Trincas e rachaduras ameaçam igreja tombada em Santa Bárbara
Thelma Aparecida integra conselho da igreja e diz estar preocupada com problemas estruturais do templo religioso
A última intervenção na igreja foi realizada há 12 anos e, desde então, não houve mais serviços no prédio. Nos últimos dias, uma engenheira civil, de uma organização não governamental de Santa Bárbara esteve no local e garantiu aos responsáveis pelo templo católico que a situação é grave. O próximo passo, informa Thelma, será comunicar às autoridades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo tombamento individual em 30 de agosto de 1941, para que sejam tomadas as providências necessárias. A matriz faz parte do núcleo de Brumal, sob proteção do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG), desde 1989, e do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural, desde 14 de abril do ano passado.
“Todos aqui estão muito preocupados com a ameaça ao nosso patrimônio. Outro problema muito sério são as abelhas, que infestam o interior da igreja, principalmente as torres, impedindo até o toque dos sinos. Às vezes, elas ficam voando na porta principal”, conta Thelma, lembrando que a igreja não foi interditada e continua em funcionamento para missas, batizados, casamentos e outras cerimônias. “Se ninguém tomar uma atitude, vamos ter que nos unir para salvar a nossa matriz”, acrescenta.
O padre Gentil José Soares da Silva do Curato de Nossa Senhora das Graças, que inclui Brumal e o Santuário do Caraça, destaca a relevância da igreja para a comunidade local. “Não se trata apenas de um bem religioso, mas cultural”, observa. Em breve, o padre terá em mãos um relatório técnico sobre a situação preparado pela engenheira civil de Santa Bárbara. A diretora de Cultura da Prefeitura de Santa Bárbara e presidente do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural, Marli Bicalho, diz haver um projeto de revitalização do núcleo histórico, incluindo a igreja: “O que existe é uma infiltração do lado esquerdo, mas estamos atentos”. O Iepha informou que está programada uma vistoria dos técnicos para outubro, podendo ser antecipada diante da urgência.
Furto e festa
A Igreja de Santo Amaro de Brumal ganhou destaque nacional quando, há exatos sete anos recebeu de volta sete peças sacras do século 18 – quatro palmas de madeira, um calvário e dois anjos – furtados do seu acervo em 23 de julho de 2003 e recuperados em menos de um mês pela Polícia Federal, em antiquários e residências de São Paulo (SP). Foi a primeira devolução do acervo de 121 objetos apreendidos pelos agentes federais e identificados pelos técnicos do Iphan. No amplo gramado sobre o templo, houve festa, reza e muita alegria.
Os católicos ainda esperam o retorno de outras cinco imagens desaparecidas há 29 anos, da mesma igreja. Os ladrões levaram São Benedito, São Francisco, Sant’Anna Mestra, Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio. Desse último, ficou apenas o Menino Jesus, que estava quebrado e guardado numa gaveta.