Frio: casos de doenças respiratórias aumentam 20%
O frio, acompanhado pela baixa umidade do ar, aumenta em 20% o número de casos de doenças respiratórias em crianças, em Belo Horizonte. Segundo a presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia, Valéria Maria Augusto, as crianças são mais suscetíveis às doenças virais e alérgicas. “A própria constituição do sistema respiratório das crianças, que apresenta reduzido […]

O frio, acompanhado pela baixa umidade do ar, aumenta em 20% o número de casos de doenças respiratórias em crianças, em Belo Horizonte. Segundo a presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia, Valéria Maria Augusto, as crianças são mais suscetíveis às doenças virais e alérgicas. “A própria constituição do sistema respiratório das crianças, que apresenta reduzido diâmetro das vias respiratórias, é um fator que justifica o crescimento do número de casos”, avalia. As enfermidades vão desde um simples resfriado, ou uma gripe, até casos mais agudos de rinite, sinusite e pneumonia.
Para Luciane Fernandes da Silva, 31 anos, frio é sinônimo de doença respiratória. Nesta terça-feira (17), no Hospital Infantil João Paulo II, ela acompanhava o filho, Thiago Vinícius, 7, que sofre de rinite alérgica. “Com esse tempo, a doença se agrava. Ele começa a tossir e fica com os olhos e a garganta irritados”, disse a mulher que, para driblar as causas da alergia, tenta manter a casa constantemente limpa. “A poeira é o pior inimigo, por isso, em vez de varrer, prefiro utilizar pano úmido”.
A auxiliar de serviços gerais Valdilene Barros Santos, 29, mãe da pequena Cláudia Eduarda, de um ano e oito meses, além de oferecer bastante água para a filha, coloca uma bacia cheia de água em baixo do berço da criança. “Ela tem bronquite asmática e, com esse tempo frio e seco, a situação piora”, conta a mulher, enquanto aguardava com a filha no colo por atendimento médico.
A diretora do Hospital Infantil João Paulo II, antigo Centro Geral de Pediatria, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), Helena Maciel, explica que, neste período, em decorrência do frio excessivo e da baixa umidade do ar, é comum o aumento de 20% no número de atendimentos, que chega a 240 por dia. Já no Hospital Felício Rocho, informou a assessoria de imprensa, o aumento é de 25%.
Na madrugada desta terça-feira, os termômetros registraram a terceira menor temperatura do ano na capital. De acordo com o 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros marcaram 9,7 graus. O Climatempo Meteorologia informou que, no aeroporto da Pampulha, às 6 horas, a temperatura era de 8 graus. Já em relação a umidade relativa do ar, conforme o Inmet, a média na capital nos últimos dias tem sido de 35%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera preocupante índices de umidade do ar abaixo de 30%. A umidade relativa do ar ideal deve girar em torno de 50% a 80%.
Ainda de acordo com a pneumologista Valéria Maria Augusto, a baixa resistência das crianças também contribui para a disseminação de doenças respiratórias, uma vez que, em muitos casos, elas estão expostas ou em contato pela primeira vez com determinados tipos de vírus, como o influenza, que provoca a gripe. Para tentar prevenir as doenças respiratórias, Valéria recomenda: manter ambientes internos abertos e ventilados; no período da noite, colocar uma vasilha de água morna ou uma toalha molhada nos quartos; e ingerir bastante água, para evitar a desidratação e o ressecamento das vias aéreas. Sobre a prática da natação, a médica desaconselha a atividade, principalmente para as crianças alérgicas. “A água clorada, quando inalada, funciona como irritante das vias aéreas”, assinala.
Segundo o meteorologista José Felipe Farias, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), a variação climática que atinge a capital nos últimos dias é ocasionada por uma frente fria, formada do extremo sul do país, que passou pela região rumo à região norte. “A característica de uma frente fria é que, após a sua passagem, logo na retaguarda, vem uma massa de ar seca e fria, causando queda na temperatura”, explica.
Ainda de acordo com o meteorologista, as temperaturas continuam baixas na capital até o próximo domingo, com gradativa elevação da temperatura máxima, que não passa de 24 graus. A mínima vai oscilar entre 8 e 12 graus. A cidade onde os termômetros registraram a temperatura mais baixa durante a madrugada dessa terça-feira (17) foi em Florestal, na Região Central, com 5,9 graus.





