Brasileiro troca carro popular por modelo sofisticado

"Tem dinheiro sobrando no país". A afirmação de um gerente de concessionária de veículos de Belo Horizonte reflete a enorme euforia do setor, que vibra com o aumento nas vendas. E, principalmente, vendas de veículos mais sofisticados, robustos e que oferecem mais conforto. O fato é que os populares estão perdendo a vez na preferência […]

"Tem dinheiro sobrando no país". A afirmação de um gerente de concessionária de veículos de Belo Horizonte reflete a enorme euforia do setor, que vibra com o aumento nas vendas. E, principalmente, vendas de veículos mais sofisticados, robustos e que oferecem mais conforto. O fato é que os populares estão perdendo a vez na preferência dos clientes.

Para se ter uma ideia, em 2002, os veículos chamados de "entrada", os populares, que eram os mais procurados por quem ainda não tem carro, representavam 66,7% do mercado brasileiro. Já no ano passado, a participação caiu para 38,3% e, nos primeiros oito meses de 2010, para 36,6%. Isso significa que os carros não populares aumentaram a participação no total de vendas de 33,3% em 2002 para 63,4% neste ano.

Para Antônio Longuinho da Costa, gerente comercial da Pisa, que fez a afirmação do início da matéria, o aumento do poder de compra da população e os bons resultados da economia são os responsáveis pela fabricação de automóveis com muito mais recursos e preços competitivos. "Hoje, temos o modelo mais básico que já vem com alarme, trava elétrica, para-choque na cor e abertura interna do porta-malas", detalha. Segundo Longuinho, o Ford Fiesta, que é intermediário entre o popular e o de luxo, corresponde a 30% das vendas da concessionária. O modelo varia de R$ 27,9 mil a R$ 33,9 mil.

Crédito. Financiamentos em até 72 meses, sem entrada, com taxas de juros competitivas. A oferta é como passar mel na boca de criança. Quem quer comprar um carro, hoje, encontra tantas facilidades que pode até se dar ao luxo de fazer um investimento maior para ter um veículo mais sofisticado. Na Pisa, 60% das vendas são feitas através de financiamentos em 60 parcelas, com zero de entrada. Em alguns modelos, a concessionária paga o IPVA para o cliente. "Eles levam aquilo que está dentro do orçamento deles, de acordo com o valor da prestação", afirma Longuinho.

Mas de acordo com o presidente da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, o prazo médio de financiamento de veículos no país é de 48 meses. Um dos motivos é a grande depreciação do valor depois da compra do carro 0 Km e o lançamento anual de novos modelos com mais atrativos. "Hoje, as pessoas compram um carro em 48 meses.

Depois de dois anos, elas vão até a concessionária, vendem o veículo e compram um mais moderno, transferindo o financiamento", explica.

 
Status
Cliente busca mais que um meio de transporte