“A participação do Estado será um facilitador para ajudar no desenvolvimento de Itabira”, diz Ronaldo
Candidato falou sobre saúde, educação, economia e outros temas
DeFatoOnline encerra nesta sexta-feira, 28 de setembro, a série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Itabira. Ronaldo Magalhães (PTB) é o último entrevistado e fala, a seguir, de suas propostas para as áreas de saúde, educação, desenvolvimento econômico e outras.
O candidato também responde sobre a participação de integrantes do Partido da República (PR), do prefeito João Izael, em sua campanha. “Não vamos deixar de receber apoio”, afirmou. João não declarou aliança com nenhum candidato, mas o PR chegou a ser citado por adversários como membro “secreto” da coligação de Ronaldo, bem como o PSD e o DEM. Confira a entrevista.
A falta de água em Itabira é um problema urgente. A solução mais debatida é a captação no rio Tanque, que precisa de investimentos da ordem de R$ 50 milhões. Como o senhor pretende tirar essa obra do papel?
Na verdade, ela não está nem no papel, pois não existe um projeto ainda. Esta proposta é a mais positiva e funcional. Principalmente nos bairros mais altos, já começa a faltar água no tempo seco. Chegando lá [na Prefeitura], vamos trabalhar e conseguir recursos. Realmente, só dos cofres públicos da Prefeitura pode ser que a gente não consiga. Temos que buscar muito a nível federal e também na própria Vale. Cremos que isso dá para fazer.
Sem água não há desenvolvimento. Sobre este assunto, o que o senhor propõe para a diversificação econômica do município? Hoje temos a Unifei, que chegou para ajudar Itabira a se preparar para o pós-mineração…
Como universidade, a Unifei traz educação e também desenvolvimento econômico, devido ao número grande de alunos e professores. O Distrito [Industrial II] está sendo ocupado pela Unifei, então temos que buscar a construção de um novo Distrito Industrial. A própria Unifei tem em questão um Parque tecnológico, que é também um pensamento nosso e uma discussão. Itabira precisa de um parque tecnológico, e isso depende da universidade. Esse casamento vai dar muito certo, tanto que a Unifei já tem essa experiência em Itajubá.
Temos a questão do turismo, que em Itabira é forte. Precisamos trabalhar e melhorar as perspectivas de turismo. A divulgação da nossa capacidade turística, pela Estrada Real, o ecoturismo, a própria cultura através de Drummond, traduz em desenvolvimento econômico. Tem a região rural, que temos de incentivar também e muitos outros projetos (…). Há projetos do governador Anastasia de descentralizar a industrialização no Estado e sair da grande BH para cidades com raio de mais ou menos 100 km. Com a participação do Estado, será um fato facilitador para ajudar no desenvolvimento de Itabira.
A questão da estrada para Nova Era, ligação para o Vale do Aço, hoje é um facilitador. Temos ferrovias, as melhores do Brasil, que ligam até o porto, e expectativa boa para a BR-381 a partir de ano que vem, com recursos já definidos, com boa parte dos projetos prontos. As expectativas são boas. Temos a perspectiva também do aeroporto, que pode ser não só de passageiros, mas de carga. Tempos a oportunidade de criar um porto seco em Itabira.
Há uma grande possibilidade ainda de trazermos o gás para Itabira, que hoje passa próximo a Antônio Dias. A proposta da Gasmig é de criar outros pontos, ramificações do gasoduto, que será uma ferramenta muito importante para as empresas que estão no Distrito Industrial e em Itabira como um todo.
E o trânsito de Itabira? Como o senhor pretende melhorá-lo?
Esse assunto tem que ser encarado de frente com projetos bem definidos. Temos que fazer projeto de engenharia com pessoas preparadas e capacitadas para executar as obras. Nossa sugestão é mudar a ferrovia do Areão, Alto Pereira. Conseguimos fazer isso na [avenida] Mauro Ribeiro e hoje não imaginamos como seria Itabira sem aquela avenida. Vamos fazer corredores que vão facilitar o trânsito, a ligação do Gabiroba com a avenida Machado de Assis, no João XXIII, e outros projetos que podem ser feitos, facilitando bastante o tráfego na nossa cidade.
Melhorar a Transita, que foi criada no nosso governo. Tenho certeza que com preparo melhor dos agentes, isso tudo será facilitador. Estacionamento: vamos criar condições para a iniciativa privada instalar estacionamentos no centro da cidade, na [avenida] João Pinheiro, como nas grandes cidades. Com projeto bem elaborado, bem estudado, irão melhor não só o trânsito, mas a mobilidade urbana no sentido de o pedestre estar transitando com mais tranquilidade.
Com relação à saúde, Itabira por ser polo fica sobrecarregada ao atender a região. Como oferecer saúde com mais qualidade à população?
O nome SUS já diz: é um sistema único. Eu falo que SUS é o melhor sistema do mundo. O problema maior é essa operação de recurso que deve ser melhor trabalhada. Itabira precisa ser realmente regional em saúde – hoje somos microrregional. Quando nos tornarmos regional teremos mais recursos e melhor atendimento. Temos que avançar em outras coisas. Vemos hoje que em torno de 70% do atendimento teria que ser na base, através dos PSFs. Os PSFs funcionando bem, vão melhorar bastante e desafogar o Pronto-Socorro.
