Fiscalização fecha empresa acusada de poluição em Bela Vista de Minas
Ramon de Almeida (esq) e vizinhos vão continuar vigilantes – Eles não querem colocar em risco a saúde da comunidade
Os moradores do bairro JK, na cidade de Bela Vista de Minas, estão comemorando a decisão da Diretoria de Fiscalização de Recursos Hídricos, Atmosféricos e de Solo, ligada ao Núcleo Regional de Gestão das Águas (Igam de Governandor Valadares), que decretou, no último dia 3, o embargo das atividades e o cancelamento da Autorização Ambiental de Funcionamento da empresa Recex Reciclagem de Sucatas e Metais (AAF nº00462/2010). O documento foi assinado pelo analista ambiental do órgão, Rodrigo Ribeiro Pignaton.
De acordo com o artesão Ramon Ribeiro de Almeida, residente à rua Alípio de Souza, logo acima da Recex, o grupo de moradores do bairro buscaram seus direitos por onze meses fazendo diversas denúncias na imprensa, como a que foi publicada em setembro do ano passado pelo portal DeFatoOnline. Na época, a empresa era apontada como poluidora sonora e atmosférica, além de abalar as estruturas das casas ao seu redor. Diversas rachaduras foram registradas nas casas dos vizinhos e do próprio Ramon. “Foi uma luta árdua e esta é uma primeira vitória dos moradores junto a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM)”, declara.
O casal Célia Bonifácia e Eduardo Soares Ferreira também relatou na época o pesadelo em que viviam desde que a Recex foi instalada no bairro residencial, o que é proibido pela lei ambiental. Segundo eles haviam relatado, o pior era conviver com a poeira excessiva que levou a família inteira aos consultórios médicos, com sintomas de rinite alérgica, além de tosse constante e vômitos.
Para Ramon de Almeida, não foi fácil combater as atividades da empresa. “Enviei inúmeras solicitações de registro de Boletim de Ocorrência para o e-mail da polícia, liguei e conversei com o sargento Flávio, da PM Meio Ambiente, conversei também com diversas autoridades”, explica ele, que afirma que o grupo continuará vigilante. “Temos que continuar trabalhando para ficarmos totalmente livres de doenças e outros transtornos provocados pelo funcionamento da empresa. É necessário exercermos a nossa cidadania e o direito a saúde, bem estar e a um meio ambiente sem poluição”, garante o artesão.
Alerta
Apesar do documento assinado pelo analista ambiental no dia 3, Ramon conta que somente na última sexta-feira, dia 10, é que a Recex parou suas atividades. Ele ressalta que chegou a enviar um e-mail para a polícia solicitando registro do B.O., mas que não obteve retorno e muito menos presenciou o envio de viatura policial ao local onde a empresa está instalada.
“Ainda vejo na parte da tarde, alguns caminhões descarregando lá, eles tem feito a umectação, mas não resolve muito. O portão também é visto algumas vezes aberto e a retroescavadeira tem sido usada. Queria saber da polícia ambiental porque a empresa não parou totalmente”, questiona Ramon.
A reportagem tentou por diversas vezes falar com a Polícia Ambiental, porém o telefone caía no fax. Tentou entrar em contato com o sargento Flávio para explicar a situação da empresa que continua com movimento interno, mas o seu celular constava estar fora de área ou desligado. A reportagem também tentou falar com a empresa, mas não obteve êxito.
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