Sacolinhas dividem opinião
As sacolas são usadas para diversos fins, sobretudo para segregar o lixo doméstico. Se elas forem proibidas,
o consumo de sacos de lixo
vai aumentar
Tão logo o uso das sacolas e sacos plásticos de supermercados foi proibido em Belo Horizonte, as discussões acerca do assunto começaram em Itabira, envolvendo principalmente Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Savi e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Jovem. O assunto diz respeito à preservação do meio ambiente e por isso é tão importante. Mas há quem destaca outros problemas ambientais mais urgentes.
A empresária Maria do Rosário Bretas Assis, sócia-proprietária da empresa Criarte Embalagens, de Itabira, é uma das que discorda da atenção “exagerada” à extinção das sacolinhas. Para a empresária, elas são 100% recicláveis e as pessoas já têm o hábito de reaproveitá-las. “As sacolas são usadas para diversos fins, sobretudo para segregar o lixo doméstico. Se elas forem proibidas, o consumo de sacos de lixo vai aumentar – e eles são muito mais danosos ao meio ambiente”, argumenta.
Maria do Rosário lembra também que se as sacolas são o problema, o que dizer então das embalagens de feijão, arroz, farinha e de praticamente todos os produtos que são comercializados no mercado. “Tudo tem plástico”, diz, ao ressaltar que as tão acusadas sacolas representam menos de 2% do lixo gerado no Brasil. Para ela, a lei em Belo Horizonte teve forte influência de empresas que começaram a oferecem as sacolas biodegradáveis, feitas de derivados de milho.
A Criarte Embalagens atua há 12 anos em Itabira e atende cerca de 3 mil clientes em Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Distrito Federal. Com a lei municipal 4.281/2009 – que prevê o uso de embalagens feitas de material biodegradável ou oxibiodegrádavel, sacolas retornáveis, sacos de pano e caixas de papelão – a empresa vai ter de se adaptar, ou vai perder mercado.
A empresária conta que já começou a adquirir equipamentos e produzir sacolas ecologicamente corretas, mas faz uma observação: “Para a fabricação das biodegradáveis, por exemplo, usa-se derivado de milho. Para isso, aumenta-se a área de plantação, o pode levar inclusive ao desmatamento”, diz. Na empresa, apenas as oxibiodegradáveis estão sendo produzidas, devido ao seu preço mais competitivo.