A nossa proposta é ter três macro-PSFs nos bairros mais populosos, com atendimento até as 21h. Vamos também buscar junto ao SUS, por exemplo, a Oncologia. A Oncologia tem condições de ser implantada em Itabira. Atendimento ao sistema cardíaco nós já temos uma empresa que iniciou um projeto em Itabira, conveniado com o Hospital Nossa Senhora das Dores, mas precisamos também construir um bloco cirúrgico para cirurgias cardíacas. (…) No Pronto Socorro, pelos estudos que temos feito, entendemos que precisamos colocar duas equipes: uma para atender o bloco cirúrgico e outra para atendimento das consultas. Para dar agilidade, colocando duas equipes isso fica resolvido.
Sobre a educação, sobretudo básica, Itabira tem a escola de tempo integral e apresentou bom desempenho no Ideb, mas o professor reclama muito da falta de valorização e da estrutura das escolas. Quais as propostas do senhor neste sentido?
A educação precisa sempre estar avançando. Temos que buscar isso de forma contínua. A questão das escolas de tempo integral, realmente é o melhor caminho a seguir. Entendemos que tem que ser completada em todas as escolas. Nós temos regiões que estão crescendo muito, como o Fênix, Bálsamos, Santa Ruth, Gabiroba, Água Fresca, e continuará crescendo devido à implantação da Unifei. Vamos construir mais escolas nestas regiões e prepará-las melhor para receber os alunos em tempo integral.
Queremos implantar também o programa Pró-Universidade. Precisaremos acelerar o investimento na Unifei, para ter condição de receber novos alunos, com um atendimento pleno. Não podemos esquecer o itabirano, por isso o programa Pró-Universidade. O jovem itabirano termina o ensino médio e precisa fazer o Enem. Vamos dar todo o apoio que ele precisa para prestar o Enem e usufruir da Unifei.
É preciso valorizar também os professores e servidores públicos de maneira geral. Vamos implantar o 14º salário para aquelas escolas que avançarem mais no Ideb. Na questão das escolas técnicas, o Estado já desenvolve o PEP, mas percebemos que não consegue atender a todos, porque é um volume muito grande. Vamos criar um programa de bolsas para as escolas técnicas do município. Para aquele aluno que quer cursar um técnico e não tem condições, vamos comprar vagas nas escolas particulares para acelerar este processo.
Temos que preparar o cidadão itabirano para usufruir das escolas que temos, mas também das oportunidades de trabalho. Nossa região tem ganhado muitos investimentos e gerado muitos empregos. Temos a preocupação ainda com o primeiro emprego. A Prefeitura, através de um projeto aprovado pela Câmara, dará isenção de impostos àquela empresa que gerar primeiro emprego. Quanto mais primeiros empregos, maior o desconto.
Com o desenvolvimento, entra em questão também a segurança, com a chegada de muitas pessoas de fora. O senhor disse que não criará guarda municipal. Como pretende promover a segurança?
Queremos a expansão da Vale e de outras empresas, porque geram empregos e crescimento econômico. Estas empresas para fazer expansão precisam de licença ambiental e outras. Porque não ter também uma licença social? Com mais gente na cidade, o Pronto-Socorro fica mais cheio, o trânsito mais complicado e gera problemas para a segurança. Então temos que ter essa licença social.
Sobre policiamento, o próprio Governo já fez um estudo que indica que deveria ter uma polícia única. Quanto mais polícia, mais se divide funções e perde a integração. Entendo que apoiando a Polícia Militar e Polícia Civil, vamos dar condições para que façam uma segurança com mais qualidade. Em conversa com o delegado regional da Polícia Civil e com o comandante do 26º Batalhão, concluímos que se aplicarmos cerca de R$ 1,5 milhão por ano, daremos boas condições para os policiais atuarem tanto na zona urbana quanto rural.
O senhor afirma que não tem apoio do governo, mas diversos secretários do PR, partido de João Izael, estão na sua campanha. O que o senhor comenta sobre esse fato?
O prefeito [João Izael] definiu não apoiar candidato algum. O PR o DEM e o PSD formaram uma coligação proporcional. Não vamos deixar de receber apoio dos vereadores, dos cidadãos que participam do partido. Também tem candidatos a vereadores e pessoas do PR e do DEM que estão apoiando outros candidatos. Conseguimos apoio de várias pessoas do PR, como tem aquelas que não vieram para o nosso lado. Isso é natural.
E as expectativas para as eleições?
São muito boas. Tenho um candidato a vice-prefeito que tem contribuído muito com a nossa campanha. O Neidson, apesar de jovem, é muito experiente. Estamos trabalhando muito. A aceitação tem sido muito boa e estamos crescendo gradativamente. Fizemos uma coligação enxuta, com 6 partidos, e isso também tem facilitado o nosso trabalho de campanha. A expectativa é de vitória. A gente sabe que é uma vitória difícil, com diferença pequena de votos, mas estamos confiantes. (…) Vamos vencer e fazer um governo para Itabira.