Contraste do progresso: rodovia quase pronta, atrações destruídas e ponte caindo

Esta ponte pode cair antes mesmo de ser inaugurado o asfaltamento São Sebastião a Santo Antônio

Contraste do progresso: rodovia quase pronta, atrações destruídas e ponte caindo
“O destino precisa parar de caprichar com a gente”. Estas as palavras de M.M.O. a DeFato na tarde desta segunda-feira, 16 de maio, em São Sebastião do Rio Preto, referindo-se à ponte que atravessa o Córrego Posses, na saída da cidade para Santo Antônio do Rio Abaixo, e está em estado precaríssimo. E completou: “Somente hoje passaram aqui duas dúzias de carretas carregadas, ela tremeu e parecia que era o seu último dia”.
 
Enquanto isso, a pavimentação asfáltica, iniciada em Passabém, passando pela cidade da ponte que ameaça cair, está na semana de ser concluída em Santo Antônio do Rio Abaixo, num total de 22 quilômetros de extensão. Apesar da crítica de alguns à qualidade do asfalto — um pouco grosso para evitar derrapagens e para suportar um trânsito infinitamente menor que de qualquer outra região do estado, de acordo com explicações de engenheiros da obra — a nova estrada mostra bom aspecto de arremate. De São Sebastião a Passabém a sinalização embelezou a rodovia e arranca elogios de qualquer crítico feroz.
 
A Contek Engenharia já se prepara para o dia da inauguração. “Fico feliz nessas cidades com a mudança da autoestima do povo. A gente nota que algo passou de mais ou menos para bom no sorriso das pessoas”, afirmou a DeFato o engenheiro Maurício Torres Sampaio, principal responsável da empreiteira. Mesmo sendo a Contek uma grande empresa e já acostumada com grandes obras, Sampaio não cansa de afirmar que essa obra ficará na sua memória para sempre pelas dificuldades encontradas e a alegria que está causando em muitas pessoas na pequena região. “Esse nosso trabalho aqui muito me orgulha e daria, com certeza, um livro”, confidenciou a DeFato.
 
E AS PONTES?
 
A ponte sobre o rio Preto parece ter sido descartada a sua duplicação pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), depois de algum estudo empreendido. Fontes do setor informam que há em Minas Gerais centenas de passagens sobre rios e córregos mais necessitadas e que será possível controlar o trânsito nesse local, apesar da curva perigosa que existe e do fluxo de veículos que teria aumentado de 12 veículos para 90 por dia.
 
“Mas quanto à pequena passagem sobre o córrego na rua Conceição do Mato Dentro, essa, não, o DER vai ter que tirar água em pedra, vai ter que fazer das tripas o coração, porque ela vai cair mesmo, está quase nesse ponto”, disse a senhora entrevistada, que pediu que citasse apenas suas iniciais.
 
E fica uma pergunta para o DER ou o próprio governo mineiro responder: de que vale ligar três cidades ao mundo, as menos populosas de Minas, preparando-as para o progresso, mas privando-as de viajar? Uma rodovia interrompida pela falta de uma pontezinha? Sem a ponte do Córrego Posses não haverá como passar mais nada, basta ver a foto e concluir. Ou o DER não tem mais olheiros inteligentes?
 
Outra promessa do DER seria a pavimentação com blocos de concreto num trecho de saída da cidade, extensão de aproximadamente 200 metros, a exemplo do que fez na Vila Antônio Bernardino, em Passabém.
 
CAMPO DE FUTEBOL
 
São Sebastião do Rio Preto espera, também, ansiosamente, a construção de um campo de futebol em local a ser ainda desapropriado pelo governo de Minas, de acordo com sugestão de engenheiros do DER. “A passagem da rodovia no antigo Estádio João Rodrigues de Moura o destruiu totalmente, transformando-o num horrível pedaço de terra que mais parece apropriado para um arrozal”, disse Gilmar Caldeira, filho da terra e locutor da Rádio Itatiaia.
 
Gilmar está preparando um documento a ser enviado ao governo Anastasia. Nele consta a “obrigação” assinada pelo DER, que assumiu a responsabilidade da reconstrução, mas até agora foi deixar a cidade sem uma atração, uma área de lazer, já durante três anos.