Quando os bonecos ganham vida

Giramundo dá vida aos bonecos

Quando os bonecos ganham vida
Encantar. Sem dúvida alguma, esse é o propósito do Giramundo, grupo de Belo Horizonte que tornou famoso o teatro de bonecos. Com muitas cores, sons e textos de fácil compreensão, os integrantes mostram que manusear as estrelas principais dos espetáculos é mais do que um complexo exercício de marionetista, mas ser capaz de dar vida a cada traço de madeira.

Representantes da imprensa de Itabira estiveram em Belo Horizonte nessa quarta-feira, 20 de julho, para a pré-estreia da remontagem do clássico “Pedro e o Lobo”. A apresentação foi no auditório do Memorial Minas Gerais Vale, um luxuoso e moderno espaço que usa a tecnologia para mostrar as tradições, cultura e história do povo mineiro. O museu faz parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade, que entregou os antigos prédios das secretarias do Governo de Minas a empresas para que se tornassem casas da história.

Há dez anos, o Giramundo é patrocinado pela mineradora Vale. O grupo agora parte para uma nova fase, de maior interação dos atores com o público. Para isso, os espetáculos passaram a ser realizados em um caminhão, totalmente adaptado para a apresentação teatral. O veículo vai aos locais da exibição e garante a proximidade dos expectadores com os marionetistas. É o Teatro Móvel.

A peça Pedro e o Lobo é baseada no musical do compositor russo Sergei Prokofiev (1891-1953). A primeira montagem do Giramundo com esse espetáculo foi em 1994 e marcou uma nova maneira do grupo se apresentar. Os marionetistas, além de controlar os bonecos, também assumiram o papel de atores. É o espetáculo mais apresentado pela trupe, com gerações diferentes de profissionais já tendo trabalhado na peça.

A remontagem de Pedro e o Lobo é definida pelos próprios integrantes do grupo como “simples e direta”. A peça é curta (em torno de 45 minutos) e mostra uma fazenda onde o personagem principal, Pedro, interage com animais como um pato, um pássaro e um lobo. Também estão presentes o caçador e o avô de Pedro. “Procuramos manter a estrutura original, com algumas adaptações, sobretudo na cenografia”, comentou Marcos Malafaia, integrante do Giramundo.

A diretora da peça é Beatriz Apocalypse, que também é uma das controladoras dos bonecos. Ela é filha do criador do espetáculo, Álvaro Apocalypse, e, por isso mesmo, cresceu observando as marionetes e aprendeu a ver vida nelas. “Eu nasci junto dos bonecos e digo que eles têm vida, possuem alma. Quando se está em cena, ali na marionete, você assume a personalidade deles. A gente se torna apenas um guia”, afirma. “Quando nós fizemos a remontagem eu pensava a todo o momento se meu pai iria gostar. E hoje acho que ele iria adorar”, completou.

Teatro Móvel

O Teatro Móvel tem o patrocínio exclusivo da Vale e todas as apresentações são gratuitas. A primeira parada será em Sarzedo, no próximo sábado, 23 de julho. Na sequência, o Giramundo vai até Itabirito, no dia 24. Na terça-feira que vem, 26, é a vez de Belo Horizonte receber os bonecos.

O cronograma das demais apresentações está sendo fechado com as prefeituras dos municípios. Está na agenda do Giramundo uma exibição em Itabira, ainda sem data definida. Além da cidade de Drummond, a trupe de marionetes também vai a Rio Acima, Brumadinho, Conselheiro Lafaiete, Barbacena, Raposos, Ouro Preto, Antônio Pereira, Bento Rodrigues, Belo Vale, Congonhas, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas, Rio Piracicaba, São Gonçalo do Rio Abaixo, Caeté e Nova Lima.