Flitabira reúne 40 mil pessoas em quatro dias de programação em Itabira

Sexta edição do festival teve debates sobre literatura, racismo e democracia, além de atividades para estudantes; organização anunciou nova edição para outubro de 2027

Flitabira reúne 40 mil pessoas em quatro dias de programação em Itabira
Foto: Diculgação/Flitabira
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O Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira) recebeu 40 mil pessoas ao longo de quatro dias de programação, encerrada no domingo (1º). O público foi registrado pela organização no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e em seu entorno. Segundo o balanço divulgado pelo evento, o número representa um crescimento de 33,3% em comparação com a edição de 2025.

A programação deste ano teve como tema “A Máquina do Mundo em Nós”, em referência aos 75 anos de publicação de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Escritores, artistas e intelectuais participaram de conversas sobre literatura, memória, racismo, democracia, direitos humanos e transformações sociais.

Entre os convidados estavam Conceição Evaristo, Leda Maria Martins, José Miguel Wisnik, Geraldo Carneiro, Rita Von Hunty, Carla Akotirene, Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire. Pedro Bial também participou da programação, mas de forma virtual, por recomendação médica.

Um dos encontros reuniu Conceição Evaristo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello, homenageadas desta edição. Na conversa, mediada por Afonso Borges, as participantes falaram sobre a trajetória da literatura negra brasileira e a importância da Mazza Edições, fundada por Mazzarello em 1981.

A editora publicou Ponciá Vicêncio, primeiro romance de Conceição Evaristo, em 2003, e também lançou Becos da Memória. Leda Maria Martins destacou a contribuição da editora para a circulação de autores e do pensamento negro.

Outras mesas trataram de temas como desigualdade racial, colonialismo e desinformação. Rita Von Hunty discutiu linguagem e questões sociais, enquanto Carla Akotirene abordou as relações afetivas entre pessoas negras e os efeitos do racismo na vida íntima.

Drummond em diferentes linguagens

A relação entre a obra de Drummond e a história de Itabira apareceu em diferentes atividades. No sábado (31), data em que o escritor completaria 124 anos, José Miguel Wisnik e o músico Kristoff Silva apresentaram a aula-espetáculo “A Máquina do Mundo em Nós”.

A apresentação combinou leitura, música e análise do poema que inspirou o tema desta edição. Wisnik, autor de Maquinação do Mundo – Drummond e a Mineração, também abordou a relação entre a produção do poeta, a cidade onde nasceu e a atividade mineradora.

A programação dedicada ao escritor incluiu ainda uma conversa entre Pedro Bial e Geraldo Carneiro sobre Claro Enigma, além da exposição “Autorretratos de Drummond”, com desenhos e caricaturas produzidos pelo próprio poeta.

Na dança, o Grupo de Dança Primeiro Ato apresentou a pré-estreia de Claro Enigma, espetáculo dirigido por Suely Machado. A montagem incorporou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) à coreografia e utilizou poemas do escritor como referência.

Atividades envolveram estudantes

O Prêmio de Redação e Desenho do festival recebeu trabalhos de estudantes de 45 escolas de Itabira, número correspondente a quase 90% da rede escolar, segundo a organização. Foram inscritas 60 redações e 51 desenhos, incluindo produções de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A programação para crianças e adolescentes também teve oficinas, contação de histórias, espetáculos e encontros com escritores. A autora Paula Pimenta participou de uma conversa com leitores e apresentou o livro A Música da Minha Vida – Volume 1.

O Ministério da Educação participou do festival com a plataforma MEC Livros, biblioteca digital gratuita que reúne mais de 25 mil títulos e conta com mais de um milhão de usuários cadastrados. Um totem interativo foi instalado no espaço para apresentar o acervo a estudantes, professores e visitantes, com orientação de mediadores.

Venda de livros e participação da cidade

A livraria montada durante o Flitabira vendeu mais de 3 mil livros, segundo a organização. O espaço tinha aproximadamente 280 metros quadrados e reuniu um acervo de 12 mil exemplares e 2.300 títulos.

Autores convidados, independentes e de Itabira também participaram da Central de Autógrafos, onde puderam divulgar e comercializar suas obras sem cobrança de taxas ou comissões pelo festival. Na área externa, o Flitabira da Gente reuniu artesãos, empreendedores e produtores da gastronomia local.

Segundo o balanço divulgado pela organização, a presença de 40 mil pessoas também movimentou setores como alimentação, hospedagem e transporte em Itabira.

O evento registrou ainda 2,8 milhões de visualizações nas redes sociais entre 3 de outubro e 1º de novembro, além de 4,2 mil novos seguidores. As transmissões das atividades permanecem disponíveis no canal do festival no YouTube.

Durante a programação, também foi realizada uma homenagem a Dona Rosinha, Dona Tita e Dona Joana Zeferina, lideranças quilombolas de Itabira que morreram recentemente. A cerimônia contou com a presença de familiares e representantes do poder público.

A próxima edição do Flitabira está prevista para ocorrer entre 27 e 31 de outubro de 2027. O evento terá como referência os 40 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade.