O mapa da reeleição

Segundo a seita Maia, o fim dos tempos já tem data marcada: 21 de dezembro de 2012. Tal hipótese tem sido objeto de discussão entre fanáticos e céticos. Mas como o mês das eleições municipais é outubro, uma coisa é certa: no ano que vem serão escolhidos os novos prefeitos brasileiros – ainda que o […]

Segundo a seita Maia, o fim dos tempos já tem data marcada: 21 de dezembro de 2012. Tal hipótese tem sido objeto de discussão entre fanáticos e céticos. Mas como o mês das eleições municipais é outubro, uma coisa é certa: no ano que vem serão escolhidos os novos prefeitos brasileiros – ainda que o mundo se acabe antes da posse.
 
Assim sendo, DeFato percorreu sua rota de distribuição e traçou o mapa da reeleição nas cidades em que circula, passando pelas microrregiões do Centro-leste de Minas Gerais: Médio Piracicaba, Vale do Aço, Vale do Rio Doce e Jequitinhonha. Quem pode continuar e quem vai deixar a principal cadeira do município? O levantamento aponta que em metade das 38 localidades onde a revista chega os prefeitos podem continuar.
 
Simples assim: quem já está há dois mandatos como prefeito tem que sair. Quanto aos vices, as decisões são baseadas em jurisprudências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os ministros que compõe a Corte consideram que o candidato eleito por duas vezes como vice poderá tentar ser prefeito, mas não aceitam o contrário. Ou seja, um prefeito que já foi reeleito não pode tentar ser vice na eleição seguinte.
 
Cadeira vaga
Em Itabira, depois de 12 anos circulando pelo terceiro andar do Paço Municipal, João Izael Querino Coelho (PR) vai deixar o Executivo. É que antes de se tornar o primeiro prefeito reeleito da história da cidade, o republicano já havia sido vice de Ronaldo Magalhães (hoje sem partido). A primeira articulação política “oficial” visando às eleições em Itabira foi o projeto Agenda 2012, fruto de uma parceria entre o Partido Progressista (PP) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Apesar de tratar-se de uma união publicamente divulgada, seus idealizadores não gostam de associá-la a um conchave político, tanto que o slogan do Agenda 2012 diz “primeiro projetos e depois nomes”. Contudo, o PT já elencou o ex-vereador Alexandre Banana, o ex-prefeito Jackson Tavares e o advogado Bernardo Mucida como pré-candidatos da legenda para disputar a Prefeitura.
 
O Agenda 2012 causou certo espanto. Isso porque o PP é o partido de sustentação da base de João Izael, tem a maior bancada da Câmara (três vereadores) e a presidência do Legislativo, com Sebastião Ferreira Leite, o Tãozinho. Já o PT é o principal partido da oposição, que ficou enfraquecida nas últimas eleições municipais – não obteve sequer um representante na Câmara.
 
Outros nomes já se manifestaram. O vereador Élson Sá (PMDB) colocou seu nome à disposição do partido. O sindicalista Paulo Soares (PSB), presidente do Metabase, é outro que já indicou sua disposição em concorrer. Além deles, há especulações em torno do provedor do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), Reginaldo Calixto (sem filiação partidária), do ex-prefeito e ex-deputado estadual Ronaldo Magalhães e do vereador licenciado Neidson Freitas (PP), hoje assessor do governador Antônio Anastasia (PSDB).
 
Nome praticamente certo nas próximas eleições é o do médico Damon Lázaro de Sena (PV). Ele disputou as últimas duas eleições municipais e em ambas foi derrotado por João Izael. Na última, perdeu por muito pouco, o que lhe manteve a esperança acesa para 2012.
 
Questionado sobre seu posicionamento, o atual prefeito, por sua vez, limita-se a dizer que sua preocupação é terminar bem o governo.  
Cenário indefinido
Em João Monlevade, o cenário político é uma incógnita. O prefeito Gustavo Prandini (PV) tem o direito de se reeleger. No entanto, seu governo passa por turbulências e baixa aprovação popular. Logo no começo do mandato, o pevista enfrentou processo de cassação por suposta doação ilícita de uma rádio durante a campanha. Foi cassado na primeira instância e inocentado na segunda. O caso está agora no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
 
Se for considerado culpado, Prandini perde os direitos políticos e não poderá tentar a reeleição. Pela Lei da Ficha Limpa, são inelegíveis para qualquer cargo, pelo prazo de oito anos a contar da eleição, os que forem condenados por corrupção eleitoral, compra de voto, doação, captação ou gastos ilícitos de campanha e outras condutas que impliquem cassação.
 
A principal figura da oposição monlevadense é o ex-prefeito Carlos Moreira (PSB). Ele tem um programa de rádio e no ar faz duras críticas ao atual governo. No entanto, Moreira corre o mesmo risco de Prandini. Ele também pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, mas por improbidade administrativa. Dois processos instaurados pelo Ministério Público estão no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
 
Na cidade fundada pelo francês Jean Monlevade há também especulações e desejos. Vereadora por cinco mandatos consecutivos, Dorinha Machado (PMDB) nunca escondeu que pretende ser prefeita. Ela, inclusive, já anunciou que não concorre mais à Câmara. Outro legislador com aspirações é Belmar Diniz (PT). Filho do sindicalista e ex-prefeito de João Monlevade, Leonardo Diniz (PT), o petista já disse que está à disposição do partido da estrela vermelha. Outro nome que sempre repercute nos bastidores políticos é o do empresário e provedor do Hospital Margarida, Lucien Marques. Mas ele já afirmou publicamente que não será candidato.
 
