Anastasia e Hélio Costa adotam estratégias cada vez mais opostas
Os dois candidatos que polarizam a disputa ao Palácio da Liberdade – o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB) e o senador Hélio Costa (PMDB) – partem para as duas últimas semanas de campanha com estratégias opostas. Enquanto os tucanos vão investir no boca a boca, convocando a militância a ir de porta em porta pedir […]
Os dois candidatos que polarizam a disputa ao Palácio da Liberdade – o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB) e o senador Hélio Costa (PMDB) – partem para as duas últimas semanas de campanha com estratégias opostas. Enquanto os tucanos vão investir no boca a boca, convocando a militância a ir de porta em porta pedir o voto em Anastasia. o peemedebista aposta na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais. Com recentes pesquisas mostrando que o cenário é de indefinição, ambos trabalham para uma decisão já no primeiro turno.
À frente do adversário, conforme pesquisas eleitorais, Anastasia deve contar com um reforço das bases. Depois de se tornar mais conhecido com os programas eleitorais de televisão e ter seu nome vinculado ao do ex-governador Aécio Neves, os tucanos partem para uma aproximação mais direta. Contam com os militantes para capilarizar o contato direto com o eleitor. “Estamos telefonando para as lideranças, para os prefeitos e vamos pedir para botarem os vereadores e os aliados para trabalhar de casa em casa. É nessa hora que eles têm que efetivamente ir às ruas e fazer uma propaganda forte. Esta é nossa orientação”, afirmou o secretário-geral do PSDB mineiro, deputado estadual Laffayette Andrada. Segundo o comando da campanha, o contato direto com os eleitores do estado foi determinante para que o governador assumisse a liderança nas pesquisas. Na última pesquisa Ibope, o governador obteve 41% das intenções de votos, ampliando a vantagem sobre Hélio Costa, que caiu para 32%.
“Toda nossa campanha tem sido feita literalmente com os pés no chão, no contato direto com o eleitor e apresentando os novos compromissos que assumimos com a população. O governador Anastasia é um homem simples e sereno, e os eleitores têm reconhecido nele as melhores qualidades do povo mineiro. Nossos candidatos Anastasia, Aécio Neves e Itamar Franco têm sido recebidos em todas as regiões com grande afeto e reconhecimento pelo trabalho que fazem por Minas”, disse o deputado Narcio Rodrigues, presidente do PSDB de Minas e um dos coordenadores da campanha do governador.
A recente virada de Anastasia nos levantamentos de preferência do eleitorado fizeram a campanha de Hélio Costa intensificar a presença de Lula, maior estrela petista, e da candidata a presidente, Dilma Rousseff (PT), em solo mineiro – nas últimas semanas já foram dois grandes comícios. A vinculação da eleição em Minas com o pleito nacional continuará sendo a principal arma do candidato. “Quantas vezes forem necessárias (o presidente voltará). Temos a certeza de que na semana que vem ele deverá voltar. Estamos programando ainda a cidade, pode ser Montes Claros (Norte de Minas), Governador Valadares (Vale do Rio Doce) ou também no Sul de Minas”, afirmou Hélio, que ontem visitou o Alto Vera Cruz, Região Leste, e o Morro do Papagaio, Região Centro-Sul da capital.
Dilmasia
Em uma eleição pautada pelos exemplos de infidelidade partidária, o Dilmasia – apoio em Dilma para presidente e Anastasia para o governo – causou reações diferentes das campanhas de Hélio e Anastasia. O peemedebista afirmou no domingo que prefeitos dos partidos aliados que participaram do movimento serão punidos. “Certamente, serão retirados do partido logo depois da eleição e sabemos disso. O PT e o PMDB já pediram que eles saiam do partido”, afirmou. De acordo com Costa, no entanto, não são petistas nem peemedebistas que estão aderindo ao Dilmasia. “São situacionistas. Quem estiver no palácio é o partido deles”, disse.
Já o lado tucano admite que partidos aliados ao tucano em Minas também fazem parte da base do presidente Lula. “Não estamos detectando entre prefeitos do PSDB o Dilmasia. Agora, existem outros partidos que da mesma forma que são nossa base são da base do Lula. Nossa orientação é para votar no José Serra (candidato a presidente)”, disse Laffayette Andrada. O secretário do PSDB negou que o governo Anastasia esteja impondo qualquer tipo de pressão aos líderes regionais. “Não há nada disso, o que há é um sentimento de gratidão dos prefeitos de todos os partidos pelo tanto que esse governo fez por eles. Pressão nem tem como fazer, já que desde 30 de junho a legislação proíbe a liberação de convênios e emendas”, disse.