O homem amparado pela Amai

Orlando Pereira: há 13 anos na Amai

O homem amparado pela Amai
A Associação Municipal Assistencial Itabirana (Amai) é uma entidade que presta serviço de amparo a pessoas que tenham dependência química. Fundada em 1996, não possui fins lucrativos e busca implementar ações que alcancem também crianças e adolescentes. O normal é que os internos permaneçam um tempo médio de nove meses na instituição, mas uma história em especial chama a atenção: a de Orlando Pereira. Em 2011, ele completa 13 anos de centro de recuperação.
 
A direção da Amai busca informações sobre Orlando, para ajudá-lo ainda mais que já o ajuda. O personagem sofre de problemas mentais e frequenta também o Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Ele não se lembra dos nomes dos pais, embora garanta que a mãe já é falecida. A idade também não sabe. Aparenta ter mais de 60 anos, mas bate o pé e afirma que não passa dos quarenta e poucos.
 
As respostas de Orlando são sempre monossilábicas. Talvez seja o desejo voluntário de apagar o passado, ou alguma limitação causada pelos frequentes lapsos de memória. O interno chegou à Amai quando era morador de rua. Segundo a direção, ele bebia e fumava. Foi levado para lá pela Prefeitura de Itabira, há mais de uma década. O homem repete, a todo momento, que é natural de Barão de Cocais, mas ninguém conhece bem seu passado.
 
Orlando diz que gosta muito da Amai. Hoje ele trabalha na entidade e está acostumado com as pessoas de lá, segundo ele, sua nova família. Os parentes de verdade ele diz não quer mais ver. Fala que não sente vontade alguma de voltar para Barão de Cocais. Em relato, conta que tinha esposa e um filho, esse já casado. O rapaz teria uma empresa de fornecimento de marmitex, na cidade vizinha a Itabira.
 
Orlando conta que já trabalhou em várias atividades, mas não sabe identificar os períodos exatos. Chega a citar que trabalhou dirigindo caminhão trucado, na cidade de João Monlevade, transportando petróleo; se envolveu com política em Barão de Cocais trabalhando para um candidato que era um homem que tinha dois ferros velhos. Ainda de acordo com Orlando, prestou serviços próximo ao “Coelho”, na Rua Água Santa, e que uma lojinha de brinquedos nessa região era pertencente à sua família.
 
O relato mais curioso mostra que a paixão pelo futebol mexe com suas lembranças. Orlando garante a todos que foi treinador do Clube Atlético Mineiro e do São Paulo Futebol Clube. Diz que viajou até para a Europa com essas equipes. Mas a história que mais chama atenção é sua relação com ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira, Zico.
 
Orlando afirma que chegou a treinar junto de Zico, mas que teve um desentendimento com o Galinho. Por causa da desilusão com o jogador, foi embora para Florianópolis, no Sul do Brasil. Histórias de uma mente confusa, mas capaz de reproduzir os sonhos. Ao ser perguntado se sente saudades dessa época, Orlando é direto: simplesmente diz que não.
 
A conversa com o interno foi autorizada pela Amai e por ele. A entidade tem tomado providências junto aos órgãos competentes sobre a situação do interno. A instituição pede o apoio da comunidade no sentido de ter informações que ajudem a encontrar familiares de Orlando. Qualquer ajuda pode ser dada pelo telefone 3834-0897.