Bombeiros vistoriam abrigos e apontam para risco de tragédias
Aldinéia Neves, ao lado de um
sobrinho, disse que ficar no abrigo é melhor do que ir para a rua
O boletim de ocorrência será enviado ao Ministério Público e, dentro de 24 horas, será necessário que um engenheiro da Prefeitura compareça ao alojamento para colher dados e elaborar um projeto de combate a incêndio e pânico. As repartições seriam cobertas em poucos dias, no entanto, os bombeiros ressaltaram que isso só deverá ser feito após a apresentação do projeto e com o acompanhamento dos bombeiros.
Os bombeiros que estavam na Malharia Fio de Ouro explicaram que os prazos legais para regulamentação dos dados levantados são de 60 dias, no entanto, como se trata de um caso de urgência, as adequações deverão ser feitas em uma semana. A fiscalização foi pedida pela Promotoria de Itabira e pelo comandante do Corpo de Bombeiros de Ipatinga. A secretária municipal de Ação Social, Maria das Graças de Carvalho Lima, esteve no abrigo e argumentou que também fez o pedido de vistoria aos bombeiros.
De imediato, os botijões de gás deverão se retirados das repartições de madeira e providenciados novos extintores de incêndio.
Brazuca
A situação no Brazuca não é muito diferente da que foi encontrada na Malharia Fio de Ouro. Há apenas uma diferença. É que no clube do São Cristóvão os abrigos ainda não terminaram de ser construídos e não há moradores por lá. Sob o comando do sub-tenente Márcio Caldeira, agentes vistoriaram o local e apontaram para problemas semelhantes aos encontrados no alojamento do bairro Amazonas.
Em conversa com a imprensa, o sargento Anderson comentou que a intenção da Prefeitura ao fazer o abrigo era deixar a fiação exposta, mas que os bombeiros não vão permitir que isso aconteça. Eles também vão aconselhar a cozinha comunitária e não vão deixar que sejam colocados fogões individuais.
Comissariados do Juizado da Infância e da Juventude também estiveram no local para fiscalizar as condições às quais serão submetidas os jovens que forem levados para os abrigos.
Abrigo
Segundo a Secretaria Municipal de Ação Social, as famílias ficarão nos abrigos por um ano. Para a dona de casa Aldinéia Neves Ventura, 31 anos, que está no alojamento da Malharia Fio de Ouro com o seu marido e cinco filhos, apesar dos riscos apontados pelos bombeiros, o local está muito bom, porque se não fosse o alojamento ela não teria para onde ir com sua família.
Moradora do bairro Drummond há 11 anos, ela contou que a vida no local não era muito fácil e que tem esperanças de dias melhores. “O que eu quero agora é ter uma casa minha para garantir o futuro dos meus filhos. Significa muito para mim essa oportunidade. Agradeço por estar aqui, porque senão precisaria ir para a rua. Todos da Prefeitura têm nos tratado muito bem, sempre procurando saber como estamos e se precisamos de algo”, comentou.
Revisão
A secretária Maria das Graças disse que está revendo, pessoalmente, as situações de famílias que estão se sentindo injustiçadas por não terem sido selecionadas para irem para os abrigos ou não terem sido cadastradas para algum programa social.