A partir de 1º de junho todas as casas lotéricas do estado estarão proibidas de vender os jogos da Loteria do Estado de Minas Gerais, popularmente conhecida como Loteria Mineira. As raspadinhas e o Ganha Minas, que dão prêmios de até R$ 50 mil, além de carros, motos e televisões, vão sumir dos guichês. A decisão foi tomada pela Caixa Econômica Federal, que já anunciou que não vai renovar o convênio de 12 anos firmado com a Loteria Mineira para comercialização de seus produtos na rede de lotéricas credenciadas. O contrato, que se encerra em 30 de maio, foi renovado pela última vez em 2005 e a Caixa confirmou que não negociará a manutenção da parceria.
A notícia foi recebida com muita preocupação pelas lotéricas, que já calculam perda de faturamento de cerca de 10% a 12%. “Já tivemos um queda de 30% nas vendas em decorrência do fim do bolão e agora essa decisão vem fragilizar ainda mais o lotérico. Os produtos vão sendo tirados, mas não temos nenhum para substituir. Não vejo nenhuma vontade da Caixa em solucionar o problema do faturamento das casas lotéricas”, explica o presidente do Sindicato dos Lotéricos de Minas Gerais (Sincoemg), Marcelo Gomes de Araujo.
Ele explica que, para cada raspadinha da mineira vendida, 15% do valor vão para o estabelecimento comercial, enquanto as instantâneas da Caixa remuneram apenas 13%. “Vivemos uma situação de extrema insegurança, agravada com essa perda de receita. O que nós pedimos é que seja dado um prazo de pelo menos seis meses para continuarmos vendendo os produtos para zerarmos os estoques, já que hoje compramos para dois, três meses de vendas. Além disso, precisamos nos adaptar e criar nova alternativa de receita”, explica Marcelo.
O diretor-geral da Loteria Mineira, Ernani Campos Porto também se surpreendeu com a decisão da Caixa e garante que o contrato com fins comerciais prevê repasse de um percentual das vendas para o banco. “Hoje, 3% do que é vendido vai para a Caixa. Somente no ano passado foram 19 milhões de raspadinhas vendidas e a média mensal varia entre 1 milhão e 1,5 milhão”, afirma. Cerca de 80% a 90% de tudo que a Loteria Mineira vende hoje sai das casas lotéricas. “Ainda temos as vendas de bancas e de ambulantes, mas a maioria é comercializada por meio desse convênio. Esperamos que a Caixa reveja essa decisão”, afirma Ernani, que não divulgou os valores arrecadados pela Loteria Mineira com seus produtos.
Os jogadores reprovam a postura da Caixa. “A população deveria ser consultada sobre isso. Ninguém está sabendo de nada”, reclama o professor Licurgo de Araújo Filho. O funcionário público Astério Chimeli contesta a decisão: “A Caixa está monopolizando esse mercado. Está tudo em suas mãos e o lotérico tem cada vez menos autonomia sobre seu negócio”. Apesar de acreditar que a medida vá dificultar o jogo, o carpinteiro Geraldo Terezinha da Silva garante que vai continuar apostando a sorte nos jogos da Loteria Mineira. “Tem mais de 30 anos que compro os jogos. Já cheguei a ganhar pequenos prêmios e até um de R$ 8 mil que usei para construir minha casa. Vou continuar comprando onde quer que seja vendida”, afirma.
O vereador Paulo Manac (PT) convocou para esta terça-feira uma audiência pública que vai discutir as razões para o fim do convênio e os impactos da medida para o setor. Representantes do banco, da Loteria Mineira e das casas lotéricas já confirmaram presença.