Crédito educativo fica mais acessível
Os bancos estão investindo mais em linhas de financiamento para estudantes, o chamado crédito educativo. Além de pagar só metade enquanto estudam e quitar a outra metade só depois da formatura, outra vantagem são os juros. As taxas, que variam de zero a 1,89% ao mês, praticamente metade das cobradas em linhas de crédito direto […]
Os bancos estão investindo mais em linhas de financiamento para estudantes, o chamado crédito educativo. Além de pagar só metade enquanto estudam e quitar a outra metade só depois da formatura, outra vantagem são os juros. As taxas, que variam de zero a 1,89% ao mês, praticamente metade das cobradas em linhas de crédito direto ao consumidor, que ficam entre 3,5% e 4% ao mês.
O Itaú-Unibanco começou a oferecer o produto no início deste ano. O Santander/Real pretende lançá-lo nos próximos meses. Pioneiro, o programa Pravaler, da Ideal Invest, correspondente do banco ABC, já repassou R$ 163 milhões a faculdades desde 2006.
No Brasil os estudantes começam a pagar parte do empréstimo (50% da mensalidade) já no começo do benefício. Assim, sobra um resíduo menor após a formatura.
Os juros são menores, parecidos com os do empréstimo consignado. A universidade arca com um percentual desses juros. Como contrapartida, ela zera o seu risco de inadimplência, que atualmente chega a 23%.
No caso do Pravaler, a maioria dos estudantes que recorrem ao crédito trabalha o dia todo, tem 24 anos e postergou a entrada na faculdade por questões financeiras.
O valor médio da mensalidade do estudante com financiamento costuma ser superior ao do aluno que paga com recursos próprios.
"É o estudante que seria eletricista, mas queria se tornar engenheiro. Podia pagar um curso de enfermagem, mas sonhava fazer medicina. Com o financiamento, eles escolhem o curso que querem, e não o que podem pagar. Geralmente, é a primeira pessoa da família com curso superior’’, explica Carlos Furlan, diretor da Ideal Invest.
Para Marcos Magalhães, diretor do Itaú-Unibanco, 800 mil pessoas poderiam acessar o ensino superior a cada ano, mas não o fazem por problemas de renda.
Casada e mãe de duas meninas, de 7 e 9 anos, Marcia Bezerra Pinto, 28, trabalha com organização de eventos e decidiu retomar os estudos no ano passado, após o marido terminar a faculdade. Depois de iniciado o curso, optou pelo financiamento do Pravaler. "Estava muito apertado porque a faculdade que escolhi é muito cara. Queria fazer o curso com mais tranquilidade", afirmou Marcia.
Riscos. O tempo de financiamento chega a oito anos; é tão longo quanto o do empréstimo imobiliário, só que sem garantias. Se o mutuário não paga a prestação, o banco toma a casa. Se o recém-formado não pagar, o banco perderá o dinheiro emprestado.
Para que as instituições não corressem esses riscos, foi estudado um modelo viável, com juros mais baixos e acessíveis. Assim, os bancos comerciais passaram a enxergar o crédito educativo de uma nova maneira: como um mercado potencial, que surge com a emergência das classes C e D.
Empréstimo vai ajudar na conclusão de curso
O cenário para financiar cursos universitários é desanimador. Por isso, o crédito educativo é a modalidade de financiamento que ainda tem dificuldade de se viabilizar no Brasil. O motivo não poderia ser mais cruel: financiar o estudante brasileiro envolve altíssimo risco, na visão dos bancos.
A qualidade do ensino é ruim, os estudantes chegam despreparados à universidade e a chance de desistência é altíssima.
De cada 100 ingressantes, só 42 vão terminar o curso superior, segundo o Sindicato das Universidades Privadas (Semesp).
Para piorar, não há garantia de que o recém-formado conseguirá entrar no mercado de trabalho. E, ao contrário de financiamentos de carros, onde o bem pode ser tomado, não há garantia.