Revolta e tristeza marcam o início da desocupação ‘espontânea’ do Mercado Municipal

Desocupação “espontânea” dos comerciantes teve início ainda pela manhã e se estendeu por toda a tarde

Revolta e tristeza marcam o início da desocupação ‘espontânea’ do Mercado Municipal

Um misto de revolta e tristeza estava visivelmente estampado no rosto da maioria dos comerciantes que iniciaram a desocupação do Mercado Municipal Caio Martins da Costa, na tarde desta sexta-feira, 11 de janeiro. No final da tarde alguns boxes já estavam totalmente desocupados e as mercadorias embaladas.

Apesar do prazo concedido pela justiça para retirada espontânea só se extinguir no próximo domingo, 13 de janeiro, e a desocupação por ordem judicial e apreensão de mercadorias estar prevista para o dia seguinte (14), alguns lojistas se anteciparam e passaram a sexta-feira empacotando produtos com o objetivo de “evitar desgastes” conforme afirmação de alguns.
 
De acordo com Raimunda Maria Fernandes, proprietária de uma loja de roupas e calçados no mercado já há 7 anos, a desocupação obrigatória está sendo feita de “forma injusta” e sob “critérios duvidosos”.  
 
“Na verdade estamos sendo expulsos daqui e no meu entendimento isso é uma grande injustiça. Estamos aqui pra trabalhar. Quase todos (comerciantes) dependem daqui como forma de sustento. É nosso ganha pão. A loja faz parte da minha vida”, lamentou.
 
A princípio relutante em gravar entrevista, o comerciante Clébio Dias Pereira, dono da loja Época e com 8 anos de Mercado Municipal, acabou concordando em falar. Ele também lamentou profundamente ter que fechar a loja – da qual dependem dois funcionários e os três filhos, além dele e da esposa Elenir Pereira.
 
“Estamos sendo tratados de uma maneira muito injusta. Por que essa saída assim às pressas se temos documentado que o mercado não é exclusivamente do município? Viraram as costas para nós. Tiraram nosso chão”, desabafou ele, aparentemente se referindo ao poder público.
 
Emocionada, Elenir Pereira não se conteve e também fez um desabafo à DeFato Online: “Depois de mais de uma tentativa, meu filho mais velho, de 20 anos, finalmente conseguiu entrar na Unifei (Universidade Federal de Itajubá). Foi com muita luta, pagando cursinho graças ao trabalho na loja. Ontem ele me disse que não vai fazer a matrícula porque precisa trabalhar e nos ajudar nas despesas porque não temos mais a loja. Agora me diga: isso é justo?”
 
Apoio da PM
 
Por “medida de segurança” o tenente Agnaldo, da Polícia Militar (PM), e outros dois soldados acompanharam de perto a desocupação dos boxes.
 
“A Polícia Militar visa tão somente garantir a segurança de todos e para que a ordem seja cumprida, não haja nenhum furto”.
 
O oficial também ofereceu apoio aos comerciantes que enfrentavam dificuldades com o deslocamento e transporte de mercadorias.