Minas Gerais bate recorde de exportações em 2010
Turbinadas pelo crescimento dos embarques e reajustes de preço do minério de ferro, as exportações de Minas Gerais devem atingir, ao final de dezembro, a cifra recorde de US$ 30 bilhões. De janeiro a setembro, as vendas internacionais já somam US$ 21,7 bilhões, uma expansão de 54,2% sobre o mesmo período do ano passado. É […]
Turbinadas pelo crescimento dos embarques e reajustes de preço do minério de ferro, as exportações de Minas Gerais devem atingir, ao final de dezembro, a cifra recorde de US$ 30 bilhões. De janeiro a setembro, as vendas internacionais já somam US$ 21,7 bilhões, uma expansão de 54,2% sobre o mesmo período do ano passado. É também um recorde para o período. Em contrapartida, alavancadas pelo câmbio valorizado, as importações registraram alta de 39,5% e já ameaçam, inclusive, setores tradicionais da economia mineira, como as indústrias têxtil e de bens de capital.
Segundo a presidenta do Conselho de Relações Econômicas Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Martha Lassance, os reajustes trimestrais nos preços de minério de ferro, que antes eram anuais, deram o principal impulso à expansão de 85,33% nas vendas do produto nos primeiros nove meses do ano, quando os embarques atingiram US$ 9,3 bilhões.
No período, o crescimento de volume foi de apenas 12%. O minério responde, hoje, por 42,81% das exportações do Estado. “Os setores que puxaram as exportações em Minas foram aqueles relacionados a produtos que tiveram ganho de preço, como o minério e produtos agrícolas”, avaliou Lassance.
As vendas externas em setembro somaram US$ 3,2 bilhões, uma pequena acomodação em relação à cifra recorde apurada em agosto, de US$ 3,3 bilhões, que superou o recorde anterior, de setembro de 2008, anterior à crise.
Com um crescimento no acumulado do ano de 54%, as exportações mineiras cresceram a uma taxa quase que duas vezes superior à média nacional no período, de 29,6%. A participação de Minas nas exportações do país, que historicamente beirava os 11%, hoje já chega a 15% do total nacional.
Apesar da projeção de um novo recorde dos embarques para 2010, Lassance vê com ressalvas a evolução das vendas externas do Estado, hoje focadas, principalmente, em produtos básicos (60%), com predomínio do minério de ferro . Os semimanufaturados respondem por 21%, e os manufaturados, por 19%.
Entre os segmentos que registraram queda, destacam-se os produtos têxteis (-6,43%), couros (20,45%), máquinas para mineração (-68,67%) e papel e gráfica (-42,81%).
“As indústrias brasileiras não estão gerando o suficiente para absorver novas tecnologias. Elas não têm rentabilidade para investir em aumento de tecnologia e produção. O cenário futuro que se desenha é muito difícil”, pondera a presidente do conselho da Fiemg, para quem o país já iniciou um processo de desindustrialização diante da concorrência dos importados.
“Do ponto de vista da academia, não há (desindustri-alização). Mas para a indústria, o processo já começou”, afirma, lembrando que várias indústrias brasileiras, inclusive mineiras, fabricam parte de “sua produção” em território chinês.
Lassance também pondera que, no caso do crescimento do emprego, o setor de serviços, principalmente o comércio, tem sido o principal gerador de novos postos.
“Não é a indústria brasileira que está se beneficiando da expansão do crédito”, pondera, lembrando o crescimento das importações de têxteis, máquinas e equipamentos e metalurgia.
No caso da metalurgia, que tem em Minas um forte produtor nacional, o crescimento das importações, de janeiro a setembro, chega a 67,96%. Já as exportações cresceram a uma taxa mais modesta no período, com uma expansão de 40%.
“Acho que a metalurgia pode estar indo para a trilha dos têxteis. É um setor em que a tecnologia não é muito elevada e no qual a China concorre com custos subsidiados, sem o controle ambiental que temos por aqui. E eles já começaram a entrar no nosso mercado”, avalia.