Gigantes de Pena

José Flávio com um de seus cinco galos legítimos da raça índio gigante: esse mede 1,05m

Gigantes de Pena
O conteúdo continua após o anúncio


Uma mistura de galináceos cuidadosamente selecionados e cruzados deu origem a uma raça curiosa: os índios gigantes. Esses galos e galinhas têm como diferencial o tamanho que alcançam em sua fase adulta: uma média de um metro de altura. Além do tamanho, os índios gigantes adquirem peso muito mais rapidamente que uma raça comum. A criação pode servir para corte, mas também para ornamentação e comercialização. O resultado é um trabalho de mais de 20 anos, que despertou a atenção de um grupo de itabiranos. A maioria deles começou adquirindo os animais e ovos pela internet, o que gerou muita insatisfação. Eles afirmam que os galos não eram legítimos. Então, há alguns meses, esse grupo foi a Goiás, onde a produção e criação da raça começou. Lá puderam comprar os legítimos índios gigantes.
 
José Flávio lida com animais desde criança. Quando conheceu a raça, ficou muito admirado e quis comprar. Mas, como a maioria, comprou seus primeiros galos e galinhas pela internet. Após buscar seus animais em Goiás, ele conta que a história foi outra: os animais ficaram bem maiores. “Crio há dez anos, mas só agora possuo o legítimo”, conta.
 
Para José Flávio, a criação de animais é um hobby, em que ele busca a tranquilidade. Em sua casa e na chácara, há 150 pintos e frangos, 12 galinhas e cinco galos. Ele usa galinhas de raças comuns para chocar os ovos, porque a índio gigante é muito grande e, às vezes, chega a quebrá-los. Ele ainda destaca a importância dos amigos e companheiros na criação dos animais. “É sempre um ajudando o outro, com reuniões para discutir sobre as criações, doenças etc”, diz.
 
Outra característica que a índio gigante tem são as pernas compridas. Por isso, José Flávio conta que elas precisam de espaço. “Se ficam muito presas, passam a ter dificuldades para andar depois”.
 
Geraldo Pereira, outro criador, começou sua história diferente. Ao visitar um amigo, conheceu algumas raças de galos e galinhas e começou a pesquisar. Durante a pesquisa, descobriu a índio gigante, que cria há cerca de um ano e meio. Em seu plantel chega a ter 250 aves, que gosta de ver todos os dias. “Costumo dizer que é uma cachaça, um vício; não consigo chegar do trabalho sem dar uma olhada em todos e verificar se estão com algum problema. É realmente um prazer criar. Gosto de melhorá-los geneticamente, escolhendo os melhores exemplares para reprodução. Mas, para manter os custos temos que comercializar”, afirma.
 
Segundo Geraldo, as aves, como melhoradoras genéticas, têm preços diferenciados. Um pintinho na primeira semana de vida custa R$ 15 e vai aumentando o valor a cada semana, podendo chegar a R$ 500 na fase adulta, ou até mais. Isso acontece por causa do custo com alimentação e manutenção, que é proporcional ao tamanho.
 
A alimentação é como das raças comuns, comem normalmente ração balanceada, sendo distribuída da seguinte forma: ração inicial para os pintinhos e de uma certa idade em diante ração de engorda com milho. Já os reprodutores e matrizes comem ração de postura e capim. São criados em regime de semiconfinamento, liberados todos os dias para pastoreio.
 
Cláudio Apolinário também é um criador. Desde criança, gostava do galo combatente, mas a raça índio gigante chamou sua atenção há cerca de um ano. Quanto ao custo, Cláudio conta que é um pouco alto para adquirir os animais, mas para mantê-los o valor é razoável. “Cada galinha come em média 100 gramas de alimento por dia”. Ele explica que a vantagem é que a índio gigante cresce muito rápido: em cerca de três meses o animal está pronto para o abate.
 
Satisfeito com a raça, Cláudio destaca a eficácia da reprodução. “De qualquer galinha que cruzar com o índio gigante não sairá uma raça pura, mas melhorará muito a qualidade do animal”, afirma.
 
José Alardo já comprou seus animais aqui em Itabira e região, dos criadores que trouxeram de Goiás. Antes disso, também foi vítima das falsificações. “Cheguei a gastar R$ 120 em ovos comprados pela internet e não nasceu nenhum pinto”, lembra. Criando os animais por hobby, ele tem cerca de 300 índios gigantes, entre galos, galinhas, frangos e pintos. Quanto à reprodução, Alardo conta que galos com mais de 98 cm têm dificuldade para cruzar. “Eles ficam muito grandes e não conseguem ficar na posição correta”, diz.

Segundo ele, a comercialização da raça na região do Médio Piracicaba ainda não é muito valorizada. O dinheiro que arrecada na venda acaba revertendo em comida para os animais. “Ficam elas por elas, mas no meu caso e dos outros, como José Flávio, Claúdio e Geraldo, trabalhamos e cuidamos por prazer”, conta. Todos esses criadores itabiranos comercializam os animais, mas cuidam deles com muito prazer e atenção. “É muito mais lazer do que trabalho”, afirma Cláudio.   

Contatos: 
Cláudio Apolinário de Souza: 31 8688-3210, www.galosindiosgigantes.com.br 
Geraldo Pereira de Paula: 31 8520-2701, [email protected]