Delegado lamenta lentidão do Governo Federal na criação do sistema de identificação nacional

Paulo Tavares lamentou lentidão do Governo Federal

Delegado lamenta lentidão do Governo Federal na criação do sistema de identificação nacional

Satisfeito pela resolução do problema de emissão de carteiras de identidades em Itabira, o delegado regional Paulo Tavares Neto ainda tem queixas a fazer quanto a esse tipo de serviço, mas dessa vez em âmbito nacional. Para o chefe da Polícia Civil, já passou da hora do Governo Federal ter colocado em prática o novo Registro de Identidade Civil (RIC), lançado oficialmente em 2010, mas que nunca saiu do papel. 

"Estamos atrasados. É inconcebível que o país ainda emita identidades diferentes em cada estado", comentou o delegado. "Países de primeiro mundo já possuem a identificação nacional. Aqui na América do Sul temos o modelo do Chile que é impressionante. Se até o Chile conseguiu, porque o Brasil ainda não tem?", questionou Paulo Tavares. 

Em 2010, ainda durante o governo Lula, o RIC foi anunciado para substituir o atual modelo da carteira de identidade. Semelhante a um cartão de crédito, o documento contém um chip capaz de reunir diversas informações do cidadão. Além de identificar o número do RIC, o novo cartão também reúne dados do RG (Registro Geral), CPF (Cadastro de Pessoas Físicas), Título de Eleitor, PIS (Programa de Integração Social), Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), Carteira de Trabalho e Carteira Nacional de Habilitação. 

Segurança

Além desses benefícios, o delegado apontou outro, diretamente relacionado com a sua área de atuação: segurança pública. Para exemplificar a necessidade do RIC, Paulo Tavares citou o sistema de contratação de funcionários em empreiteiras. "É exigido o nada consta de antecedentes criminais. Aí a pessoa retira esse documento e mostra que em Minas Gerais ele não cometeu crime algum. Mas ele vem de outro estado. E lá pode ter cometido crime", comentou. "Se esse documento de identificação já estivesse em vigor, seria fácil ter acesso a essas informações", completou. 

Paulo Tavares contou que durante a fase de montagem da mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, quando era delegado em Barão de Cocais e responsável pela cidade vizinha, cumpriu 20 mandados de prisão entre funcionários da obra, alguns por tráfico de drogas e outros até por homicídios. "Todos emitiram certidões sem antecedentes em Minas. Mas tinham mandados em aberto em outros estados", afirmou.