Eleição, de novo!
Em Conceição do Mato Dentro, uma situação inusitada: a população mal saiu de uma eleição e já vai ter que partir para outra. Em quatro anos, foram três votações. A atual prefeita, Nelma Carvalho (PR), foi eleita em fevereiro deste ano, depois que o prefeito reeleito em outubro de 2008, Breno José de Araújo Costa (DEM), foi cassado pelo TSE. Breno deixou o cargo em maio de 2009. Em setembro daquele ano, ocorreu outro pleito e o vencedor foi o filho dele. Porém, ele teve o registro rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por causa, justamente, do parentesco. 
 
Embora Nelma esteja há pouco tempo no cargo, o período conta para o TSE. Pela Constituição Federal, o político que toma posse no Executivo em até seis meses antes das eleições já é considerado dono de um mandato. Ou seja, Nelma pode se reeleger em 2012, mas, nesse caso, fica inapta para 2016.
 
Situação semelhante ocorre em Bela Vista de Minas. O atual prefeito, o empresário Mateus Ferreira (PSC), tomou posse em agosto de 2010. Ele era vice de Arnaldo Magnum (PSC), que foi cassado. Mateus poderá tentar a reeleição em 2012, e, caso vença, não poderá em 2016.
 
Vale do Rio Doce
A pesquisa seguiu em direção ao Vale do Rio Doce. O prefeito de Guanhães, Oswaldo de Castro (DEM), cumpre o segundo mandato e não pode continuar na cadeira. A mesma situação ocorre em Santo Antônio do Rio Abaixo, com Rilton Alvarenga (PPS), e em Ferros, com Raimundo Menezes de Carvalho Filho, o Diquinho (PSDB).
 
Em São Sebastião do Rio Preto, Antônio Celso (PTB) está apto a se manter no cargo. O prefeito de Passabém José Lourenço, o Duca Loura (PMDB), também pode sonhar com a permanência. Ele foi eleito pela primeira vez em 2008. Em Nova União, o prefeito Moacir Figueiredo (PP) é outro que pode tentar ser reeleito. <
 
 
 
Cidade
 
Prefeito
 
Pode se reeleger?
 
Alvinópolis
 
João Batista Galo Índio (PTB)
 
Sim
 
Antônio Dias
 
Tenório Rosa de Araújo (DEM)
 
Não
 
Barão de Cocais
 
Geraldo Abade (PTB)
 
Não
 
Bela Vista de Minas
 
Mateus Ferreira (PSB)
 
Sim
 
Bom Jesus do Amparo
 
Pedro Pedrada (PSC)
 
Sim
 
Cantagalo
 
Adeilson Medeiros (PDT)
 
Sim
 
Carmésia
 
Roberto Keller (PMDB)
 
Não
 
Catas Altas
 
Saulo de Castro (PT)
 
Sim
 
Conceição do Mato Dentro
 
Nelma Carvalho (PR)
 
Sim
 
Dionísio
 
Weber Americano (PMDB)
 
Não
 
Divinolândia de Minas
 
Armstrong Coelho Cunha (PPS)
 
Sim
 
Dom Joaquim
 
Romani Thomaz Frois (PR)
 
Sim
 
Dom Silvério
 
José Maria Repolês (PMDB)
 
Não
 
Dores de Guanhães
 
João Eber (PMDB)
 
Não
 
Ferros
 
Raimundo Diquinho (PSDB)
 
Não
 
Guanhães
 
Osvaldo de Castro (DEM)
 
Não
 
Itabira
 
João Izael (PR)
 
Não
 
Itambé do Mato Dentro
 
Wavel Lage (DEM)
 
Não
 
João Monlevade
 
Gustavo Prandini (PV)
 
Sim
 
Morro do Pilar
 
Christian Matos (PTB)
 
Não
 
Nova Era
 
Laura Carneiro (PSDB)
 
Não
 
Nova União
 
Moacir Figueiredo (PP)
 
Sim
 
Passabém
 
Duca Loura (PMDB)
 
Sim
 
Peçanha
 
Marcos Godinho (PRB)
 
Sim
 
Rio Doce
 
Eduardo Pereira Real (PT)
 
Não
 
Rio Piracicaba
 
Gentil Alves (PSDB)
 
Sim
 
Sabinópolis
 
Geraldo Santos Pires (PMDB)
 
Sim
 
Santa Bárbara
 
Toninho Timbira (PTB)
 
Não
 
Santa Maria de Itabira
 
Geraldo Coelho (PDT)
 
Sim
 
Santo Antônio do Rio Abaixo
 
Rilton Alvarenga (PPS)
 
Não
 
São Domingos do Prata
 
Fernando Rolla (PDT)
 
Sim
 
São Gonçalo do Rio Abaixo
 
Raimundo Nonato Barcelos (PDT)
 
Não
 
São João Evangelista
 
Hércules Procópio (PT)
 
Não
 
São José do Goiabal
 
José Roberto (PSB)
 
Sim
 
São Sebastião do Rio Preto
 
Antônio Celso (PTB)
 
Sim
 
Sem Peixe
 
João Schitini (PT)
 
Sim
 
Senhora do Porto
 
Zé do Nem (PPS)
 
Não
 
Virginópolis
 
Márcia Maria Nunes Coelho (PR)
 
Não
 
 
 
No Brasil, os chefes dos Executivos (presidente, governador e prefeito) podem se reeleger apenas uma vez. Esse cenário é regulamentado pela Constituição Federal: “O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente”. Esse artigo foi atualizado em 1997, por uma emenda constitucional, para permitir a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). De tabela, acabou também transferindo o direito aos chefes dos estados e dos municípios. Até então, a continuidade não era permitida.