Crise na prefeitura coloca em risco Carnaval de Diamantina

Carnaval em Diamantina corre risco de não acontecer por causa da falta de dinheiro na Prefeitura

Crise na prefeitura coloca em risco Carnaval de Diamantina

O Carnaval de Diamantina, um dos mais tradicionais de Minas, está ameaçado. A prefeitura da cidade do Vale do Jequitinhonha não tem dinheiro para fazer a festa, que, a cada ano, atrai quase 50 mil foliões.

O principal motivo que pode levar ao cancelamento da festividade é a turbulenta troca na administração do município. O prefeito interino, Maurício da Paixão (PSDB), afirma ter recebido a cidade "com problemas financeiros e administrativos" e sem nenhum planejamento para o Carnaval.

Com uma dívida estimada em mais de R$ 4,5 milhões, o tucano foi obrigado a editar um decreto na última quarta-feira – menos de um mês da data da maior festa da cidade – declarando estado de emergência e admitindo a dificuldade em organizar de forma satisfatória a folia.

Segundo a secretária de Cultura de Diamantina, Bia Betelli, "a situação é muito difícil" e não está descartada a possibilidade de a festa ser cancelada, gerando prejuízos para o comércio local e para os turistas que já estavam com a viagem planejada. "Nosso maior problema foi a falta de um projeto. O Carnaval é planejado pelo menos seis meses antes da data. E, simplesmente, não foi feito nenhuma estimativa dos custos da festa", argumenta.

Em 2012, a prefeitura investiu R$ 860 mil no Carnaval. Desse total, R$ 300 mil foram repassados pelo governo do Estado, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. "Não houve tempo de a nossa gestão tentar recursos com o Estado. Então, a gente, que está sem dinheiro até para manter o funcionamento da prefeitura, teria que arcar com todas as despesas, inclusive o pagamento de horas-extras para os funcionários", alega a secretária.

Para a festa, é de responsabilidade da prefeitura garantir serviços como atendimento médico, segurança, coleta de lixo, proteção ao patrimônio público e até mesmo a estrutura de palco para os shows. O resto da estrutura é organizado pelo setor privado.

Alternativas.

A preocupação é grande, porque, como se trata de um Carnaval de rua, não há como evitar a aglomeração de pessoas e desfiles de blocos. Ontem, secretários municipais se reuniram com o prefeito para estudar formas de garantir uma estrutura mínima para a festa. "Em 2012, foram quatro palcos. Podemos fazer menos agora. Estamos conversando com o empresariado e tentando dividir as despesas. Quem sabe eles não arcam com a segurança?", propõe a secretária.


Uma definição sobre se Diamantina terá ou não Carnaval em fevereiro deve sair na segunda-feira, após encontro entre o prefeito e comerciantes da região.