Para muitos, o início do ano pode significar diversão ou descanso. No entanto, para o setor imobiliário representa muito trabalho para atender à demanda por imóveis para aluguel. Em Itabira, nos primeiros dias do ano, as imobiliárias já têm registrado crescimento da movimentação e a procura por imóveis está muito maior que a oferta. Segundo Everson César Acácio, proprietário da Habitar Imóveis, somente nos primeiros dez dias de janeiro a sua imobiliária registrou um aumento de 70% na procura de aluguéis em comparação aos últimos meses de 2010. “As pessoas ligam ou vêm à imobiliária e fazem reserva com o perfil do que procuram. A maioria dos imóveis captados não têm tempo de serem anunciados, por já terem cliente à espera. Com a mesma rapidez que entram, eles saem”, ressalta.
O empresário Marco Aurélio Garcia Matos, proprietário da Marco Aurélio Imóveis, explica que neste período do ano a procura cresce, mas junto vem o agravante da chegada de um grande número de trabalhadores de empreiteiras, da mineradora, de empresas que vêm para Itabira, além dos novos alunos da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). “O mercado imobiliário está aquecido, mas o ano começa com muita procura e pouca concretização de negócios, por não termos a quantidade e o perfil de imóveis para atender a todos. O mercado de construção em Itabira estava paralisado e agora voltou a crescer, portanto, a maioria dos imóveis que poderia atender a esse público-alvo está em construção, declara.
Para ele, mesmo a oferta estando baixa, se engana quem pensa que isso fará com que os imóveis disponíveis na cidade estejam com preços abusivos. O empresário ressalta que o locador que colocar um preço muito acima do mercado ainda correrá o risco de ficar com seu imóvel fechado, pois as pessoas procuram comodidade, mas principalmente preço. E a maioria busca por imóveis na área central.
Apesar de precisarem de imóveis para alugar e vender, os sócios José Geraldo Martins Valadares e Silvio Carlos de Andrade, da Portal Imóveis, comemoram a situação em Itabira, pois, para eles, esse é o mercado favorável. “Não tenho opção de imóveis para atender à demanda, principalmente neste início do ano. Tenho sempre cliente com reserva e estamos mesmo precisando de imóveis, tanto para locação como para vendas. Acreditamos que, se está faltando imóvel na cidade, o mercado se aqueceu. Ruim estaria se estivéssemos com imóveis sobrando”, avalia José Geraldo.
De acordo com Marcelo Azevedo (Shell), proprietário da Expansão Imóveis, considerando a grande cartela de imóveis para locação oferecida pela sua empresa, o mercado imobiliário local está passa por uma boa fase. Ele ressalta que, há dois anos e meio, em função das obras da mineradora na cidade, a procura por imóveis para locação realmente cresceu, pois Itabira recebe cada vez mais trabalhadores. No entanto, diz também que está sempre preparado e tenta conseguir um maior número possível de imóveis para oferecer opções a seus clientes.
Em relação ao crescimento na busca por imóveis para alugar, a imobiliária se prepara para receber a maior demanda em fevereiro, mês em que os novos estudantes da Unifei chegam à cidade. “De dezembro até meados de janeiro tivemos apenas nove alunos procurando aluguel. A movimentação maior começa em fevereiro quando os alunos retornam das férias e chegam 450 novos. Além desses, temos também empresas clientes que já anunciaram a vinda de 2.500 funcionários para a cidade. Temos muitos imóveis para oferecer e para todas as classes. O que dificulta um pouco é encontrar o imóvel com o perfil e local que a maioria dos clientes procura”, explica.
Os imóveis mais procurados por estudantes e trabalhadores são quitinetes, apartamentos ou casa de dois quartos, com valores entre R$500 e R$850. Para empresas, estudantes e trabalhadores que buscam montar repúblicas são necessárias casas de três e quatro quartos, com valores que podem chegar a R$1.500. Os bairros mais procurados são Centro, Caminho Novo, Amazonas, Areão e Pará.
Dificuldades
Como se não bastasse a mudança de cidade e de vida, a dificuldade para encontrar um imóvel em Itabira pode pegar de surpresa quem chega à cidade. Essa situação foi vivida pelo oficial de operação ferroviária Divanilson Nunes da Silva, 28 anos, que conseguiu um novo emprego em Itabira e rapidamente precisou se mudar. Vindo de Nova Era, ele conta que, logo de início, recorreu às imobiliárias, mas viu que os imóveis oferecidos tinham valores mais elevados do que procurava. Diante desse problema, Silva recorreu à ajuda de conhecidos na cidade e conseguiu negociar um imóvel com preço mais acessível.
