Viciado em fumo fica sem ajuda em Minas
Dos mais de 800 municípios mineiros, apenas quatro têm programas públicos efetivos de apoio aos fumantes interessados em largar o cigarro Discursos não faltam, campanhas também não. As estatísticas são cada vez mais alarmantes e as leis, mais restritivas. Quando, enfim, essa corrente de força convence um fumante a parar de fumar, o futuro […]

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| Dos mais de 800 municípios mineiros, apenas quatro têm programas públicos efetivos de apoio aos fumantes interessados em largar o cigarro |
A cada seis segundos, o cigarro suga uma vida no mundo. O dado é da Organização Mundial de Saúde (OMS), que, este ano, traz um alerta: se medidas não forem tomadas, até 2030, 8 milhões de pessoas terão perdido a vida por causa do vício. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 24, 6 milhões de fumantes, o equivalente a 17, 2% da população acima de 15 anos. Minas Gerais está acima da média. Segundo o IBGE, o percentual mineiro é de 17,6% da população com mais de 15 anos.
Benedita da Silva, de 61 anos, bem que tentou. Fumante há 20, ela resolveu, no ano passado, que ia largar o vício e, quando soube do tratamento no SUS, inscreveu-se no programa no Posto Providência, na Região Norte, um dos nove credenciados em BH. “Entrei numa lista e fiquei esperando quatro meses. Não fui chamada até hoje e já desisti de abandonar o cigarro. Além disso, conheço pessoas que fizeram o tratamento pelo SUS e estão fumando mais ainda”, conta, descrente com o serviço.
“É um programa embrionário. Além das poucas unidades que o SUS oferece, às vezes faltam remédios para os atendidos”, reconhece a presidente da Comissão de Controle do Tabagismo da Associação Médica de Minas Gerais, Maria das Graças Rodrigues de Oliveira. Também coordenadora do Programa do Controle de Tabagismo e Tuberculose da SMSA, ela ressalta que os nove postos atendem grupos de 10 a 15 pessoas. “Por isso, há filas.”
Segundo Estela de Cássia Pereira, referência técnica de Promoção à Saúde/Tabagismo da Secretaria de Estado de Saúde, a procura é grande. “O programa é regulamentado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, e funciona da seguinte forma: para ser credenciado, o posto tem de estar capacitado, com equipe preparada para atuar, com médicos, psicólogos e farmacêuticos. Além disso, não pode ter funcionários fumantes. O tratamento dura um ano e meio e são quatro seções em grupo, trimestralmente.”
Mas na prática é diferente. Segundo Estela, como faltam médicos e não há psicólogo na rede do Programa Saúde da Família (PSF), que é a equipe capacitada, qualquer outro profissional de curso superior pode atuar nessa frente. “É trabalhada a abordagem cognitiva comportamental. Na ausência de um psicólogo, pode ser um assistente social, um dentista ou fisioterapeuta. A medicação pode faltar, porque o estado é muito grande e a entrega ocorre com morosidade, podendo demorar até 45 dias. O grupo a ser tratado só começa a ser atendido quando chegam os medicamentos.”
A técnica reconhece que são poucos os municípios que têm o programa efetivo. “Mas há 12 cidades em processo de regulamentação”, diz, revelando que a situação foi levada à Comissão Intergestores Bipartite (CIB) para que o estado passe a regulamentar o programa. “O tabagismo é um problema de saúde pública e é preciso que se torne uma política estadual para que os gestores abracem a causa. Não adianta capacitarmos os 853 municípios se os gestores não o querem”, diz. No entanto, o Inca, do Ministério da Saúde, informa que o projeto não é de responsabilidade do ministério, mas do estado.






