Moradores reclamam de mineradora na zona rural de Santa Maria de Itabira

Estradas ficam em condições precárias com o tráfego de caminhões, principalmente quando chove

Moradores reclamam de mineradora na zona rural de Santa Maria de Itabira
Moradores das comunidades de Cuité, Tatu, Pedras e Limeira, no município de Santa Maria de Itabira, estão revoltados com a mineradora Rede Gusa, que explora minas em Cuité. Segundo denúncias, a empresa estaria cometendo irregularidades ambientais e deixando as estradas em situação precária.
 
A empresa atua no local há cerca de dois anos, com uma pequena mina na serra conhecida como Pico do Minério. A matéria-prima é retirada a seco, mas a empresa, segundo moradores de Cuité, está sem local de depositar o que sobra da operação. “Eles não fizeram barragem e estão jogando o rejeito nas estradas. Quando chove, por ser um material com muita areia, desce tudo para as reservas e para os riachos”, disse um denunciante.
 
O problema mais grave seria numa subida conhecida como Morro da Lavra. No meio da subida está localizado o acesso da área de exploração. Como o minério é transportado para cima, do meio do morro para baixo, a estrada fica esburacada, principalmente em épocas chuvosas.
 
“Na seca sofremos com a poeira, por causa do trânsito de caminhões. Agora com as chuvas, as estradas estão cheias de buracos”, detalhou outro morador, ao informar que vários quebra-molas foram feitos improvisadamente pelos moradores das quatro comunidades para diminuir a velocidades dos veículos de carga.
 
Problema antigo
Segundo informações colhidas pela reportagem, as vias de acesso a Cuité e demais localidades de Santa Maria de Itabira nunca foram boas. Sempre a população sofre com a impossibilidade de ir à cidade fazer suas compras, consultar um médico ou resolver outros problemas, por causa do barro, buracos e outros obstáculos no caminho.
 
Com a vinda da mineração, a expectativa das comunidades era de conseguir, além de empregos, estradas melhores – já que o transporte de caminhões passaria exatamente pelas mesmas vias de acesso. Mas isso não aconteceu.
 
No Tatu e nas Pedras, por diversas vezes moradores derrubaram árvores no meio do caminho, atravessaram caminhões e protestaram contra a empresa, em busca de resposta. O prefeito de Santa Maria de Itabira, Geraldo Coelho do Nascimento (Geraldo Noé) precisou intervir em favor da mineradora e acalmar os ânimos.
 
Como os caminhões são grandes e transportam cargas pesadas, a estrada de terra batida afunda e dificulta a vida dos motoristas de carros pequenos. Quem não tem experiência com estrada off roads, pode ficar entalado. “Caí num buraco e quase capotei meu carro na semana passada”, disse uma moradora de Itabira, que tem terreno em Cuité.
 
 
A empresa 
 
Segundo o diretor da Rede Gusa, Edson Lanes, as denúncias estão vindo “de onde não deveriam vir”. O diretor afirmou que a empresa trata com muita responsabilidade todos os processos operacionais e faz de tudo para manter as estradas em boas condições de tráfego.
 
Edson afirmou ainda que há uma empreiteira contratada para cuidar da manutenção das vias, mas com as chuvas, fica difícil manter os trechos em condições ideais – além de as estradas serem de responsabilidade municipal.
 
A respeito do rejeito, o diretor declarou que não existe. Segundo ele, ao longo dos trechos algumas cargas de minérios são despejadas, por problemas com caminhões, mas são recolhidas depois. “Não temos rejeito de minério, porque trabalhamos a seco”, retrucou. O representante da mineradora ainda chamou de “baderneiros” os moradores que chegaram a interromper o trânsito por causa dos problemas denunciados por eles.