Cisne e Transita explicam a manifestantes aumento de passagem
Gerente geral da Cisne, Albino José Pinheiro, explicou que as regras estão no contrato
Integrantes do movimento contra o aumento do valor da passagem do transporte coletivo em Itabira, uma comissão de vereadores e o gerente geral da Cisne, Albino José Pinheiro, se reuniram nesta quarta-feira, 9 de fevereiro, na Câmara Municipal, às 14h. O objetivo era explicitar o motivo do reajuste (de R$ 2,55 para R$ 2,70) e propor medidas que pudessem ajudar na redução do valor da passagem.
Estiveram presentes no encontro, Fernando Pena, representante da Transita, Albino Pinheiro, e os vereadores da comissão formada para debater o assunto: Elson Ferreira de Sá (PMDB), Solimar José da Silva (PSDB), presidente da comissão, e Martha Mousinho Gomes Barbosa (PTN). Compareceram à reunião também o diretor da Câmara Municipal, Alexandre Banana (PT), e o vereador Neidson Freitas (PP). O secretário de Desenvolvimento Urbano, Rodrigo Zeferino, foi convidado, mas não compareceu.
Logo no início da reunião, o presidente da comissão, Solimar Silva, ressaltou que o encontro não tinha nenhuma conotação política. A afirmação foi confirmada pelos representantes do movimento, deixando claro que eles estavam ali representando a população como cidadãos comuns.
Fernando Pena, representante da Transita, iniciou as explicações sobre os motivos do reajuste da passagem do transporte coletivo e o motivo do passe em Itabira ser um dos mais caros do estado. Segundo ele, existe um cálculo pelo qual se divide o custo pelo número de pagantes e se chega ao valor da tarifa. “É levado em conta o custo fixo e os custos variáveis. São aplicados itens como custo de mão de obra, lucro da empresa, gasto de pneu, valor de combustível, manutenção, quilômetros rodados, dentre outros”, explicou.
Ele ressaltou ainda que não se pode comparar a tarifa de Itabira com a de outras cidades, pois as condições de cada município são diferentes. “Em algumas cidades, a prefeitura repassa o valor da gratuidade à empresa de transporte, o que não acontece aqui”, declarou. Fernando explicou ainda que não há câmara de compensação, porque, para isso, deveria ter mais de uma empresa de transporte na cidade.
Solimar questionou Fernando sobre o valor do combustível utilizado pelos ônibus e, se este fosse mais barato, qual seria a influência na tarifa final do transporte coletivo. Fernando disse que os ônibus usam o biodiesel metropolitano, que é um diesel com 5% menos de enxofre, sendo menos poluente ao meio ambiente, utilizado somente nas grandes cidades. Porém, o biodiesel é mais caro do que o combustível comum. No entanto, como o preço dele entra no cálculo, caso fosse mais barato, certamente interferiria no valor da passagem.
Em seguida, Albino, da Cisne, enfatizou que a empresa apenas presta um serviço público e não é responsável por reajuste de passagem, aumento de linhas e frota. A empresa segue o que é colocado no contrato feito pela Prefeitura. Segundo ele, a empresa atende 570 mil usuários por mês. Em 2008, ano em que foi fechada a licitação, a cidade possuía 536 mil usuários.
Os manifestantes também argumentaram sobre a falta de concorrência de uma outra empresa para atender à população. A resposta não foi clara; foi dito apenas que várias empresas concorreram à licitação na ocasião do processo.
Ausência do secretário
Para o estudante e representante do movimento contra o reajuste, Matheus Carlo Vieira, 19 anos, as explicações técnicas de como é calculado o aumento da passagem e as competências de cada órgão foram válidas, mas este não é o foco da manifestação. “Queremos um diálogo para conseguir soluções e medidas públicas da prefeitura para que a realidade seja modificada e mais justa”. Ele ainda lamentou o fato de o secretário Zeferino, representante da Prefeitura Municipal, não estar presente para ouvir as argumentações dos representantes da população itabirana.
Após todas as explicações e debates, os vereadores propuseram sugerir ao prefeito, através de indicação, algumas medidas que, se adotadas, farão com que o valor do transporte coletivo possa ser reduzido como: isenção do ISS e pagamento da gratuidade de todos os deficientes físicos da cidade, independente de renda.
Os líderes do movimento também estão recolhendo assinaturas da população para que sejam enviadas a João Izael, exemplificando a insatisfação dos itabiranos em relação ao preço do transporte público, a fim de que sejam feitas mudanças imediatas que beneficiem a todos.