claro. Na cara dura, alegará que foi roubado. E qual é a novidade? Conte outra.

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

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