Pastor Carlinhos (PV) fala pela primeira vez sobre a polêmica do crucifixo

Presidente da Câmara de Monlevade, Pastor Carlinhos (PV), usou citações de dois religiosos da Igreja Católica para se defender

Pastor Carlinhos (PV) fala pela primeira vez sobre a polêmica do crucifixo
 
O presidente da Câmara Municipal de João Monlevade, Pastor Carlinhos (PV), não conseguiu manter seu voto de silêncio em torno da polêmica do crucifixo. Depois de diversas matérias publicadas na mídia monlevadense e regional, que abordaram o tema que vem mobilizando a opinião pública, o vereador resolveu falar.
 
Em seu discurso ocorrido na sessão ordinária da câmara nessa semana, Pastor Carlinhos afirmou que quer esclarecer alguns pontos da polêmica que, para ele, tomou dimensão inesperada por motivo de “politicagem”.
 
“Não entrarei no mérito do que sai na imprensa, pois não sou formado na área. Porém, há pessoas que estão se aproveitando da situação. Até quando me calei, disseram que era porque eu não tinha o que falar”, desabafou o vereador. Segundo ele, a imprensa chegou a procurar pessoas em sua cidade, Raposos, e ainda buscaram a opinião de ex-presidentes da Casa Legislativa que são evangélicos e nunca tiraram o crucifixo do Plenário. O fato o desagradou. “Tem blogs que dizem representantes da informação, mas são politiqueiros. Werneck e Juninho Starling não são evangélicos, não vivem conforme a religião. Quem são eles?”, esbravejou.
 
Outras matérias publicadas pela imprensa também deixaram Pastor Carlinhos indignado. “Teve jornal que disse que o meu próximo ato era tirar o símbolo da cidade (Igreja São José Operário). O jornal colocou, é lógico. Ele coloca o que quiser”, apontou o vereador.
 
Para finalizar o seu discurso, Pastor Carlinhos citou diversos textos em que havia o tratamento do mesmo assunto (Estado Laico). Dentre eles, referências aos pensamentos do Papa Bento XVI, que visitou o Brasil em maio de 2007, e de Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo naquele ano. “Então, respeitem o Papa”, desafiou o vereador.
 
Passagens citadas pelo vereador
 
·         Na sua recente visita ao Brasil, em maio passado, o papa Bento XVI afirmou: “O trabalho político não é competência imediata da Igreja. O respeito de uma sã laicidade […] é essencial na tradição cristã autêntica. Se a Igreja começasse a se transformar diretamente em sujeito político [….], perderia sua independência e sua autoridade moral, identificando-se com uma única via política e com posições parciais opináveis” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida, n° 4).
 
·         Não é, pois, aceitável que o Estado seja alocado a serviço de uma única corrente de pensamento.
 
·         Por isso mesmo também o templo católico não pode ser o local adequado para manifestações meramente cívicas ou políticas, seja qual for o seu colorido ideológico. Em tempos de plena liberdade democrática, o lugar para essas manifestações é a praça pública; ali a pluralidade das ideias e convicções tem o espaço mais adequado para as suas manifestações.
 
Fonte: Publicado n’O Estado de São Paulo, 13/10/2007. Igreja no Estado Laico por Dom Odilo P. Scherer.