Liberdade do Alto

Asa Delta exige pleno domínio dos movimentos

Liberdade do Alto
Itabira é mais conhecida pelo peso do minério de ferro, mas, tão sutilmente quanto a leveza do ar, praticantes de voo livre começam a se multiplicar. O esporte surgiu na cidade com apenas cinco praticantes, nos anos 1980. Hoje são 38 (entre eles, quatro mulheres), transformando-o em estilo de vida. É assim que os adeptos à prática desse esporte radical o definem. Suas principais modalidades são a asa-delta e o parapente. Leôncio Pereira foi o pioneiro, realizando os primeiros voos na área da antiga Pousada dos Pinheiros.
 
Após uma pesquisa na região, Leôncio descobriu a Serra dos Doze e conclui que este era o espaço mais adequado para a prática do esporte, devido aos seus 320 metros de desnível. A rampa de voo livre foi inaugurada oficialmente no dia 17 de outubro de 1999. Com a ajuda do empresário Nilo Moura, proprietário da fazenda Cachoeira, local onde a rampa foi construída, conseguiu disseminar a prática do esporte. Leôncio criou o Clube Itabirano de Voo Livre (CIVL), contando com a colaboração de André Gustavo Gonçalves e mais três amigos.  
 
André Gustavo é o atual presidente do ClVL. Segundo ele, não existe um perfil definido das pessoas que o procuram para prática do vôo livre. É gente das mais diversas faixas etárias e profissões, que encontram no esporte liberdade e adrenalina. “Não existe uma restrição de quem pode voar, mas a legislação exige que a pessoa tenha idade mínima de 18 anos para o voo solo — sem o piloto — e para o duplo, o peso mínimo é de 40 kilos, sendo o máximo de 140 para o acompanhante”, explicou.
 
Cuidados para voar
O presidente do clube chega a comparar o voo a uma estrada sinalizada, onde o condutor deve respeitar as placas. “Estas placas são os equipamentos e as condições da natureza que devem ser sempre observados”, disse. Ele lembra que para a prática do esporte não basta somente a vontade de voar. São obrigatórias a checagem e manutenção regulares dos equipamentos de segurança, além de ter muito cuidado em relação à direção do vento.
 
Capacete, rádio de segurança, pára-quedas de emergência, GPS e variômetro (que indica a razão de subida e descida em metros) fazem parte do aparato de segurança do piloto. Para o acompanhante, um bom par de tênis e óculos escuros são necessários. “Todos os nossos pilotos respondem às normas de segurança, que é o que chamamos de manobras de emergência”, informou André.
 
Uma das recomendações essenciais para quem quer voar é não ingerir bebidas alcoólicas. A pessoa precisa estar consciente e dona de todos os seus reflexos. Mulheres grávidas e crianças também não devem voar. No caso das crianças, é pela própria segurança dos que voam, porque não há como prever as reações delas no alto.  
 
Lições para a vida
O esporte vai além de simplesmente planar no ar. André Gustavo diz ser uma busca da sensibilidade, pois em todo o tempo o praticante exercita o autodomínio para guiar o equipamento. “Até mesmo para a vida pessoal é um esporte que traz vários benefícios, pois o praticante passa a ter mais autocontrole e se torna mais centrado. Então, na vida da pessoa essas qualidades se afloram”, garante. Para voar, segundo o presidente da CIVL é preciso ter um perfil de quem tenha desejo por liberdade, sensibilidade e amor à natureza. No ar, o homem se integra ao universo ficando mais próximo de Deus e de si mesmo.