Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em abril de 2011, dão conta de que havia 28.680 veículos em Monlevade – cerca de um automóvel para cada 2,5 habitantes. O aumento expressivo da frota nos últimos anos vem fazendo com que o espaço físico da cidade não seja suficiente para comportar tantos carros. Para o chefe do Setor de Trânsito e Transportes (Settran) de João Monlevade, Adriano Costa, o trânsito caótico é um problema que atinge todas as cidades em desenvolvimento. “A frota de Monlevade supera a média nacional em quase 140%”, compara.
A situação mais crítica da cidade é a avenida Getúlio Vargas. “É onde se concentra a maior parte de pontos rotativos. Trata-se de uma via estreita, com apenas uma faixa de circulação e várias vias adjacentes”, descreve Adriano.
Ele acrescenta que a cidade não tem espaço físico para obras de grande porte que poderiam solucionar os problemas de estacionamento e de fluidez do trânsito. “A Prefeitura tem buscado recursos para o recapeamento das vias, implantação de medidas educativas e alterações viárias”, anuncia.
Além do Centro
O chefe do Departamento de Trânsito de Itabira (Transita), Fernando Penna, conta que o caos já supera a área central da cidade. Chega aos bairros Pará, Caminho Novo, Água Fresca e Areão. “O horário mais conflituoso é o de funcionamento das agências bancárias”, detalha.
Fernando relata que na região central de Itabira (bairros Pará, Penha e Centro), há 500 vagas de estacionamento rotativo e cerca de 800 vagas comuns. Conforme regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), foram demarcadas vagas exclusivas aos idosos (5% do total) e portadores de deficiência (2%). “Mesmo nas vagas que não são rotativas, a proporção é respeitada”, ressalta.
Ele aponta que a ampliação das vagas de estacionamento depende de fatores físicos, o que torna a situação complicada. “Quando se fala em aumentar vagas, será necessário restringir o uso do espaço. Temos implantado trechos de mão única na cidade: há um ganho significativo de vagas, porque há menos índice de circulação e mais espaço para estacionar. A mão única tem ainda a finalidade de melhorar a circulação, evitar cruzamentos e fazer com queo motorista pare menos”, observa.
A Transita pretende implantar gradualmente um pacote de intervenções para melhorar o trânsito e a oferta de vagas de estacionamentos. Estima-se que as medidas entrem em vigor a partir do segundo semestre deste ano. “Já existe a previsão de segregar a área de bicicletas da área de veículos. Em alguns locais, já implantamos a proibição para motocicletas, como nas ruas Tiradentes e Água Santa, e criamos áreas específicas para elas. Apenas com essa ação, prevemos um aumento de 8% a 10% dos locais para estacionar”.
Outra solução indicada pelo chefe da Transita é a descentralização da cidade, prevista no Plano Diretor. “Como em Itabira os comércios, serviços e escolas estão na área central, a tendência é de que lá os veículos se concentrem. O Plano Diretor induz o crescimento para fora da área central”, conta.
Fernando justifica o aumento significativo da demanda por estacionamentos na cidade: “Hoje temos mais de 41 mil veículos emplacados em Itabira. Com a frota flutuante, há cerca de 45 mil. As vagas para estacionar têm sido usadas como garagem, e, assim, não são suficientes”, adverte. Ele aponta que muitas pessoas vão para o trabalho e deixam o veículo ocupando uma vaga durante o dia inteiro. “Isso sobrecarrega o sistema. A grande ferramenta é o talão de rotativo, que é muito barato: a finalidade dele não é arrecadar, é liberar a vaga para o próximo usuário”.
Estacionamento particular
O empresário monlevadense Carlos Arthuso resolveu implantar um estacionamento particular para os clientes de seu escritório de contabilidade, localizado no bairro Nossa Senhora do Rosário. Ele comenta que no centro da cidade as vias públicas são poucas e estreitas, o que dificulta o deslocamento dos veículos. Além disso, aponta que faltam estacionamentos rotativos particulares.
Ele acredita que é impossível solucionar o problema do trânsito em curto prazo. “A solução definitiva demandaria altos investimentos e políticas públicas, como mudança no Código de Posturas, exigindo garagens para novos prédios comerciais. Também deve-se incentivar a iniciativa privada a criar estacionamentos rotativos particulares: além de solucionar em parte o problema de estacionamento e de trânsito, geraria emprego e renda e traria mais divisas para o município”, sugere.
Outra medida, ainda segundo Carlos Arthuso, seria promover uma grande campanha de educação: “Trata-se de uma mudança de cultura. Em Monlevade, assim como na maioria das cidades do interior, as pessoas querem parar na porta do endereço de destino. Insistem em procurar uma vaga mais próxima possível, parando em lugares proibidos ou até no meio da rua, causando retenção e dificultando o trânsito”, conclui.
Reuniões na Câmara de Monlevade buscam soluções
A Câmara de João Monlevade tem promovido reuniões com representantes do Settran. O órgão apresentou alguns projetos, como a criação de outra faixa de trânsito na avenida Wilson Alvarenga, além de restrições de estacionamento.
O vereador José Arcênio de Magalhães, o Zezinho Despachante (PP), propõe que, na mesma avenida, seja feito o fechamento dos cruzamentos do hipercentro, criando um fluxo circular sem retenções de semáforos, e a retirada do canteiro central, para acrescentar uma via de tráfego. Ele acha que a construção de prédios-estacionamentos também é uma boa ideia. Outra questão apontada pelo vereador é o desrespeito por parte dos motociclistas. “Falta adequada pintura dos locais onde é proibido estacionar motos”.
O vereador comenta que precisa-se melhorar os estacionamentos rotativos. “Deveria ser implantado o estacionamento rotativo eletrônico. Através desse sistema, o cidadão compra o cartão magnético, que é como um cartão de crédito, para que seja utilizado de acordo com a necessidade do usuário. A cada utilização, seu crédito seria abatido conforme o tempo de uso. Essa medida possibilitaria, entre outras coisas, melhor organização do sistema, diminuição de despesa com a fiscalização e maior arrecadação. E é importante destacar que a implementação desse sistema não implica custos para o município”, pontua.