Consumo de produtos novos já prejudica quem faz pequenos consertos
Erick Sena afirma que os preços mais baixos de reforma de estofados refletem opção pela troca, mas mercado de itens caros ainda é ativo Vale a pena comprar um eletrodoméstico novo ou consertar o aparelho adquirido há alguns anos? A expansão do crédito e o crescimento da renda do brasileiro estimulam uma grande […]
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| Erick Sena afirma que os preços mais baixos de reforma de estofados refletem opção pela troca, mas mercado de itens caros ainda é ativo |
De outro lado, os produtos de maior tecnologia, e que custam mais caro, são os que ficam em casa por mais tempo, e aquecem o mercado da manutenção. De janeiro a abril, os consertos de televisores puxaram o índice acumulado do serviço no ano, com alta de 4,94%. Já serviços como a reforma de estofados, registraram queda de 0,29% no quadrimestre. Quem precisou consertar um eletrodoméstico, como liquidificador ou batedeira de bolo, pagou no período o mesmo valor. Não houve alta nem baixa de preços. Com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), as vendas do comércio varejista de setores como móveis e eletrodomésticos avançaram, acelerando tanto o consumo do primeiro eletrodoméstico como a troca do aparelho usado por um novo.
“Os preços de consertos das TVs de alta tecnologia e dos home theaters realmente aumentaram este ano, devido ao crescimento da demanda”, diz o empresário Robert Kremser Gouvea, da Eletrônica Buritis. Segundo ele, o maior custo vem da mão de obra especializada, rara no mercado e por isso cada vez mais cara. “Faltam técnicos qualificados e o custo desses profissionais é cada vez maior”, aponta.
O preço de consertos menores, como os de um som simples, não avançou no período. “Se o custo desses serviços crescer muito, não vale a pena para o consumidor consertar o aparelho”, compara Gouvea. Ele aponta que, caso o reparo supere em 40% o preço do produto novo, é comum o cliente desistir do serviço, optando pela troca. “Quando os produtos têm mais tecnologia, ainda que o reparo custe 50% do valor de um aparelho novo, vale a pena consertá-lo”, garante.
Se a mão de obra pressiona os custos da reparação, o desafio para os pequenos empresários é se manter no mercado. “O risco para esses profissionais é desaparecer do mapa. É cada vez é mais forte a cultura de usar e descartar produtos”, alerta o pesquisador da Fundação Dom Cabral Fabian Salum. O especialista indica que o caminho para o segmento, especialmente dos pequenos consertos, é buscar a especialização atendendo os aparelhos de maior tecnologia e preço.
Cláudio Almeida, dono da Capotaria Portugal, está há 15 anos no mercado da renovação. Ele acredita que o impulso que a redução do IPI deu às vendas de móveis vai favorecer a demanda por consertos, que tem se mantido aquecida graças aos produtos de maior valor agregado. “Existe um grande mercado de móveis descartáveis, feitos para durar seis meses, estes não são renovados. Mas o mercado de produtos de qualidade também cresce.” Segundo Almeida, a renovação completa de dois sofás, de dois e três lugares, custa a partir de R$ 850. “Para quem tem um produto de qualidade, consertar é bem mais barato que comprar um novo.”
Erick Frederico Sena trabalha há cinco anos com a reforma de estofados. Ele diz que o mercado está aquecido para os profissionais mais qualificados. “Falta mão de obra especializada”, comenta. O professor do Ibmec João Bonome, considera que a renovação faz parte de um planejamento da indústria. Para ele, sempre haverá mercado para os reparos. “Quando a indústria amplia sua base, deve expandir também a assistência técnica.” Segundo o especialista, a renovação sempre existiu e para se manter no mercado os profissionais não devem perder de vista a qualificação, acompanhando a inovação da indústria.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre deste ano o volume de vendas do comércio varejista acumulou crescimento de 12,8%, em relação ao primeiro trimestre de 2009.
