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Daniel e Anderson já tiveram experiências engraçadas com candidatos ” à moda antiga”

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As eleições municipais de 2012 vão marcar o uso efetivo da internet nas campanhas dos candidatos aos cargos de prefeito e vereador. Tudo bem que a rede mundial de computadores já estava liberada para ser usada em 2010, mas, até por ser novidade, a ferramenta não foi usada com tanta intensidade. É no pleito de agora que esse espaço tem despertado interesse nos postulantes aos cargos públicos, principalmente nas redes sociais. Mais adaptados ao ambiente, os candidatos jovens tendem a levar vantagem sobre os mais velhos nesse aspecto. Mas só se fizerem da maneira correta.
 
A caça na internet é especialmente pelos votos do público jovem, com faixa etária entre 16 e 24 anos. De acordo com pesquisa recente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic), quase 80% dos que estão nesse grupo usam a internet para alguma finalidade, sendo que 70% estão em redes sociais e 90% recorrem à rede mundial de computadores para buscar informações.
 
Esse público, claro, também faz parte do universo que a propaganda política quer alcançar. E não são poucos votos. Só em Itabira, por exemplo, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), existem 14.828 eleitores na faixa etária entre 16 e 24 anos. Tal número representa 16,8% de todo o eleitorado do município, estimado em 87.808 pela Justiça Eleitoral. Os dados mais recentes são do mês de julho, quando terminou o prazo dado pelo TSE para registro de novos títulos.
 
Além das redes sociais, também está liberada a propaganda na internet por meio de sites próprios do candidato, partido ou coligação, mensagem eletrônica e blogs. O programador de sistemas itabirano Daniel Kelles, proprietário da empresa Site Ouro Hospedagens, avalia que ainda está baixa a procura pela criação de sites de campanha, levando-se em conta o potencial desse tipo de ferramenta. Para ele, os candidatos ainda não assimilaram a importância da internet para a conquista dos eleitores. “É um espaço amplo, mais fácil para expor as propostas e não tem limite de divulgação”, comenta.
 
Daniel se juntou ao designer Anderson Lopes, sócio da empresa Vista Comunicação, para criar o site “Candidato Campeão” e colocar na web os que querem se aproximar dos eleitores. “A internet tem peso decisivo, sim, porque a grande maioria das pessoas está lá, conectada. É um espaço ilimitado, mas que precisa ser usado direito. Da mesma forma que se espalha o que é bom, também se espalha o que é feito de errado”, avalia Anderson.
 
Jovens adaptados
A internet não é um campo novo apenas quando se pensa em eleições, mas uma ferramenta recente no Brasil de um modo geral. A rede mundial de computadores começou a ser usada em terras tupiniquins no fim dos anos 1980, mas só ganhou força na década seguinte. A nova geração cresceu junto com a ferramenta e, por isso, está mais adaptada para lidar com ela.
 
É nesse cenário que os candidatos mais jovens tendem a levar vantagem sobre os mais velhos quando o assunto é a campanha na internet. Eles já estão habituados, conhecem mais a linguagem e os recursos disponíveis. “Os mais novos realmente estão mais atentos. Eles têm o discurso da renovação e sabem que é na internet que está o público jovem”, diz Anderson Lopes. Em Itabira, 31 dos 256 candidatos a vereador têm menos de 30 anos. “Os mais velhos, além de não entenderem muito, também têm resistência em aprender”, completa o designer.
 
O publicitário Douglas Cota, proprietário da empresa Shine On Comunicação, de João Monlevade, avalia que a resistência é maior principalmente para aqueles que ganharam várias eleições sem usar a internet. “Fora dos grandes centros, ainda se ganha eleição gastando sola de sapato. O aperto nas mãos do eleitor e o olho no olho ainda valem mais que o ‘essa pessoa vota no candidato A’, como vemos o dia todo na web”, analisa o publicitário.
 
Daniel Kelles e Anderson Lopes contam histórias de candidatos sem mínimas noções de internet que os procuraram para fazer sites de campanha. “Tem dois que não sabiam ler e nem escrever. Fica complicado prestar serviço, ao menos que ele tenha algum assessor que vá assumir esse serviço. Um deles me perguntou se no e-mail tem que usar o www. Assim você percebe que ele não tem noção alguma do que estamos tratando”, narra Anderson.
 
Já Douglas Cota indica que o ideal é que o candidato tenha alguém apto para gerir a campanha na internet, especialmente nas redes sociais. “Os candidatos mais jovens têm maior familiaridade com as redes sociais devido ao período em que cresceram ou que conviveram. Mas um candidato mais velho pode delegar essa função de gestão para alguém em sua equipe que tenha sua confiança para falar com seus eleitores pela web. Tudo relativo è internet precisa estar incluído na campanha. É fundamental um bom site e um profissional para gerir todo conteúdo web, sistematicamente”, afirma.
 
Das últimas eleições para cá, novas tecnologias e ferramentas surgiram e 2012 deve ser um ano de afirmação de tudo que se iniciou nas últimas campanhas. Entretanto, os especialistas acreditam que o Brasil ainda está distante do ápice do uso da web, como ocorreu, por exemplo, nos Estados Unidos, quando a internet foi decisiva na campanha do presidente Barack Obama. Porém, as expectativas são de avanço. “Em 2014, com certeza, teremos campanhas sólidas e bem planejadas na web”, prevê Douglas Cota. Mais uma prova de que tudo na vida tende a evoluir.