Sorte que o estudante de engenharia ambiental da Unifei, Frederico Araújo de Castro, 21, não teve. Vindo de Montes Claros, e já na cidade há um ano, ele conta que logo que chegou, em janeiro do ano passado, não foi tão fácil encontrar um imóvel para morar. Residindo atualmente em uma república, o estudante está novamente na corrida por um outro imóvel.
Devido à mudança do campus da Unifei do bairro Amazonas para o Distrito Industrial, não só ele como vários estudantes estão buscando imóveis mais próximos da área central ou mesmo no bairro Gabiroba, que ficaria mais perto do novo campus. O que mostra que, além dos recém-chegados procurando aluguéis, os que já estão aqui e querem se mudar acirrarão ainda mais a “caça” pelos poucos imóveis oferecidos em Itabira, principalmente na área central. “Imagino que será ainda mais difícil do que da primeira vez que procurei”, afirma Frederico.
AUXÍLIO
O estudante de Engenharia de Saúde e Segurança da Unifei, Paulo Mateus Jamussi Gomes, 19 anos, vindo de São Paulo, chegou à cidade na mesma época em que Frederico e também encontrou dificuldades para alugar um imóvel. Após longa busca, morou em uma quitinete e depois foi para uma república.
A experiência de Paulo na república não deu certo, pois o ambiente não o estava agradando. De novo na busca por um local para morar, conheceu o casal Elizeth Bragança de Oliveira e Valtair Uriles Oliveira, da Igreja Presbiteriana de Itabira, que o acolhereu em sua casa.
Assim como o casal, outras famílias de igrejas locais também têm abrigado em suas residências jovens que chegam à cidade para estudar.
Paulo está de férias e, assim que retomar as aulas, pensa em montar uma república de estudantes evangélicos. Ele sabe que, para isso, primeiro precisa encontrar um imóvel adequado para o fim e já adianta: “Eu sei que isso não será fácil, principalmente mais próximo da área central”.
Oportunidade
Diante desse cenário de muita procura e pouca oferta de imóveis, há quem realmente comemore a chegada de cada vez mais pessoas para morar em Itabira. São aqueles que fizeram desse “caos” uma oportunidade de aumentar a renda familiar, alugando quartos em suas residências, construindo quitinetes ou pequenos apartamentos. Assim fez o comerciante, Antônio Cordeiro Lima, 46 anos, que tem uma casa com muitos quartos, bem localizada e vizinha ao atual campus da Unifei. Ele começou a alugar alguns quartos para estudantes e conta que seu irmão também conseguiu renda extra com a chegada da Unifei para a cidade. “Meu irmão alugou uma casa no bairro Amazonas que tem valor de R$500 por R$1.200. Ela foi transformada em uma república”. Conforme Lima, os inquilinos aceitaram o preço oferecido pelo seu irmão, justamente pela dificuldade de encontrar casas para alugar no bairro Amazonas e por essa ser bem localizada e próxima à universidade.
Venda
Segundo os proprietários de imobiliárias, o programa Minha Casa, Minha Vida é que tem movimentado as vendas na cidade. Voltado para famílias com renda de até R$ 4.900, entre os benefícios estão o subsídio de até R$ 17 mil dados pelo Governo Federal e os juros baixos, além da garantia de até 36 parcelas pagas em caso de desemprego. O programa financia até 100% do imóvel e o prazo de pagamento chega a 30 anos.
Em Itabira, a empresa MD Predial e a Caixa Econômica Federal assinaram um contrato para construção de 700 apartamentos na cidade, que poderão ser financiados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Os imóveis serão construídos nos bairros Praia: 72 unidades; Jardim das Oliveiras: 160; Praia: 168; Novo Amazonas: 60; Mauro Ribeiro: 40. Os preços de grande parte dos apartamentos devem girar em torno de R$ 80 mil a R$ 100 mil.
Segundo o sócio da Portal Imóveis, José Geraldo Martins Valadares, aqueles que buscam financiar um imóvel de até R$ 150 mil que não esteja incluído no programa do Governo Federal também sofrem com a falta de oferta.
Já o mercado para imóveis acima desse valor é menos concorrido, mas esbarra no problema da localização.