Polícia fecha o cerco a motoristas que não aderiram à cadeirinha

Apenas três motoristas que insistiram em transportar crianças com idade inferior a sete anos e meio nos automóveis sem a utilização das cadeirinhas foram multados em Belo Horizonte até a tarde desta quarta-feira (1º). A fiscalização referente à Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) já está em vigor em todo o Estado. Os […]

Apenas três motoristas que insistiram em transportar crianças com idade inferior a sete anos e meio nos automóveis sem a utilização das cadeirinhas foram multados em Belo Horizonte até a tarde desta quarta-feira (1º). A fiscalização referente à Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) já está em vigor em todo o Estado. Os infratores vão receber uma notificação no valor de R$ 191,54, além de perderem sete pontos na carteira de habilitação e ter retido o veículo.

O Batalhão de Trânsito da Polícia Militar será o único órgão responsável por autuar na capital. A BHTrans e a Guarda Municipal participarão apenas de campanhas educativas. Portanto, os policiais trataram de colocar a lei em prática logo pela manhã durante uma blitz na Via Expressa, altura do número 3.333, Bairro Coração Eucarístico, Região Noroeste.

E a “falta de tempo” foi a principal desculpa dos infratores em BH. Juliano de Almeida e Eliedes Pereira argumentaram que a pressa os forçaram a levar o bebê de 2 meses e os outros dois filhos, de 3 e 6 anos, no banco de trás do carro de um vizinho, desprezando qualquer tipo de proteção. Ao ser parado pela polícia na Via Expressa, o casal tentou se justificar e teve que completar o trajeto de Betim (Região Metropolitana) ao Centro em um taxi.

“Nem lembramos das cadeirinhas. Sei que é errado, mas nestas horas não avaliamos o risco de vida que nossos filhos correm”, argumentou Eliedes, que carregava o recém-nascido no colo, enquanto as demais crianças dividam o espaço com outro familiar. O amigo condutor acabou penalizado.

O tenente Orleans Dutra, comandante da 1ª Companhia de Polícia de Trânsito, esclareceu que aqueles que estiverem em situação irregular só serão liberados após cumprirem a medida. Isso significa que o motorista deverá providenciar a cadeirinha adequada – bebê conforto (bebês até 1 ano), cadeira de segurança (1 a 4 anos) e assento de elevação (4 aos 7 anos e meio).

Pegar um ônibus coletivo, táxi, veículo escolar ou de aluguel, aos quais a lei não se aplica, com as crianças e posteriormente reaver o carro são as outras alternativas. Dentre elas, Vanilda da Consolação optou pela mais simples. Assim que assinou a multa, ela ligou para o sogro pedindo o assento do filho de 6 anos. “Esqueci de trazer o equipamento, pois não costumo andar neste carro”, lamentou.

Apenas os condutores de automóveis com fabricação anterior ao ano de 1998, que não possuem o cinto de três pontas no banco traseiro, escaparam de uma possível punição. É que o cinto abdominal mostra-se incompatível com o assento elevado, para passageiros de 4 a 7 anos e meio. Porém, a fiscalização relativa ao transporte de recém-nascidos e crianças de 1 a 4 anos se manteve normal, mesmo que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) não certifique cadeirinhas adaptáveis ao cinto abdominal.

Então, a aplicação e eficácia da resolução continuam a preocupar os proprietários de veículos considerados “antigos”. Cláudia Carvalho fixou a cadeira para Arthur, de 1 ano e 10 meses, no seu Voyage 1992, intercalando o cinto do passageiro dianteiro e o de duas pontas traseiro.

“Meu marido fez isso para deixar o aparato bem firme. É a integridade física do nosso filho que vale”, comentou. Os policiais vistoriaram o equipamento e aprovaram a iniciativa. “Indico aos pais a procurarem as cadeiras que satisfaçam a sua necessidade”, avisou o tenente Dutra.

O ortopedista Gilberto Brandão completa e garante que os pais nunca devem transportar as crianças nocolo. “Em uma frenagem brusca ou colisão, a reação das pessoas é a de abrir os braços, soltar a criança. Muito provável que ela seja lançada”, disse.

O tenente Dutra também alertou que legislação exige o cinto de segurança às crianças com idade su[TEXTO]perior a 7 anos e meio.