Dorinha Machado continua na Câmara de Monlevade após cassação
Dorinha Machado manteve o silêncio sobre a cassação – Ela preferiu falar sobre campanha de trânsito promovida pela Câmara e parceiros no carnaval
A vereadora Dorinha Machado (PMDB) continua atuando na Câmara Municipal de João Monlevade, mesmo após cassação. Durante a sessão ordinária dessa quinta-feira, dia 10, a vereadora participou normalmente de seus deveres como secretária da mesa diretora.
Visivelmente abatida, Dorinha optou pelo silêncio ao ser solicitada pela imprensa para dar entrevista. Segundo ela, seus advogados em Belo Horizonte já estão cuidando do caso. Ela tem 10 dias para recorrer da sentença decretada no início deste mês pelo juiz da 150ª Zona Eleitoral de João Monlevade, Evandro Cangussu Melo, que pediu a cassação dos direitos políticos por seis meses.
Silêncio quebrado
O silêncio adotado pela vereadora Dorinha Machado nesta quinta foi quebrado pelo vereador Vanderlei Miranda (PR), que afirmou surpresa ao saber se sua cassação. “Estive na missa ontem (quarta-feira de cinzas) na igreja e me surpreende com as pessoas falando”, contou ele a colega. Segundo ele, ficou abismado também com o tanto de “olho gordo” que têm colocado na vereadora. “Aproveite a quaresma para rezar bastante”, sugeriu Vanderlei.
Defesa
A reportagem do DeFato tentou durante a tarde desta sexta-feira, dia 11, entrar em contato com o advogado Thiago Naves, do escritório Oliveira Filho Advogados, que está defendendo a vereadora no caso. Porém, a secretária Alexandra informou que o mesmo ainda não havia retornado do almoço.
Autor da denúncia acredita na Justiça
De acordo com o funcionário público e vereador suplente, Telles de Assis Guimarães, que é o autor da denúncia contra a vereadora Dorinha Machado, a Justiça será feita. Ele esteve presente à sessão ordinária da Câmara Municipal nesta quinta-feira e ficou surpreso em ver a pmdbista no Plenário. “Eu vi Dorinha fazendo boca de urna no Rúmia Maluf (escola estadual situada no bairro Satélite) no dia da eleição. Ela ainda desacatou o juiz de mesa e fugiu do local”, delatou. Para Telles, é certo o afastamento (imediato) da ex-presidente de Câmara. “Confio na Justiça”, revelou.
Saiba mais sobre o caso
Esta é a segunda vez que a vereadora Dorinha Machado (PMDB) tem o seu mandato cassado. Em 2009, o mesmo magistrado cassou o mandato dela sob alegação do uso indevido de uma sala da Rádio Alternativa durante a campanha. A ação não é permitida, uma vez que o veículo de comunicação tem concessão pública. Mesmo assim, a peemedebista retornou à Câmara após reverter a decisão no Tribunal Regional Eleitoral, em Belo Horizonte. Na época, ela afirmou ter usado uma sala do prédio onde a rádio está instalada, mas que a mesma não pertencia à emissora de rádio.
Desta vez, além da cassação, Dorinha recebeu uma multa de de 5.000 UFIRs (Unidade Fiscal de Referência), valor estimado em quase R$10 mil. Ela também recebeu a condenação a seis meses de reclusão domiciliar, pena esta convertida em prestação de trabalhos à comunidade.
Até esta noite, Dorinha Machado ainda não havia sido notificada da decisão judicial, da qual seus advogados irão recorrer.