Adservis dá calote em 4.000 trabalhadores de Minas Gerais
O Ministério Público do Trabalho (MPT) apura – só em Minas Gerais – 23 denúncias de instituições públicas e privadas contra Adservis Multiperfil. A empresa, que há 43 anos presta serviços terceirizados, inclusive para o Senado, deixou de pagar aproximadamente 4.000 funcionários. Com isso, serviços como limpeza, manutenção de equipamentos e atendimentos foram prejudicados. O […]
O Ministério Público do Trabalho (MPT) apura – só em Minas Gerais – 23 denúncias de instituições públicas e privadas contra Adservis Multiperfil. A empresa, que há 43 anos presta serviços terceirizados, inclusive para o Senado, deixou de pagar aproximadamente 4.000 funcionários. Com isso, serviços como limpeza, manutenção de equipamentos e atendimentos foram prejudicados.
O calote pode ser ainda maior, já que a Adservis, com sede no bairro Floresta, atua em 200 municípios de dez Estados brasileiros. Em Minas, o MPT está intermediando os rompimentos dos contratos, que não foram cumpridos, para garantir os direitos trabalhistas. Até agora, segundo o presidente da empresa, José Vicente Fonseca, já foram gastos R$ 12 milhões para quitar dívidas.
"A Adservis deixou de pagar salários e também o décimo terceiro, vale-transporte, INSS e fundo de garantia dos trabalhadores. Muitos funcionários deixaram de ir trabalhar, atrapalhando o funcionamento das empresas contratantes", afirma a procuradora do trabalho Adriana Augusta de Moura Souza. Segundo ela, os problemas começaram no ano passado.
Dentre as instituições prejudicadas em Minas Gerais estão a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, o Hospital Odilon Behrens, o terminal rodoviário de Belo Horizonte, a Fiat, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a BHTrans, o Tribunal de Justiça do Estado e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente.
Ainda conforme a procuradora, a maioria dos contratos já foi rompida e as empresas estão pagando os trabalhadores com o dinheiro que repassariam para a Adservis. Outras licitações estão sendo abertas para a substituição da terceirizada e a mão de obra dos funcionários está sendo aproveitada nos novos contratos.
"Ficamos dois meses sem alguns documentos por causa de um erro da Receita Federal. Dessa forma, ficamos impedidos de receber de órgãos governamentais. Isso nos causou um abalo financeiro", justificou José Vicente Fonseca.
De acordo com ele, a empresa vive uma situação financeira complicada. Embora tenha preferido não quantificar, Fonseca informou que perdeu vários contratos. A pior situação foi em Minas Gerais.
Longe do Senado por dois anos
A empresa Adservis Multiperfil foi punida por descumprir contratos também no Senado Federal. De acordo com a assessoria de imprensa da Casa, saiu ontem a determinação de que a empresa não poderá participar de licitações no órgão durante os próximos dois anos.
Além disso, a empresa foi multada em R$ 972.677,24, valor que se juntará aos R$ 3,8 milhões que ela já teria que pagar como multa. Ela havia ganhado uma licitação para a contratação de 1.272 funcionários terceirizados, mas perdeu esse direito. Nova concorrência será realizada nos próximos dias. (TL)