Consumidor abandona álcool e gasolina não será suficiente

O álcool subiu 29% em Belo Horizonte neste ano e, como a gasolina tem 25% deste combustível em sua mistura, ela ficou 9% mais cara no período. Resultado: os donos de carros flex migraram para a gasolina e o consumo aumentou 20% só na última semana, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis […]

O álcool subiu 29% em Belo Horizonte neste ano e, como a gasolina tem 25% deste combustível em sua mistura, ela ficou 9% mais cara no período. Resultado: os donos de carros flex migraram para a gasolina e o consumo aumentou 20% só na última semana, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom). Com tanta procura, o setor disse que vai faltar gasolina.

Na pior crise de preço dos combustíveis, o presidente do Sindicato dos Postos de Minas Gerais (Minaspetro), Paulo Miranda, diz que, assim como já está acontecendo em São Paulo, Belo Horizonte também deve sofrer desabastecimento. "No Brasil, 80% dos consumidores do etanol passaram para a gasolina desde a segunda quinzena de março", contou Miranda.

Entretanto, o governo federal não admite que há chances de faltar álcool ou gasolina. O presidente do Sindicato da Indústria de Álcool e Açúcar de Minas Gerais (Siamig), Luiz Custódio Cotta Martins, conta que participou de uma reunião com representantes de distribuidoras, postos, do governo e da Petrobras na última segunda-feira e ninguém admite ainda o desabastecimento.

Para Paulo Miranda, os preços ainda serão críticos pelo menos até a primeira quinzena de abril. A situação deve melhorar depois do dia 15, quando 80% das usinas estarão produzindo etanol, o que vai aliviar o preço da gasolina também.

Miranda afirma ainda que o limite máximo de produção da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, está refletindo no preço do litro de gasolina para o consumidor mineiro. Ele calcula que, para transportar o combustível do Rio de Janeiro e de São Paulo para complementar o abastecimento mineiro, o custo aumenta de R$ 0,08 a R$ 0,10. "A Regap já não estava dando conta de atender o Estado desde a entressafra passada, então, as distribuidoras trazem gasolina da Reduc (RJ) e Paulínea (SP)", informa.

Miranda destaca que as companhias distribuidoras aumentaram em R$ 0,30 o litro de gasolina não somente pelo frete, mas também pelo ICMS de 27% cobrado em Minas Gerais para a gasolina, responsável por aumento de R$ 0,06 no litro, e, o restante, por causa do álcool anidro que faz parte da composição da gasolina.