Câncer de próstata: Novembro Azul convida homens a assumirem o protagonismo da própria saúde

o Novembro Azul ganha importância, ampliando o debate sobre o câncer de próstata

Câncer de próstata: Novembro Azul  convida homens a assumirem o protagonismo da própria saúde
O azul da prevenção- Foto: Pexels/Nataliya Vaitkevich
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O silêncio, muitas vezes, é um dos maiores inimigos da saúde masculina. Acostumados culturalmente a demonstrarem força, enfrentarem dificuldades e adiarem a procura por ajuda, muitos homens acabam deixando o próprio bem-estar em segundo plano. O resultado é uma realidade preocupante, doenças que poderiam ser identificadas precocemente chegam aos consultórios em estágios avançados, quando as possibilidades de tratamento podem ser mais limitadas. É justamente para mudar esse comportamento que o Novembro Azul ganha importância, ampliando o debate sobre o câncer de próstata e, principalmente, sobre a necessidade de olhar para a saúde do homem de maneira integral.

Segundo o médico urologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Odail Rezende, a campanha representa uma oportunidade de conscientizar a população masculina sobre as diferentes condições que afetam a saúde. Além do câncer de próstata, o médico relembra que os homens estão sujeitos a doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão arterial, diabetes, obesidade e problemas relacionados à saúde mental, como ansiedade e depressão, além de questões como disfunção erétil, infertilidade, infecções sexualmente transmissíveis e outros tipos de cânceres que também precisam fazer parte dessa conversa.

Para o especialista da FSFX, um dos principais obstáculos ainda é a resistência masculina em procurar assistência médica. O comportamento tem raízes culturais e está associado à ideia de que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza. A falta de tempo, a rotina atribulada e até o medo de descobrir alguma doença também contribuem para que muitos homens adiem as consultas. “A gente precisa mudar essa mentalidade. Cuidar da saúde não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é uma atitude de responsabilidade consigo mesmo e com a própria família. A prevenção e o diagnóstico precoce podem fazer uma diferença enorme na qualidade e na expectativa de vida”, destaca o urologista.

No caso do câncer de próstata, essa atenção é ainda mais importante porque a doença pode evoluir silenciosamente, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. “Quando as manifestações aparecem, podem incluir dificuldade para começar a urinar, jato urinário mais fraco, aumento da frequência urinária durante o dia ou à noite e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. A presença de sangue na urina ou no sêmen também exige investigação. Em situações mais avançadas, podem surgir dores ósseas persistentes e perda de peso sem causa aparente”, explica.

O médico ressalta, entretanto, que esses sinais não significam necessariamente a presença de um tumor, pois também podem estar relacionados ao crescimento benigno da próstata, inflamações, infecções e outras condições urológicas. Da mesma forma, não apresentar sintomas não é garantia de ausência da doença. Por isso, a avaliação médica deve considerar os fatores de risco e as características individuais de cada paciente.

De acordo com o profissional, a idade é um dos principais fatores associados ao câncer de próstata. Segundo a orientação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), homens sem fatores de risco devem conversar com o urologista sobre a avaliação individualizada a partir dos 50 anos. Para homens negros e aqueles com histórico familiar da doença, essa conversa deve começar aos 45 anos. A atenção precisa ser redobrada quando há casos entre parentes de primeiro grau, como pai e irmão. Segundo o especialista, ter um parente nessa condição pode dobrar o risco de desenvolver a doença. Quando existem dois parentes de primeiro grau diagnosticados, o risco pode ser até seis vezes maior.

A investigação começa com uma conversa detalhada entre médico e paciente, na qual são considerados idade, antecedentes pessoais, histórico familiar, hábitos de vida e possíveis sintomas. Quando indicada, a avaliação pode incluir exames laboratoriais, entre eles o PSA, conhecido por identificar alterações relacionadas à próstata, e o toque retal, que continua sendo importante.

Apesar dos avanços na medicina, o procedimento ainda enfrenta resistência por causa de preconceitos que persistem no imaginário masculino. Dr. Odail Rezende explica que o exame é rápido, permite avaliar o tamanho, a consistência e a superfície da próstata, além de identificar possíveis nódulos suspeitos. “Um dos maiores mitos que temos relacionados ao câncer de próstata é esse preconceito em torno do exame de toque retal. O exame é geralmente bem tolerado e não interfere na masculinidade, na sexualidade ou na capacidade sexual do homem. Além disso, ele permite avaliar características importantes da próstata e reforço que ele não interfere em nada na masculinidade. Precisamos quebrar esses tabus e mostrar que o que realmente importa é preservar a saúde e a qualidade de vida”, enfatiza.

Embora o Novembro Azul concentre as atenções sobre o câncer de próstata, o cuidado com a saúde masculina não deve começar apenas na maturidade. A construção de hábitos saudáveis precisa acontecer desde a juventude, com a prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada, controle do peso, sono adequado e atenção ao consumo de bebidas alcoólicas e ao tabagismo. Acompanhar indicadores como pressão arterial, glicose e colesterol também é essencial, assim como não negligenciar a saúde mental e sexual.

Nesse processo, a família pode desempenhar um papel importante, incentivando a realização de consultas e ajudando a romper a resistência que ainda afasta muitos homens dos serviços de saúde. Esposas, filhos e outros familiares podem ser aliados na construção de uma nova cultura de prevenção, na qual o cuidado deixa de ser uma atitude motivada pela doença e passe a fazer parte da rotina.

Para Dr. Odail Rezende, o maior desafio é fazer com que a mensagem da campanha ultrapasse o mês de novembro e se transforme em uma mudança permanente de comportamento. Afinal, cuidar de si também significa cuidar de quem está por perto. Mais do que vencer o preconceito em torno de um exame, é preciso compreender que a prevenção representa uma oportunidade de viver com mais saúde, autonomia e qualidade de vida. “Cuidar da saúde é um ato de responsabilidade, de amor à vida e de cuidado com as pessoas que estão ao nosso redor. Não espere sentir alguma coisa para procurar orientação. Converse com seu médico, entenda seus fatores de risco e faça escolhas conscientes para viver muito melhor, viver mais”, finaliza o urologista da FSFX.

*Conteúdo: Asimp/FSFX