Madoff mineiro vai se entregar à polícia
Golpista financeiro mais procurado do país, o ex-investidor Thales Maioline, de 34 anos, garante que vai se entregar à polícia nas próximas 24 horas. Conhecido como Madoff mineiro, passou 140 dias foragido depois de ser acusado de sumir com R$ 86,1 milhões de 2 mil investidores de 14 cidades. Em entrevista exclusiva ao Estado de […]
Apareceu às 14h15 dentro do Mitsubishi Eclipse, ano 2007, avaliado em torno de R$ 100 mil. Daí em diante, rodou sem rumo com a equipe de reportagem pela periferia da cidade, protegido pela película escura dos vidros do carro. É o mesmo veículo, segundo ele, embargado pela Justiça de Minas em pagamento das vítimas do golpe, como humildes vendedores de biscoito de polvilho de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, que perderam as economias de toda uma vida. Na lista de prejudicados, há também altos investidores de mais de R$ 3,5 milhões, que lavavam dinheiro na Firv, já sabendo que o clube de investimentos operava sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Ministério da Fazenda.
Acompanhado da dupla de advogados de defesa, Marco Antonio de Andrade e Moisés Arcanjo de Assis, Maioline riu ao ser chamado de Madoff mineiro, apelido que ganhou ao ser comparado ao ex-investidor de Wall Street Bernard Madoff, condenado a 150 anos de prisão por operar esquema bilionário de pirâmide financeira nos Estados Unidos. “Eu não planejei o golpe como ele e nem fiquei rico. O que aconteceu foi que minha empresa faliu.” Também achou graça da hipótese de que estivesse escondido em ilha paradisíaca, torrando milhões desviados dos investidores da Firv ou curtindo a vida adoidado nos braços de bailarinas de tango em Buenos Aires, na Argentina. Admitiu, entretanto, que, no auge da crise da empresa, em fevereiro passado, fez um cruzeiro de luxo, passeando de transatlântico por Buenos Aires, Punta Del Este e Balneário de Camboriú, em Santa Catarina.
Responsabilidade
Com o mesmo poder de persuasão usado para atrair milhares de investidores para o clube de investimentos fraudulento, Thales Maioline diz que vai assumir sozinho a responsabilidade pelo erro. Ele conta que voltou ao Brasil diante da ameaça da prisão da irmã, Iany Maioline, e do amigo Oséas Marques Ventura, administrador da Firv, por formação de quadrilha. Os dois respondiam pela empresa na ausência de Maioline, com procuração registrada em cartório. Desde a fuga do ex-investidor estão jurados de morte pelas vítimas do calote. “Não aguentava mais fugir, não tinha mais dinheiro e não podia deixar a culpa recair sobre minha irmã e meu amigo. Não podia deixá-los pagar pelo meu erro. Mais dia, menos dia, alguém iria acabar morto”, afirma.
Ao se entregar à polícia, Maioline sabe que será preso, mas foi orientado pelos advogados de que a apresentação espontânea servirá como atenuante. Sendo réu primário e com residência fixa, não deve cumprir nem mesmo os cinco dias do período de detenção temporária, decretada pela Justiça em 9 de agosto. Será solto, possivelmente, antes ainda do Natal. “Perdi todo meu dinheiro, manchei a honra da minha família e vou passar o resto da vida me escondendo. Minha vida acabou” , desabafa.
Maioline não sabe o que fará do futuro, até que ocorra o julgamento do crime, mas pensa em voltar para o mercado financeiro. “É o que eu sei fazer, é o meu talento. Em um mês, sou capaz de pegar R$ 10 mil e transformar em R$ 50 mil, brincando. O problema é que Thales Maioline foi banido da bolsa, vou ter de operar com o nome de outra pessoa”, diz. Depois de ter perdido tudo, prejudicado milhares de pessoas e envolvido a família na confusão, não parece ter aprendido a lição de interromper o jogo no momento certo.