Abandonado, prédio que abrigou a antiga cadeia virou moradia de ratos e baratas
Cadeia pública funcionou durante décadas no prédio na rua Major Paulo, no bairro Pará, com constantes tentativas de fuga
Após décadas sediando a antiga Cadeia Pública Municipal, o prédio na rua Paulo Pereira, no bairro Pará, continua em situação de completo abandono. Além de estar prestes a desmoronar, a construção virou abrigo de ratos, baratas e escorpiões, além de sofrer constantes invasões para o consumo de drogas e até para “namorar”, segundo denunciou um morador da casa vizinha.
De propriedade do governo do estado e sem destinação definida – se será demolida ou reformada – a construção se encontra praticamente em ruínas. Ao longo dos anos o prédio sofreu atos de vandalismo por parte dos próprios detentos nas diversas rebeliões, sendo inclusive alvo de incêndios. O último deles ocorreu em 2009, pouco antes da desativação da cadeia.
De acordo com o psicólogo Fernando Motta, 30 anos, morador de uma casa vizinha ao prédio da antiga cadeia, a principal desvantagem quando a cadeia ainda funcionava era o medo das rebeliões. Hoje o que assombra sua família é quantidade de ratos, escorpiões e outros insetos que as ruínas abrigam.
“Morar próximo da cadeia sempre teve os prós e os contras. A vantagem é que tínhamos segurança porque o policiamento era constante. Já na atualidade tivemos a casa invadida externamente por duas vezes e tivemos de colocar cerca elétrica e cães, entre outras medidas. A desvantagem, quando ainda estava ativada, era a insegurança por causa do constante risco”, contou ele.
A casa onde Fernando mora, junto com os pais, fica ao lado da antiga cadeia. Ele denunciou ainda que o prédio é constantemente invadido por vândalos e usuários de drogas.
“O lugar é usado para consumo de drogas e até para namorar. Recentemente um cano de água estourou e o vazamento durou dois dias, até que o Saae viesse para resolver. Seria muito bom se o lugar fosse reformado e aproveitado de alguma forma. Que abrigasse algum departamento ligado ao governo do estado, por exemplo”, acrescentou o psicólogo.
A cadeia municipal foi desativada em setembro de 2009 e dois anos e sete meses depois, em abril de 2011, passou por uma inspeção feita em conjunto pela Secretaria Municipal de Obras, vigilância sanitária e agentes da Polícia Civil. Antes da desativação, em janeiro de 2007, as polícias Militar e Civil fizeram uma operação “pente fino”, motivada por problemas na cadeia.
Seds
A reportagem de DeFato Online conversou com a assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds) e Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) para saber sobre a destinação do antigo prédio, mas a informação foi de que a subsecretaria “administra o atual Presídio de Itabira” e que a administração da antiga cadeia era de responsabilidade da Polícia Civil.