Bancadas do PMDB e do PT devem crescer no Senado
Se for mesmo eleita presidente, como apontam as pesquisas, a candidata do PT, Dilma Rousseff, terá um Senado muito mais dócil do que o governo Lula. As consultas de intenção de voto mais recentes indicam que a estratégia de Lula de trabalhar um conjunto mais amistoso no salão azul deu certo. Os partidos aliados podem […]
Os governistas, em especial, o PMDB, estão em festa. Em conversas reservadas, há quem diga que eles terão tudo para permanecer no comando do Senado. Se as pesquisas estiverem corretas e eles conseguirem ainda pular a fogueira da Lei Ficha Limpa que chamuscou nomes como o de Jáder Barbalho, do Pará, ficarão com a maior bancada: 19 senadores. O PMDB aposta ainda em virada no Rio de Janeiro, onde, pela última consulta, Jorge Picciani aparecia em quarto lugar, atrás do petista Lindbergh Farias, de Cesar Maia e Marcelo Crivella. Se a mudança de posição ocorrer, o PMDB pode chegar a 20 senadores. Nos bastidores, os peemedebistas têm dito que, com Sérgio Cabral praticamente eleito, a prioridade dessas semanas se volta para os candidatos a senador, Picciani e Lindbergh. Mas o presidente Lula não se envolverá nessa campanha, porque tem no senador Crivella um aliado leal no Rio.
Logo atrás, vem o PT, que se prepara para eleger 12 senadores, quatro a mais do que tem nesta legislatura, e ficar com 13 – isso por causa do suplente de Renato Casagrande (PSB-ES), a quem muitos já se referem como futuro governador do Espírito Santo, uma vez que as pesquisas mais recentes indicam a vitória no primeiro turno. O PT ficaria, neste caso, empatado em número de senadores com o PSDB, que ficará com 13 senadores, três a menos do que tem hoje.
Quem perderá mais em termos de senadores é mesmo o DEM. Por isso, na oposição a palavra de ordem para as próximas três semanas é só uma: sobrevivência. Os senadores que ainda estão em campanha, mas apresentam boa pontuação nas pesquisas, vão para as ruas de olho no desempenho dos colegas de partido em outros estados, mas tratam de esconder as preocupações futuras. O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, é um exemplo. No estado, o parlamentar lidera as sondagens de intenção de votos e a tucana Lúcia Vânia garante a reeleição, segundo as estimativas. Demóstenes também comemora o desempenho eleitoral de Marconi Perillo (PSDB), favorito para levar o governo goiano. Mas, quando o assunto é a bancada da oposição no Senado em 2011, o senador desconversa. "Tem que ver quantos vamos eleger e a partir daí definir a estratégia", afirma, de olho na própria campanha.
O PSDB também evita fazer essas contas. O senador Agripino Maia (DEM-RN), ex-líder do seu partido na Casa, no entanto, ainda tem esperanças em uma virada dos candidatos tucanos. "Qualquer cálculo é prematuro. Quem garante que Paulo Bauer (PSDB-SC) não vai ser eleito e que Paulo Paim (PT) vai ser eleito? Tudo isso é muito prematuro", alega. Ele cita, por exemplo, o caso de Antonio Anastasia, candidato ao governo mineiro, que começou a reagir nas pesquisas e está hoje disputando vota a voto com o candidato do PMDB, Hélio Costa.